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11 de maio de 2010

uma aventura no gatil

Segunda-feira:
Os dois elementos humanos dirigem-se a Monsanto para adoptar duas gatas.
Ultrapassam com alguma dificuldade a terrível prova das jaulas, em que são assediados por vários animais de rua/abandonados.
O elemento humano do sexo feminino é derrotado ao fim de minutos, por 5 gatos adultos de olhar vazio e 1 cachorrinho que lhe lambe a mão num golpe baixo e certeiro através das grades. Desconcentra-se totalmente do objectivo da sua equipa e chora como se não tomasse antidepressivos.
Escolhidos os elementos da equipa felina e limpas as lágrimas, os quatro jogadores dirigem-se a Alvalade.

A equipa humana joga com os conhecimentos da casa:
- Anos de experiência com gatos
- Paciência em doses generosas
- Teimosia q.b.
- Amor e carinho infinitos

A equipa felina joga com os conhecimentos da rua:
- Toda a comida é bem-vinda e deve ser devorada enquanto existir
- Toda a caixa com areia não passa de um elemento decorativo inútil que pode e deve ser ignorado
- Todo o ser humano deve ser evitado

Terça-feira:
A equipa felina apanha-se a sós com o elemento humano do sexo feminino.

Resultado actual do jogo:
Gatos alimentados - 2
Gatos hidratados - 1
Gatos visíveis - 1
Gatos evaporados - 1

Chichis na caixa - 2
Chichis na sanita - 1
Cocós na caixa - 0
Cocós no tapete da casa de banho - 1
Cocós debaixo do sofá - 2
Vómito felino no chão - 2
Vómito felino no sofá - 1
Experiência de quase-vómito humano - 1

Incensos queimados - 2
Máquinas cheias de roupa cagada e vomitada - 2

9 de janeiro de 2010

eu e o meu psiquiatra

Naquele ambiente sério. O consultório tem uma decoração sóbria e aconchegante. O meu psiquiatra tem barba branca e eu gosto dele. A iluminação é suave, parece que estamos ao pé duma lareira. Não fosse o tema das nossas conversas (a minha mente-sopa-de-letras) e até me atrevia a sentar no colo dele. "Pai Natal, és tão fofinho... já te disse que odeio o Natal e alucino contigo enforcado em tudo o que é janela e varanda deste nosso Portugal?"

A Di veio comigo à última consulta. Ficou lá fora à espera e quando eu saí disse-me "Nat, ouve-se tudo. Quer dizer, não se entende o que se diz mas tu falas muito alto..."

Minutos antes, no consutório:
- Blá blá blá...
- Blá...
- Então e como vai a sua vida sentimental?
- Muitobemobrigada!!!
- ...
- Ihihihihihihihihihi!
- Não me quer contar?
- QUERO! Uhuhuhuhuhuhuhuh!
- Se não me quiser contar não há problema, só acho que é uma parte import...
- Mas eu quero!
- ... eu não sou curioso. Já imaginou um psiquiatra curioso, que quer saber ainda mais da vida das pessoas quando já sabe tanto?...
- Ahahahahahahahah!
- Então?...
- Blá blá blá blá blá blá blá blá ahahahahahahahah blá blá blá blá blá ihihihihihhi blá blá blá... ai ai... blá blá blá uhuhuhuhuh!

14 de outubro de 2009

o melhor do mundo são os velhinhos

Avó e neta, mais uma vez à mesa. Mais uma vez pedem anonimato. E a gente respeita.

- Vais fazer 28 anos não é?
- Sim...
- Eu com 28 anos já era casada e estava grávida.
- Olha que bem.
- E tu nem namorado tens.
- Que desprezo é esse no teu tom de voz?!
- Não é desprezo! É pena...
- Devias era preocupar-te com a minha felicidade, isso sim. Perguntar-me se sou feliz.
- E és feliz? Sem namorado?!
- Claro que sou!
- ...
- ...

