Terça-feira, Junho 23, 2009

pinturinha

Para uma menina pequenina linda linda linda. Chamada Íris. Lá vai ela de escorrega. ^-^



pormenor

entrada

(Aproveito o encanto com que fiquei de ver uma bebé tão pequenina para te mandar muitos beijinhos de parabéns, querida Marta. Felicidades!)

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a descoberta da semana

Chama-se Tim Minchin e junta três coisas a que eu simplesmente não resisto: boa música, inteligência e sentido de humor delirante.

Esta é a canção de amor que ele dedicou a uma boneca insuflável.



A-do-ro.

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Sexta-feira, Junho 19, 2009

hoje fui à piscina

Não há nada - biquini, fato de banho, fato de ballet, iluminação, calças, saia, tecido, postura, nada - que realce mais a gordura das minhas pernas e rabo do que uma touca de natação enfiada na minha cabeça.

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Sexta-feira, Maio 29, 2009

animais de pano

Para os meus sobrinhos queridos, que ficaram com um quartinho de brincar ainda mais catita.

O quadro de ardósia é falso. Pintei um rectângulo com a tinta Efeito Ardósia da Cin directamente na parede, e aparafusei-lhe a moldura, que há-de ajudar o Francisquinho a manter o giz dentro dos "limites legais". E já que estou numa de publicidade, aproveito para dizer que os funcionários da Misturacôr - onde costumo comprar a tinta - são uns queridos (têm uma paciência infinita para me aturar).



naveg ar

bichos de pano

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e agora um post sobre política

O Avô Cantigas concorreu às europeias. Mudou de nome mas não engana ninguém.

Pergunto-me quantas pessoas terão chegado, como eu, a esta brilhante conclusão.

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sim, estou biba!

Começo já com um eufemismo: os últimos tempos não têm sido fáceis. Teria havido muito para escrever se eu visse algum interesse em registar e tornar públicos os meus pensamentos mais pessimistas, e também se pudesse manter o anonimato. O meu bloguezinho ainda é cor-de-rosa, porque eu assim o quero.

marca d'água


Tirei esta fotografia na altura em que estava ainda a tentar digerir o ódio dos "falsos anúncios". Ao fim de horas e horas de trabalho. Cansada mas feliz, diante de mais um par de ovelhinhas saltitonas. Minhas. A minha vontade era de nunca mais publicar nada na internet, a não ser que fosse possível construir uma barreira à prova de ladrões. Talvez a minha mão esquerda, identificada pela cicatriz no polegar, a velar o essencial de cada imagem. Não me saía da cabeça esta frase: As minhas pinturas são minhas. Minhas.

Que triste seria se eu começasse a dar mais importância a quem me rouba do que a quem vem aqui por gosto e me respeita realmente. Que triste, se guardasse para mim cada uma das minhas criações, como se de obras de génio se tratassem. Mas o meu primeiro impulso é esse, especialmente depois de ver a minha propriedade intelectual violada várias vezes, num tão curto espaço de tempo. Se calhar devia fazer marcas d'água em tudo o que crio. Devia avisar que as pinturas estão todas registadas. Devia fazê-lo no cabeçalho do blog, em tom de ameaça, deixando no ar uma certa tensão para que os potenciais espertinhos tirassem daí o sentido. Lamento mas ainda não será desta.

Posso sempre avisar que a minha mão está em tamanho real, na foto, e que sim, eu sou grande e forte, e essa mesma mão tem uma irmã gémea, destra e certeira.
:)

Segunda-feira, Maio 11, 2009

momento publicitário sem fins lucrativos*

*eis que a desintoxicação chega ao cérebro

E agora eu pegava numa tablete de Milka Biscuit, num Haggen Dazs Vanilla Caramel Brownie de meio litro e num pacote de Chips Ahoy! e metia-me na cama com eles a ver a série completa dos pequenos póneis (embora eles não chegassem sequer a ver o fim do primeiro episódio).

