30 de março de 2008

o susto da minha vida

Foi há mais de três anos. Eu estava sozinha em casa, no Porto. Estava a trocar mensagens escritas com o Bruno, metida na cama e pronta para dormir. A televisão estava prestes a desligar-se sozinha, que eu já a tinha programado há séculos. De repente ouvi barulho. Ouvi passos no soalho e pensei "É a Carlita." mas não. A Carlita estava em Viana e além disso nunca entraria em casa sem se anunciar ruidosamente. "É o vizinho." - mas não, que o barulho era ao pé da nossa porta, depois já não era barulho, eram passos e eram dentro da nossa casa. Passos no escuro e a televisão quase a desligar-se para me deixar completamente só. A nossa casa era num prédio velho velho velho e parecia uma pensão. Os vizinhos tinham de passar pela nossa porta para subirem para as casas deles. Adiante. Os passos. Eu tinha uma pessoa dentro de casa. Não me parecia, eu tinha uma pessoa dentro de casa, cujos passos ouvia nitidamente do outro lado daquela parede de estuque que separava o meu quarto do corredor e que parecia feita de papel. O corredor terminava no meu quarto. E estava uma pessoa a andar no corredor. Nunca tive tanto medo na minha vida. E é nas situações limite que nos revelamos. E eu, que sempre me achei capaz de matar um ladrão com um taco de baseball como nos filmes, decidi fingir que dormia. Mas em vez disso comecei a tremer. Enquanto tremia pensava "Minha ganda burra pára de tremer e finge que dormes!" e tremia tremia. Os passos. Aqueles passos e eu de olho aberto a ver se o vulto finalmente aparecia aos pés da minha cama. Como não aparecia e os passos continuavam, nítidos e pesados, eu já via um homem de dois metros a saltar-me para cima à luz da televisão. A porra da televisão que ia desligar-se. O meu coração saltou-me para a garganta. Não satisfeita, para além de tremer tipo batedeira eléctrica (tenho a certeza de que a cama abanava), comecei a respirar muito depressa e muito alto, quase quase gemi. "Pára Nat, pára que ele assim vê-te a abanar toda, minha estúpida, que ridícula. Nem de morta sabes fazer." - se soubesse rezar, rezava. Nem me importava ser ateia, quem me dera saber rezar. E de repente, ouvi a janela do vizinho a bater.
Olhei.
Nada.
Ninguém.
O homem horrível-gigante-de-dois-metros-super-violador estava no andar de cima. Era tudo no andar de cima! Tudo no andar de cima. Maldito soalho. Maldito sejas, soalho velho e recheado de baratas, feito de tábuas longas e ecoantes. Como te odeio hoje.

Escrevi uma mensagem ao Bruno: "O meu coração acaba de me saltar boca fora para me dançar um sapateado." mas ele não entendeu a dimensão do horror.
No dia seguinte contei o filme a duas colegas, no café, e a Ana desatou a chorar, apavorada. Eu, ainda hoje me rio. Mas que medo. Que. Medo.

13 comentários:

nothing disse...

:) ainda bem que era tudo no andar de cima!

Beijinhos e bom fim de semana!


Continuo a ADORAR o teu VERMELHODEVAGARINHO!!!

Beijinhos de outra nat(lia)!!!

andie disse...

Ai que horror!
Tens jeito para isso, tipo trágico-comédia,lol!
Jinhos,Bom domingo!

Anónimo disse...

Eulembro-me de contares!!
ès o máximo! Adoro!!!
Beijinhos mana!
Bába

Sofia Quintela disse...

que horror, de vez em quando também sinto barulhos e penso sempre qu alguém teve a habilidade de trepar até ao terceiro andar acima e me entrar pela varanda que no Verão até fica com algumas portas meias abertas... é terrivel...
tadinha...

Ana Rita disse...

Isso era digno de dizeres uma daquelas grandes asneiras com todas as letras e ainda acrescentares algumas pelo meio.... uuufff....*

BrU disse...

Parola.

Van Dog disse...

Uff...

Sofia disse...

consigo imaginar... hahahahahahahahaha!! mas compreendo o susto
bjs

Umbigo disse...

ai, bolas, que horror. a mim tb me aconteceu algo parecido às 4h da manhã, mas era o meu pai a entrar pela casa adentro com a minha filha que estava a dormir em casa deles e teve um ataque de asma. mas como entrou sem falar foi o susto da minha vida. chiça penico.

Tereclopes disse...

Bolas...

Isabel disse...

caramba... que angústia... nem quero pensar se fosse comigo!!!!
bjs

Li*Azevedo disse...

poças... que susto!
para além de pintora, costureira, agora tb és escritora de terrores?? ;) poças!!
***

Oficinas RANHA disse...

Ok... podemos rir, mas devo dizer que isto acontece, e muitas vezes. E também há quem escale até ao terceiro andar, Sofia... e, por isso, devemos fechar a porta da rua Á CHAVE e, quando noite, as janelas devem ser fechadas e com estores corridos, de preferência.
Desculpem lá, eu sei do que falo, a sério. E vocês não querem saber, acreditem.
Rita