29 de setembro de 2009

ai c'agradável

Ainda estou em estado de choque.
Eu e mi primi estávamos no carro a ter uma das nossas conversas sérias. Nós ou temos conversas muito sérias ou conversas muito parvas, já reparaste mi primi? Eu falava falava falava, o semáforo ficou vermelho, mi primi abrandou, parou, eu continuei a falar sobre o assunto sério e de repente só ouço uma explosão e sinto o meu corpo a ser abanado como se de um bonequinho de trapos se tratasse. Caixas de CDs a voarem e a partirem-se, as minhas palavras a darem lugar a um grito* e os meus dentes a baterem violentamente. Abri os olhos e ainda demorei um bocado até perceber que tínhamos um jipe enfiado pelo nosso carro adentro. Um jipe que vinha a, vá lá, vinte, no máximo trinta km por hora e me fez tomar uma decisão para o resto da vida:

Pessoa que andar comigo, seja no meu carro, seja no próprio carro, seja em que assento for e independentemente da duração da viagem ou da velocidade a que formos,

VAI DE CINTO DE SEGURANÇA POSTO.

Nós estávamos paradas. Quietinhas e inocentes.
O jipe ficou intacto.
O miprimi mobile ficou com o porta-bagagens todo metido para dentro.
As nossas caras não estão metidas para dentro também porque obviamente tínhamos o cinto posto.

Fiquei a pensar na quantidade de pessoas que conheço (incluindo eu própria, ainda que raramente) que não usam o cinto de segurança atrás.

Obrigada, senhor iluminado. Obrigada obrigada obrigada, que só quase arranquei a minha própria língua à dentada e fracturei uma clavícula e fiquei sem uma mama e esmaguei o esterno. Mas estou biba! Cá beijinho, senhor inventor do cinto que salvou esta minha carinha laroca.

* o grito foi uma espécie de balido. Em duas palavras: ri dículo.

Depois da declaração amigável estar feita e os tremeliques terem acabado, passámos o resto da viagem numa conversa parva sobre o senhor que conduzia o jipe: a sua atitude correcta e amigável, a sua amigável aparência física, estado civil, profissão, local de trabalho, número de telefone, trocadilhos obscenos sobre a posição relativa das viaturas... enfim. As conversas que as pessoas acidentadas têm habitualmente.



(Amanhã dou notícias da minha caixa torácica.)

7 de setembro de 2009

estimada senhora minha mãe:

Venho por este meio informá-la de que o plano que tinha como objectivo destruir o sistema digestivo da sua própria filha foi concluído com sucesso.

Sim, a sua filha regou diariamente o pimenteiro bebé;
Sim, a sua filha viu o pimenteiro crescer, após litros e litros de água cuidadosamente colhida enquanto o seu banho aquecia;
Sim, o pimenteiro deu flores e a sua filha comoveu-se;
Sim, as abelhas acasalaram com o pimenteiro e ele deixou de ser virgem;
Sim, o pimenteiro deu lindos pimentinhos, que a sua filha viu crescer e continuou a regar dia após dia, litro após litro;
Sim, a sua filha decidiu, há momentos, comer os pimentinhos salteados em azeite e temperados com alho e sal;
Sim, a sua filha deu uma dentadinha em cada um dos pimentinhos, incrédula e lavada em lágrimas, à medida que os seus lábios e boca e língua e esófago pegavam fogo;
Sim, a sua filha tossiu desesperada e disse caralhinho várias vezes, sem ser no diminutivo e agora escreveu um palavrão no seu rico bloguezinho;
Sim, a sua filha não suporta neste momento a textura da própria saliva;
Sim, a sua filha empanturrou-se de pão para apagar o fogo;
Sim, a sua filha está saciada e por isso não vai aí jantar consigo.

Estamos entendidas, dona agricultora biológica? Acho bem.

10 de agosto de 2009

parece mentira mas é verdadeiro

Avó e neta à mesa. Avó vê muito mal e não pesca nada de inglês, então a neta lê-lhe as legendas do programa da Oprah.
Para preservar a verdadeira identidade das envolvidas, chamemos-lhes Nat e Binhas.