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Quinta-feira, Maio 07, 2009

a mulher que não queria crescer

Ela era tão adolescente, tão adolescente, que ouvia os Azeitonas em alto som e cantava enquanto trabalhava. E o seu trabalho era desenhar bonecos.

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a razão cínica

Nunca tinha ouvido (lido) o termo. A razão cínica.
O meu pai trouxe-me este artigo do JN, recortadinho com amor. Li-o e mais uma vez tenho vontade de abraçar o Manuel António Pina. Porque ele põe em palavras o que eu não consigo. E sinto-me agradecida por isso. A razão cínica, diz ele. E é mesmo isso. Até eu que não como animais (não nasci vegetariana) entendo o lado dos que comem.

"Adoro vê-los agonizar"
Os jornais divulgaram há tempos uns versos de um indivíduo condenado nos EUA pelo assassínio de um mendigo: "Vê-os morrer./ Adoro vê-los agonizar: vomitam, gritam, choram". Adorno explica a barbárie como persistência, no ser humano, das formas mais primitivas de agressividade, defendendo que "a questão mais urgente da educação contemporânea é a desbarbarização da humanidade". Neste sentido, o não licenciamento de touradas por (para já) quatro autarquias - Viana do Castelo, Braga, Cascais e Sintra - é um acto fundamentalmente educativo. Contra ele, esgotado o argumentário da "tradição", a razão cínica - a razão cínica consegue justificar tudo, de Auschwitz ao terrorismo - fixa-se agora na circunstância de aqueles que condenam as touradas comerem carne. De facto, a Biologia e a História fizeram de nós animais comedores de cadáveres. Há, no entanto, uma diferença (uma diferença moral) entre comer carne e fazer - "pecado contra a natureza", diria Pound - da agonia e morte de um animal um espectáculo, tirando sórdido prazer de o ver espetar, martirizar, vomitar sangue. Nenhum outro animal o faz.

(Por Manuel António Pina. In “Jornal de Notícias”, 4 de Maio de 2009)

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Quinta-feira, Abril 30, 2009

minha nossa senhuora

A lei da atracção é isto: uma gaja tenta desintoxicar o seu fígado, para bem da sua saúde e por causa dum tal ácido úrico e umas senhoras transaminases. Essa gaja enche-se de coragem e alimenta-se de água, tomate, aveia integral, laranjas, morangos, cenouras, sopas. Para continuar no bom caminho, usa o poder da visualização e imagina o seu fígado livre de gordura, a filtrar e expulsar toda a porcaria que antes não conseguia. A gaja tem crises terríveis de gula e devora cereais integrais sem açúcar imaginando que são pipocas do Arrábida Shopping. Depois acalma-se e verifica que a visualização não é assim tão poderosa. Senta-se e trabalha ao som do Youtube. E, quando menos espera, surge na vida desta pobre criatura uma mulher chamada Nigella Lawson.

Lei da atracção? Sim. O meu fígado atraiu para este computador onde escrevo a visão da mulher que originou o termo Gastroporn e cuja existência - meu deus!!! - eu desconhecia. Que usa natas, manteiga, chocolate e açúcar em doses impróprias para o comum dos mortais. E que deixou o meu escritório inundado de baba.

Gulosos que me lêem, atençom. Antes de verem os vídeos desta senhora vão buscar a chibata.

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Terça-feira, Abril 28, 2009

das coisas boas

Quando nem pintar me sabe bem, até porque chove e eu aproveito qualquer pingo de chuva para me sentir deprimida (e deprimida o que eu quero mesmo é a minha cama e duas toneladas de chocolate), arrasto-me a muito custo para uma casa que não é a minha. Nem cama nem chocolate. Em vez disso, uma parede e horas e horas em pé. Quando nem pintar me sabe bem e o pincel pesa, esse sim, duas toneladas, apercebo-me da sorte que tenho. Porque podia ser pior. Podia ter um patrão de merda, ser desvalorizada e/ou explorada, ter de trabalhar em algo que odiasse, ter colegas intriguistas, stress, aturar clientes mal educados, engolir desaforos. Quando nem pintar me sabe bem, tenho os clientes como consolo. Os melhores do mundo - já o disse aqui mil e uma vezes, eu sei. Recebem-me não como a uma pintora que vai lá a casa trabalhar, mas como a uma visita. Com carinho e atenção e café e frigorífico e microondas-se-precisares. E aqui é a casa de banho e estás à vontade, estás à vontade! Se precisares telefona e já sabes, a máquina do café está aqui. Que bonito, Natacha. E os sorrisos. Agarro-me aos meus clientes, quando nem pintar me sabe bem. Alguns nem imaginam a diferença que fizeram na minha vida.

