16 de março de 2013

estatisticamente (rascunho de 27/01/2013)

Estatisticamente, o risco de perder o bebé bastante alto, no início da gravidez. Eu estou mentalizada, preparada para o pior, como em tudo na minha vida. Preparo-me para o pior, mas sobretudo preparo-me para o melhor, depois vivo e gozo os minutos como se o pior não pudesse acontecer. Normalmente resulta. Vivo feliz e contente e, no caso de dar para o torto, choro um bocadinho (ou baba e ranho se preciso for) e sigo para bingo.
Quando a Babá engravidou pela primeira vez eu fiquei apaixonada pelo feijãozinho, quis comprar-lhe uns sapatinhos, fui a uma loja no shopping em Viana e quando, feliz e babada disse ao que ia, a funcionária e um senhor amigo que lá estava com ela perguntaram-me "Mas de quantos meses está ela grávida?", ao que eu respondi dois ou três, já não me lembro (e o que é que me interessava? era um bebé dentro da Babá!) e eles, só lhes faltou correrem comigo da loja. Que era muito cedo, que tudo pode acontecer, que depois é um desgosto, que lhes desse antes uma garrafa de champanhe e a senhora ainda me disse que teve um aborto aos sete meses. Saí da loja e desatei a chorar. A minha mãe consolou-me e disse que comprasse os sapatinhos sim. A Babá recebeu-os e agradeceu e riu e eu dei mais beijos na barriga dela nessa gravidez do que em qualquer uma das outras. Tudo correu bem e os meus sapatinhos não mataram o feijãozinho.
Agora que eu tenho um feijãozinho e que a minha mãe já compra roupas e malha para tricotar, pergunto-me qual é o mal. Claro que há um risco acrescido, mas é a natureza, e claro que é triste tricotar e imaginar um bebé filho do amor da minha vida, e depois o bebé não nascer. Mais triste será comunicar a todas as pessoas que já celebram comigo e connosco e me tocam na barriga, que afinal a festa terá de ser adiada. Mas estatisticamente falando, as probabilidades de tragédia não aumentam proporcionalmente ao número de pessoas com quem se partilha a notícia, assim como não aumentam se as pessoas desatarem a comprar roupinhas e sapatinhos. Portanto cá estamos.
O faneca acha que devemos é aproveitar, imaginar que vai correr tudo bem e gozar o momento. Eu concordo. Mas não deixo de pensar. Vinte por cento. Se eu pensar num grupo de amigas que engravidaram, posso ser eu a uma em cinco. Mas até lá, vou continuar a festejar. Ontem fomos para os copos com os meus colegas do eat e contei-lhes, um por um, metade deles estava bêbeda, o que torna tudo ainda mais engraçado, porque os estrangeiros bêbedos perdem o inglês e as emoções vêm ao de cima então o que fazem é rir muito, rir com lágrimas nos olhos, muitos abraços e muitos beijos e tanto amor, tanto carinho que eles têm por mim. Para quê adiar estes momentos? Para quê adiar a celebração do facto de eu e o meu amor termos decidido dar um grito de optimismo e esperança a este mundo que às vezes é tão cruel. E todos os dias as tragédias acontecem, mas eu sempre preferi pensar que todos os dias os milagres acontecem também.

8 comentários:

Edien disse...

Bravo Natacha, é assim mesmo. Eu vivi as minhas gravidezes do principio ao fim com medo e ansiedade, felizmente tudo correu bem à excepção deu não ter aproveitado esse momento tão especial da nossa vida .Continue com essa atitude, tudo correrá pelo melhor.Aproveite ao máximo cada segundo, bom ou menos bom vai ser único. Beijinho grande para

Misshiva disse...

Só te conhecendo através deste blog, já há muitos anos.. também não deixo de estar feliz pela tua felicidade :)
Muitos beijinhos!

Dulce disse...

Tão contente por ti, Nat! Milhões de beijos. Gosto tanto de ti!

sónia disse...

Parabéns! O melhor é viver um dia de cada vez, foi o que eu fiz nas minhas duas gravidezes....mesmo na última que tive q ficar desde o quarto mês em repouso...
;))

Analog Girl disse...

Que lindo! Que lindo texto!
E parabéns, que sejam os 3 muito felizes! Estou muito contente por ti! Força*

pontos disse...

Estou tão contente por vocês! Muitas beijocas nesse feijãozinho! ^-^

Anónimo disse...

Olá Nat,Disfruta o momento e esquece estatísticas. Aproveita cada momento.Claro que nem tudo vai ser um mar de rosas...a mim nunca ninguém me avisou que apartir de certa altura ia a começar a roncar como um camionista, por exemplo...mas faz parte :)
Beijinhos,
Paula, mãe do Martim

ervilhinha disse...

PARABÉNS!! Sigo o blog desde que comecei a sonhar com um filho... Ele chegou mas a Nat está looonge... :( Eu não perco a esperança, talvez um dia!

Muitas, muitas, muitas felicidades! <3