Nat (solteira há quase um ano mas isso agora não interessa nada): Blá blá blá blá oprah oprah oprah, blá blá blá blá espiritualidade oprah blá blá...
Binhas: ...
Nat (puxa pela voz e pelos pulmões e consegue ler as legendas a alta velocidade com uma dicção quase perfeita por amor à sua avó que é surda dum ouvido): Blá blá blá a essência da vida oprah oprah oprah blá blá blá dádiva de Deus blá blá blá blá lições de coragem blá blá blá blá o bem-estar e o amor próprio blá blá...
Binhas: Nat, quantos anos tens?
Nat: ... blá blá opr... Outra vez? Já ontem me perguntaste.
Binhas: Mas não me lembro. Diz-me...
Nat: Pensa. Faz as contas.
Binhas: Vinte e sete?
Nat: Sim. Não estavas a ouvir-me a ler?
Binhas: Estava... Tu não arranjas um namorado? Para casares.
Nat (de volta à Oprah, agora em silêncio para conter o riso porque a sua avó acaba de lhe lembrar o Bruno Aleixo): ...
Binhas (murmura): Eu com vinte e sete anos já era casada. Com vinte e oito tive a tua mãe.
Nat: ...
Binhas: Será que vais ficar solteira para sempre?
Nat: ...
Binhas: ...
Nat: ...
Binhas: Logo jantas cá?
Nat: Não.
Binhas: Oh porquê?!! Oh...
Nat: Binhas, como é que queres que arranje um namorado se passar a vida aqui fechada contigo? Achas que vou dar de caras com um aqui, vindo do nada?!
Binhas: Anda jantar connosco... por que não vens?
Nat: Vou à caça de um namorado!
Binhas: Oh anda...vai caçar à tarde.

4 de abril de 2009

pequena história trágica

Era uma vez uma menina que se alimentava de doces. Um dia essa menina foi a um médico alternativo que lhe picou o dedo, pôs uma gotinha do seu sangue no microscópio e explicou-lhe que se não se pusesse a pau, um dia ficava muito doente do fígado. A menina tentou ter cuidado, mas os doces vinham todos os dias directos a ela, e eram enormes e apetitosos e muito muito simpáticos, e diziam-lhe "Olha ali o elefante!" e quando ela se apercebia já eles estavam a nadar-lhe nas veias.

Um dia a menina voltou ao médico já com o fígado doente. Ele ralhou um bocadinho com ela, disse-lhe que tentasse comer frutos secos em vez de gelados e chocolates e que se desintoxicasse, para bem do seu fígado.

A menina veio para casa e, obediente como só ela, afogou-se em açúcar. Depois lá se sentiu capaz de desintoxicar.
Ao fim de um dia de fruta, legumes, cereais integrais e água, a menina sentia-se bem.
Ao fim de dois dias sem café, a menina sentia uma bela dor de cabeça. E tinha sonhos eróticos com o coelho da páscoa.
Ao fim de três dias, a menina acordou morta.

4 de fevereiro de 2009

pensamentos na cozinha

É possível alguém ser parvo ao ponto de acabar de fazer uma sopa e, com a gula, enfiar uma colherada de couves a escaldar na boca, pensar cuspo-engulo-cuspo-engulo-cuspo-engulo, engolir, e sentir uma lava percorrer-lhe todo o sistema digestivo desde as gengivas até às cuecas?

Claro que sim.

10 de dezembro de 2008

eu tive um sonho premonitório

Eis que, meses depois, do fundo da minha barriguita (o ita é eufemismo) mole, surge aquilo a que se chama abdominais definidos. Eis que o meu umbigo já não está tão aconchegado entre dois pneus. Bendito ginásio. Fico satisfeita e danço como a Shakira.

Mas o que me preocupa é pensar que os meus sonhos possam ser realmente premonitórios... ai jasus que fui eu fazer.

11 de outubro de 2008

só mais um post sobre autocarros

Eu calada. O motorista e uma senhora na conversa, sobre um outro motorista que já não trabalhava ali. Eu calada a ouvir, claro.