Sexta-feira, Abril 24, 2009

o debate, para quem não viu



Eu sofro de vergonha alheia. E juro que, mesmo estando contra eles nesta questão, senti vergonha pelos senhores Vítor Hugo Cardinali e João Palha Ribeiro Telles. Acho que só há uma explicação para o que se passou ontem (descartando, claro, a possibilidade de a Sic ter desequilibrado intencionalmente o debate ao colocar dum lado duas pessoas informadas e eloquentes e do outro dois broncos). E a explicação encontra-se nos copos de água: a famosa marca que patrocina este programa é a "Águas da Serra Quanto Mais Falas Mais te Enterras Mais Valia Estares Calado". E repare-se que nem o Miguel Moutinho nem o Nuno Paixão beberam. Escusado será dizer que o filhote do Ribeiro Telles chegou tarde porque esteve lá atrás a beber do garrafão.

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Quinta-feira, Abril 23, 2009

biba biba




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ui ui ui

Hoje há debate e eu não sabia! Obrigada Van Dog, já votei!

Votem também, faz favor.
:)

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Quarta-feira, Abril 15, 2009

porque rir faz muito bem

E rir muito faz ainda melhor. Espreitem. Para quem gosta de gatos e de disparates sem limites.

funny pictures of cats with captions

Sábado, Abril 04, 2009

pequena história trágica

Era uma vez uma menina que se alimentava de doces. Um dia essa menina foi a um médico alternativo que lhe picou o dedo, pôs uma gotinha do seu sangue no microscópio e explicou-lhe que se não se pusesse a pau, um dia ficava muito doente do fígado. A menina tentou ter cuidado, mas os doces vinham todos os dias directos a ela, e eram enormes e apetitosos e muito muito simpáticos, e diziam-lhe "Olha ali o elefante!" e quando ela se apercebia já eles estavam a nadar-lhe nas veias.

Um dia a menina voltou ao médico já com o fígado doente. Ele ralhou um bocadinho com ela, disse-lhe que tentasse comer frutos secos em vez de gelados e chocolates e que se desintoxicasse, para bem do seu fígado.

A menina veio para casa e, obediente como só ela, afogou-se em açúcar. Depois lá se sentiu capaz de desintoxicar.
Ao fim de um dia de fruta, legumes, cereais integrais e água, a menina sentia-se bem.
Ao fim de dois dias sem café, a menina sentia uma bela dor de cabeça. E tinha sonhos eróticos com o coelho da páscoa.
Ao fim de três dias, a menina acordou morta.

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Terça-feira, Março 31, 2009

e o prémio Sei Apagar Assinaturas às Três Pancadas vai para...

... para a mesma pessoa! E gabo-lhe também a coragem.
Por favor não me acusem de parcialidade. É que este artista não se deu sequer ao trabalho de apagar melhor o www.pinturadequartos.com desta foto.

Segunda-feira, Março 30, 2009

e o prémio da ganda latosa vai para...

Bons velhos tempos aqueles em que eu saltitava feliz em direcção ao meu blog cor-de-rosa para partilhar com o resto do mundo as minhas ideias frescas.
Hoje, antes de qualquer outra coisa, penso se será boa ideia publicar uma ideia na internet. E há dias em que esse pensamento é capaz de arrasar por completo com a minha inspiração.

Peço desculpa aos outros nomeados que se esmeraram nas cópias silenciosas das minhas personagens. Que as assinaram como sendo deles. Que as tentaram (e tentam) vender. O prémio vai mesmo para este senhor:



Muito obrigada a quem me alertou para isto. Saber que há quem reconheça o meu trabalho e o valorize ao ponto de me ajudar a protegê-lo, reconforta-me e dá-me muita força.

Não deixar de ler este post, escrito pelo autor da segunda fotografia também roubada, Paulo Galindro (não confundir com o autor dos anúncios!!!). Perfeito para sensibilizar todos aqueles que dormem descansados depois de se apropriarem da ideia original alheia, galgando (ou destruindo?) todo um processo criativo sem o mínimo respeito.

Sábado, Março 28, 2009

dos plágios

A propósito do post anterior e do que acabo de ler no blog da Rosa:

O que sinto vontade de escrever aqui inclui palavrões e insultos vários a todos aqueles que, de ânimo leve, se passeiam pela internet em busca de imagens engraçadas para copiar e manipular descaradamente. Pouco me importa se é sem má intenção que o fazem, se estão desempregados e apenas fazem artesanatozinho para vender às amigas, se não imaginavam que o que fizeram é crime, se lhes doía o dedo no momento em que deveriam ter teclado meia dúzia de palavras de referência ao autor/título/site/etc da obra original.

Nojo.

Quinta-feira, Março 19, 2009

obrigada

Hoje quero agradecer a todos aqueles que de alguma forma demonstraram um enorme respeito por mim e pelo meu trabalho. Que, tendo gostado de alguma das imagens que aqui publico, me contactaram a pedir autorização para copiar, seja para usar como fundo no ambiente de trabalho, seja para fazer um bordado, seja para adaptar e criar uma versão diferente... Quero agradecer e dizer que nunca me vou esquecer disso. Porque muitas vezes a falta de respeito e consideração vem até de pessoas que conhecemos pessoalmente.
A maioria das imagens que publico aqui, é publicada pelo puro prazer de partilhar, sem qualquer interesse comercial e muitas vezes correndo o risco de me prejudicar, mais do que beneficiar enquanto autora. Mas isso fica para amanhã.
Muito obrigada.

ovos

Há dias encontrei uns ovos de galinhas criadas ao ar livre mais baratos do que os que costumo comprar. Comentei isso com a minha mãe e o meu pai teve um ataque de riso. O meu pai não imagina de onde vêm os ovos que come. Eu, muitas vezes e por cobardia, tento não imaginar. Mas em casa posso garantir que as galinhas que eu exploro para me lambusar com uma mousse de chocolate viram a luz do dia e foram tratadas com respeito. E isso alivia-me um bocadinho.
Os ovos que encontrei são da Casa do Aido.

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Quarta-feira, Março 18, 2009

post super interessante, diria mesmo interessantíssimo

Eu cá quando entrei para o ginásio* só fazia duas flexões (sendo que quase morri durante a segunda e fi-la por uma questão de honra uma vez que me encontrava roxa no meio do chão diante dum mr. músculo incrédulo).
Agora já faço várias flexões assim e hoje empurrei um carro sem bateria numa ligeira subida.

De agora em diante podem tratar-me por Supernat, se faz favor.

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Terça-feira, Março 17, 2009

olha um quadrinho!

:)

amor porm

moldura parede

Sou tão sensível à Primavera que ainda fico mais lamechas/pateta/romântica...
Está à venda aqui.

Segunda-feira, Março 16, 2009

eu venho aqui...

... e escrevo, até. Mas muitas vezes escrevo e não publico. Já não me lembro da última vez que pus aqui uma fotografia...
Hoje fui às lágrimas com este vídeo que encontrei por acaso, enquanto ouvia os meus amados Coldplay. Os vizinhos já devem saber que quando há gargalhadas no nosso piso, sou eu.



Boa semana!

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Segunda-feira, Março 02, 2009

um bom começo

Poucas coisas me deixam feliz ao ponto de dar gritos e chorar como fiz hoje, quando o meu pai me deu para as mãos um recorte do JN. Leiam aqui e aqui.