- O senhor D era um grande profissional. Era muito calmo.
- Pois era, era uma pessoa muito calma.
- Estava sempre calmo e transmitia essa calma aos passageiros.
- Sim, ele era muito calmo e isso a mim, que sou muito acelerado, faz-me confusão. Aquela calma.
- Mas ele estava sempre calmo, mesmo que por dentro estivesse ansioso, parecia muito calmo.
- Sim, ele... não era stressado.
- Era calmo.
- Sim, era muito calmo.
- BASTA! Puorrrrrrrrrrrrra!!! (isto era eu em pensamento, que já tinha perdido a minha calma há que séculos)

26 de setembro de 2008

os meus superpoderes

Após uma ida ao supermercado, constato que constipada como estou, ainda tenho mais superpoderes incríveis e magnéticos.

Não há caixa de supermercado que não pare de funcionar quando eu decido entrar na fila. Ou é o código que não lê, ou é uma fruta que não foi pesada, ou é o telefone que toca, ou acabaram-se as moedas de um euro. E não adianta trocar de fila. Eu paro-as a tuodas!

Chego ao carro com seis toneladas de sacos nas mãos e um pacote de papel higiénico debaixo do braço. Com a chave pendurada no dedo mindinho e sem tocar no comando, olho fixamente para o carro e espero ouvir o tchc-tchc.

Chegada ao prédio nos mesmos preparos, uso o comando do carro para tentar abrir a porta de casa.

O meu superpingo do nariz aproveita que eu tenho todas as mãos ocupadas e lança-se até ao queixo.

8 de setembro de 2008

o que eu me rio sozinha

- 'Tá?
- Sim, Natacha Santos?
- Sim, quem fala?
- Daqui é o Mr. Músculo, o seu treinador do ginásio Nã Sê Quê. Ligo-lhe para combinarmos o dia em que virá cá pela primeira vez blá blá blá...
- Minha nossa senhuora não!!! Naaaaaaaaaaaaaaaaaão!!!!!!!!! - Sim, sim. Estou disponível no dia xyz.
- Nesse dia vou fazer-lhe um curto questionário sobre o seu passado desportivo, blá blá blá...
- Bem eu já fiz ballet e natação, nado muito bem, até sei nadar mariposa, adoro dança contemporânea mas o que gosto mais é de estar parada a comer gelado... - Hum. Sim.
- ... depois faremos uma avaliação da sua condição física, blá blá blá...
- Ó pá! Com uma chave inglesa a medir-me os pneus? Eu não tenho amor à vida. Agora o homem vai medir-me as banhas. Dignidade, onde estás, dignidade minha? - Hum, sim sim.
- Por fim planearemos o seu programa de actividade física e traga roupa adequada porque vamos pô-lo em prática!
- Deus meu vou cuspir um pulmão! Dois! Um pela boca e outro pelo nariz! Ai Mr. Músculo preciso mesmo da sua ajuda que recentemente descobriram no meu blog que eu sou gorda, não sei como, juro que não sei como mas descobriram e eu estou de rastos... ai Mr. Músculo... será que és bonito?... - Ah. Hum hum. Com certeza, combinado!
- Até lá então! Boa tarde.
- Obrigada! Até lá! Boa tarde... Preciso de um Magnum Double JÁ.

1 de setembro de 2008

sms

Ter telemóvel já não é giro como antigamente. Quando o meu pai me ligou pela primeira vez para o cartão Yorn (a Yorn é muito à frente e super jovem) e foi parar ao voicemail, começou a sua mensagem de voz dizendo "Nat, esta rapariga que me atendeu é uma desbocada. Tratou-me por tu!". Foi há tantos anos e ainda hoje me rio.
Eu sou do tempo em que apareceram as mensagens escritas. Eram de borla. Dei aos dedos até não poder mais. Namorei por sms e disse por escrito o impensável de se dizer cara a cara... Agora tenho preguiça de as escrever. Mas lidas à distância de alguns dias, até as mais simples são difíceis de apagar. Enviadas ou recebidas. Aqui estão algumas. Adoro.

"Vou de viagem. Vejo nuvens no céu que só me lembram de ti. Mil beijos."

"Nat, acordei agora! Raisparta o despertador, é do Lidl. Lol!"