Viana do Castelo é a primeira cidade anti-tourada de Portugal.

Tenho de agradecer a todos os que assinaram a petição a que dei início. Estou mesmo muito orgulhosa, independentemente do peso que ela possa ter tido nesta mudança. Acredito que as manifestações pacíficas, por mais pequenas que sejam, se fazem sentir. Por isso muito obrigada.

É só um começo, mas que belo começo! Agora há que actualizar o site da petição e, mais urgentemente ainda, há que felicitar a Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Estou tão feliz.

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Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

se há coisa que me derrete

É ver homens altos e fortes, para lá dos cinquenta anos, a passearem cães rafeiros pequeninos. Então quando o cão é velhinho e feio e caminha com dificuldade, e o dono espera paciente e carinhosamente... só não vou lá distribuir beijos e abraços porque isso é altamente lamechas.

(suspiro)

post de ontem

Há dias miseráveis. Dias em que o mundo pesa, em que acordar dói. Em que o simples facto de ter de escolher uma roupa para vestir se torna difícil, se torna um problema. Um drama. Há dias em que nem o sol, nem as flores dos meus cactos me fazem sentir melhor. Ao longe vejo o meu optimismo, sei que nunca se afasta a ponto de nos perdermos e isso deixa-me sossegada.
Leio livros onde encontro frases poderosas. Leio-as uma e outra vez, na esperança de encontrar nelas a chave para todos os meus problemas. Hoje deitei-me no chão da sala, de manhã. O meu corpo devia pesar uma tonelada. Tentei não fazer listas mentais. Tentei respirar devagar, tentei sentir-me melhor. Tentei adormecer. Bebi um litro e meio de água para lavar a alma. Nada. Só chichi.

Levámos a cadela a correr à aldeia. Levei um livro também. A minha mãe escavava na terra e eu escavava nos parágrafos, em busca de mais frases poderosas, da frase derradeira, a que me arrancasse do fosso em que me sentia. Há dias miseráveis. Li uma e outra frase. Li em voz alta e a minha mãe ouviu-me, abraçada ao castanheiro, e suspirava. Que duas. E a cadela já farta de correr. Quando já íamos embora lembrei-me de trazer terra para os meus cactos. Isto de passar os cactos dos vasos pequeninos onde estão há três anos para uns maiores é terapêutico. Desenformar-lhes as raízes já aflitas e contorcidas, dar-lhes espaço e terra nova. Água e ar. Era o que eu queria para mim, que me transladassem com jeitinho e falinhas mansas como eu faço aos meus cactos, para um sítio melhor e seguro. Então peguei num vaso grande, fui à horta e enchi-o de terra.

De repente, quando menos esperava, o cheiro da terra húmida subiu-me pelas narinas directo ao cérebro. Não sei como acontece, isto da memória olfactiva. Acho que bastou uma fracção de segundo para eu me ver na escola primária, num dia de calor. Foi como se o cheiro da terra tivesse passado por uma fila de interruptores dentro da minha cabeça e os tivesse ligado um por um.
Olhei à volta e subitamente tudo me pareceu mais fácil. Afinal quem precisava de terra era mesmo eu, sem metáforas.

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Domingo, Fevereiro 15, 2009

algures no meu sangue

Diz um glóbulo vermelho:
- Olá, és um glóbulo branco não és?
- Não, meu caro. Sou um grão de açúcar.

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dia dos namorados

Em 1997 eu era apaixonada pelo João. Namorávamos à distância, por carta e por cabine telefónica. No dia dos namorados ele enviou-me um postal de Natal. Dizia que se sentia sozinho. Sem lamechices. Eu adorei aquilo, surpreendeu-me. E chorei de amor. E desde aí nunca me senti na obrigação de oferecer prendas, de sequer celebrar o dia de S. Valentim com nenhum dos meus namorados (embora o Brunela me tenha oferecido uma batedeira eléctrica há dois anos - obrigada Brunim).
Esta explosão de corações em cartolina vermelha e a matança de milhões de flores parece-me demasiado pateta. Imagino que haja quem se sinta atropelado pelo dia de S. Valentim como eu me sinto pelo Natal. Aqui fica uma música que é um consolo.
Não faz mal não sentir nada no dia 14 de Fevereiro. Não faz mal. Porque os dias de amor são quando um coração quiser. Digo eu.

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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

di

Encontrei os nossos cartões d'O Músculo. Emitidos em 1996. Com as nossas moradas, datas de nascimento e números de telefone (ainda sem o 258) batidos à máquina. E as fotografias, ai meu deus as fotografias. Não consigo parar de rir.

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o meu umbigo

O meu umbigo está de boa saúde. O meu corpo tem músculos que eu não via há séculos. Embalada na vaidade, observei (é o que dá ficar na frente do espelho) que a minha cara precisava de ajuda também. Um cremezinho de noite, que eu já sou uma jovem adulta.
Não tarda nada começo a queixar-me da celulite que tenho nas pernas.

E é agora que eu acordo. E me lembro do valor das coisas. Tiro os olhos do meu umbigo, penso em quem gostaria de ter um par de pernas como estas minhas, saudáveis, ágeis, flexíveis. Quem gostaria de simplesmente poder andar. E sinto vergonha.

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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

amor incondicional

Devíamos amar-nos uns aos outros como eu amo o chocolate:

Preto
branco
sucedâneo
de leite
na páscoa é ovinho
no natal é enfeite

No leite
no pão
assim ou assado
na fruta fondue
na roupa pingado

Quente
morno
frio
gelado
derretido ao sol
no tacho queimado

Em qualquer receita
seja boa ou má
muito doce
amargo
com café
com chá

Bombom maciço
bombom com recheio
não havendo bombom
haverá brigadeiro

Chocolate eu amo-te
comi bolo encruado
dá-me a volta a barriga
e pago assim o pecado

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pensamentos na sanita

Quando se imita o som do chichi

tchhhhhhhhhhhhhh

é o som do chichi a sair ou do chichi a aterrar?

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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

um dia abriram-se-me os olhos

Foi há pouco tempo.
Eu dizia que tinha mau feitio. Que sou teimosa - sou; que sou obstinada - sou; que de mau humor ninguém me queira por perto - sim; que levo muito a mal a indelicadeza em geral - ui; que detesto receber ordens - de tes to; que sou muito exigente - também. Mas isso, ao contrário do que eu pensava, não é garantia de mau feitio.
Um dia abriram-se-me os olhos. Eu não tenho mau feitio. Salva pelo meu optimismo, pela capacidade de engolir uns sapinhos para que não haja barulho, pela pouca expectativa em relação a quase tudo. Um dia observei feitios tão mas tão piores que o meu.
Um dia abriram-se-me os olhos. Não é que eu tenha bom feitio. Mas mau também não é.

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Domingo, Fevereiro 08, 2009

domingo de chuva

Acordei morta. Devo ter dormido em má posição. Felizmente havia café pronto. Bendito seja. Danço estas três, em pijama, pela casa:








Di, danças comigo?

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Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

bonecos de pano

São uma proposta de pintura. Têm a função de distrair meninos que estarão de braço estendido com uma agulha enfiada... coisa que ainda hoje me aterroriza. (Peço sempre para tirar sangue deitada porque quase desmaiei umas vezes, então deito-me e viro a cara para o lado e, normalmente, como não há nada de interessante para ver longe da agulha, imagino um gelado enorme, um gelado delicioso e já a derreter-se, um gelado todo só para mim e uma colher mesmo ergonómica, assim mesmo mesmo delicioso a caminho da minha boca... - "Já está, carregue aqui com o dedo." - Ufa!)

intrusos

espreitadela

macaco de peluche

gato remendado

girafa de retalhos

Pendurados, apoiados ou escondidos atrás dos objectos. Imaginei a girafa com dois metros de altura, a aparecer vinda detrás duma porta. Esta é uma maneira mais barata de fazer um boneco grande: esconde-se-lhe mais de metade do corpo. O mesmo para o urso.
As minhas pinturas favoritas são estas em que os bonecos habitam recantos improváveis. Embora dê um trabalhão e algumas cãibras aceder a rodapés, interruptores e radiadores com tinta no pincel e mão firme.