"Bamos a Biana carago! Queres bir connosco dar uma bolta?"

"Já estás comida? Eu farei cocó e sigo para aí."

"Comprei mealheiros para mim, para ti e para o João. Seremos ricos."

"Posso ir contigo ver vestidos noutro dia? Desculpa. Mil beijos e peidinhos."

24 de agosto de 2008

eurocêntimos

Isto está bonito sem máquina fotográfica... só me ocorrem coisas perfeitamente idiotas, que são as que mais me fazem rir. Agora lembrei-me dum dia em que estava lá no sul com a Di. Estávamos a adormecer já com a luz apagada e eu já estava mais para lá do que para cá, que é quando tenho visões incríveis e as consigo descrever, apesar da baba.

"Di! Eu vou ganhar 6000 euros Di! Eu sinto! Seis mil euros. Tenho de jogar no Euromilhões. Vou jogar no Euromilhões..."

Na sexta-feira seguinte fui jogar no Euromilhões com dois queridos colegas da Di. Passei o resto da tarde a papaguear aos ouvidos de um deles (olá Vitor! ^.^) acerca da minha sorte grande, a imaginar como seria a histeria de ficar milionária em directo, a visualizar os números, a simular o sorteio, a quase-rezar pelos seis mil euros MEU DEUS EU ESTAVA PRESTES A FICAR MILIONÁRIA!
E pelo meio:

"Mas... Vitor... Seis mil euros não chegam sequer a um milhão! Não vou ficar milionária coisa nenhuma!"

Ao que ele me respondeu, sábio:

"Pensa em cêntimos, Nat. Milhões de cêntimos!"



Escusado será dizer que nessa noite voltei a cortar relações com o Euromilhões.

a culpa é da Naide Gomes

Hoje sonhei que tinha uns abdominais iguais aos dela. Contraía-os, em frente ao espelho e tocava-lhes, incrédula, com a ponta do dedo. Era tudo músculo. Até o meu umbigo estava diferente. Ficava tão orgulhosa que me punha a dançar como a Shakira.
Acordei e a primeira coisa que fiz foi confirmar se a minha barriga mole tinha mesmo desaparecido.

Em vez de dançar, cantei Es una tortura... perderte!

18 de julho de 2008

sim, sou neurótica

Sábado. Tenho uma carta pronta para pôr no correio. Mas é Sábado. Digo de rajada e no meu melhor tom desesperado, à Cilu:

- Ai ai achas que se puser esta carta no correio hoje ela vai ser esmagada por todas as cartas de Segunda-feira e por ficar no fundo mesmo no fundo pode mais facilmente perder-se e jamais chegar ao destino???

Ela:

- 'Tás parva? Nem percebo o que queres dizer.

E fomos juntas ao correio.

30 de junho de 2008

actualização II

As últimas pinturas que fiz, na casa da Sofia. Acompanhada de uma cachorrinha de 45 kg e de uma gata adulta em estado de alerta e que me chamava nomes com os olhos, pintei devagarinho, tentando combater este cansaço que está quase a atingir o limite. Pintar devagarinho é muito muito bom. Vejo os meus bonecos-filhos tomarem forma na textura das paredes. E dou-lhes beijinhos com o pincel. Pintei os meus bichinhos que brincam nas nuvens antes de adormecerem e uma fada-bailarina, por cima da secretária duma fada-bailarina a sério, a J.




No fim tive direito a jantar de amigos (como nunca o disse aqui, digo agora que tenho os melhores clientes do MONDÓ!), fizemos uma meia-surpresa à Lena, comemos e rimos e a Sofia fez um bolo inspirado nos bordados de Viana e deu-MÓ!!! Obrigada por tudo querida, e parabéns por estares a ficar tão famosa!

No regresso a Viana, na manhã seguinte ao concerto maravilhoso de mais de duas horas do meu amado Jack Johnson, o meu estômago virou-se do avesso. Tive uma luta dramática e alucinante com o vómito, que terminou comigo ajoelhada e cara a cara com a sanita da estação. Seguiram-se enjoos, febre e dores horríveis no corpo todo. Cama, cama e cama. Desidratação total porque eu transpiro a ponto de deixar o meu novo penteado fashion num estado tal que agora lamento não o ter fotografado. Agora já sei como envenenar alguém: iogurte estragado pelo calor.

A vida continua na pacata Viana City. Apesar de eu ainda ter algumas dores e tonturas, ando a estudar as propostas milionárias que o meu sistema digestivo tem recebido, devido à sua magnífica produção de gás NATural.

9 de maio de 2008

alguém me salve de mim mesma

Preciso de férias, está visto. Desejo desesperadamente uma praia, um hotel, comida e nada que fazer.
Hoje sonhei que estava num planeta deserto com a Nhocas e os Jackson Five. Havia um laguinho mínimo ao qual eu queria tirar uma fotografia. Estava aflita com qualquer coisa e havia insectos extra-terrestres (incluindo uma joaninha) grandes e reluzentes que pareciam robôs. Alguns voavam e outros rolavam no chão. Tudo areia seca. Só o laguinho. E nós as duas a tomar conta do Michael e do Randy, vestidos como neste vídeo:



Juro que procurei o vídeo sem legendas mas parece que até o youtube se quer rir de mim.

12 de abril de 2008

não volto a abrir a porta a estranhos

Em casa sou um animal selvagem. Selvagem. Entre as muitas coisas que faço, canto ópera. Grito esta música. Canto canto e se não cantar, falo. Vivo com um homem calmo, silencioso. Vivemos nisto há anos. Eu lavo a louça aos berros e de vez em quando lembro-me que a dona O se deve rir muito de mim, na cozinha dela que é coladinha à nossa. O Bruno já nem reage, nem estremece. Estou nisto, drrraaaaa a a a a a a a a a a a a a aaaaaaaaaaaa a a a a a a a AAAAAAAAAA A A A A A A A A e toca a campainha.
O Bruno foge e com ele a cantora que há dentro de mim, cheia de jóias e bem penteada e maquilhada. E lá vou abrir a porta, com ar doméstico, de pano da louça na mão.

- Renhonhó renhonhó, tem dois minutos?
- Valha-me a Nossa Senhora, são nove horas da noite!!! - Sim.

E ouço, ouço, enquanto digo palavrões para dentro ao som do Mozart.

- Renhonhó cinco euros por ano.
- Mas isto não era um questionário? - não estou interessada...
- Não?!
- Filha, não me puxes pela língua minha filha, que eu sei que tu sabes que eu sei que ouviste a minha ópera, por isso põe-te a andar daqui se não queres ser corrida a decibéis. - Não... hum.
- Renhonhó renhonhó.

Odeio-os. Odeio-os. Por que me perseguem?! Não volto a abrir-lhes a porta.

4 de abril de 2008

toma que é bem feita por gozares com o rego alheio

(Terceiro episódio da saga "Soutien e o seu Maquiavélico Aro".)

- 'Tá? Boa tarde Sr. S. Eu sou blá blá blá... moro aqui blá blá blá... estou a ligar-lhe porque me entrou um aro do soutien na máquina de lavar a roupa e queria saber quanto custará tirá-lo de lá de dentro.

- Mas a máquina faz barulho?

- Bem, primeiro fez, depois parou de fazer. Mas tem um aro do soutien lá dentro! De metal!

- Ahahaha então não se preocupe minha senhora!

- Mas mas mas é um aro de metal e ainda é grande!

- Ahahaha eu sei, um aro de aço!

- Pois... o senhor já deve estar farto de saber... e não faz mal?

- Naaaaaaão!!! Deixe-o estar! Ahahahaha!

- Mas mas mas...

- Ele para o motor não vai. O pior que pode acontecer é furar o cano da água ou sair com a água.

- (Oh meu Deus por favor e se for para os rios e mares e oceanos e acabar por furar o olho a um golfinho? Oh meu Deus oh meu Deus!!!) - Aaaa... está bem então... Olhe eu vou pô-la a lavar. Se entretanto voltar a telefonar-lhe já sabe.

- Ahahahaha!