O meu trabalho faz-me muito feliz.

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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

pensamentos na cozinha

É possível alguém ser parvo ao ponto de acabar de fazer uma sopa e, com a gula, enfiar uma colherada de couves a escaldar na boca, pensar cuspo-engulo-cuspo-engulo-cuspo-engulo, engolir, e sentir uma lava percorrer-lhe todo o sistema digestivo desde as gengivas até às cuecas?

Claro que sim.

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Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

querido continente

Quero que saibas que gosto de ti, apesar dos teus defeitos. Mas que fique bem claro, querido Continente, que eu não volto a comprar Fibra Flakes da tua marca. Posso ter sido a única pessoa a observar que passaram de €0.99 para €1.99, mas não me interessa. Estou magoada e não julgues que me enganas com a nova embalagem azul bebé, o conteúdo é exactamente o mesmo.

A partir de agora, Fibra Flakes é no Lidl.

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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

16 coisas sobre mim

Não costumo participar nestes desafios, mas uma vez que tem havido reclamações relativas às teias de aranha que decoram este meu blog, pronto, aqui vão 16 revelações de enorme interesse sobre mim. Mas não vou passar o desafio adiante, está bem? Quem quiser participar, faça favor. :)

Fui desafiada pelos meninos:

Marta

Filipe

Sílvia

Tulicreme

Sandra

Obrigada, amiguinhos virtuais. Aqui está o meu trabalho de casa:


1 - Quando me apresentam alguém nunca consigo decorar o nome da pessoa. No segundo beijinho já não sei como se chama. Mas tenho uma memória espectacular para decorar letras de músicas.

2 -Sofro de humor negro compulsivo. Ninguém devia subestimar a minha capacidade de fazer observações estúpidas e comentários inapropriados, pois tenho sempre um debaixo da língua, mesmo para as situações mais dramáticas. Felizmente ainda tenho autocensura. Muitas vezes não digo o que penso, portanto.

3 - Costumo ser muito bem disposta e faladora mas quando me dá o sono - o que acontece de forma abrupta, a partir das 22h30 - transformo-me em abóbora.

4 - A minha capacidade de comer chocolate ultrapassa o limite do razoável. Faço um número de ilusionismo impressionante que envolve somente a minha boca e uma tablete de 300 g de Milka.

5 - Gosto de camisolas com borbotos e tenho roupa podre de velha. Uso todas as semanas umas sapatilhas com mais de 10 anos e uma saia com 13.

6 - Tenho horror a desperdício. Acumulo muito lixo graças à possibilidade-de-um-dia-reutilizar-isto-quem-sabe-daqui-a-três-anos.

7 - Tenho memória fotográfica. Desenvolvi a capacidade de memorizar as folhas dos apontamentos por onde estudava para "copiar" as respostas nos exames. Só isso explica que tenha passado a disciplinas que nunca dominei, desde a escolinha até à universidade.

8 - Sou alérgica a pêssego.

9 - Tenho muito apreço pela minha mão direita. Por isso, sempre que faço alguma coisa em que arrisque magoar uma mão, uso a esquerda.

10 - Tenho pé chato e faço tendinites graças a isso (disse o ortopedista). Só uso calçado muito muito muito confortável.

11 - Faço a espargata com a perna direita à frente.

12 - Toco com a língua no nariz.

13 - Ninguém me peça para dar recados importantes.

14 - Vejo mal mas ouço muitíssimo bem.

15 - Aprendi com a vida a desdramatizar tudo. Não levo nada nem ninguém (incluindo eu própria) demasiado a sério.

16 - Tenho horror a formigas quando em grupos de mais de dez elementos.

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Sábado, Janeiro 31, 2009

pensamentos no comboio

Às vezes acho que vejo mesmo mal...
Outra vezes tenho a certeza.

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