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8 de dezembro de 2009

se acaso eu morrer

Se acaso eu morrer e ficar desfigurada.
Se não sobrar o maxilar com os parafusos, nem o polegar com a cicatriz, nem coisa nenhuma que me identifique facilmente.
Não percam tempo com amostras de ADN.
É abrir o cadáver e ver o conteúdo do estômago e intestinos.
Se tiver no mínimo 55% de cacau.
Sou eu.

E descansem.
Morri feliz.

11 de maio de 2009

momento publicitário sem fins lucrativos*

*eis que a desintoxicação chega ao cérebro

E agora eu pegava numa tablete de Milka Biscuit, num Haggen Dazs Vanilla Caramel Brownie de meio litro e num pacote de Chips Ahoy! e metia-me na cama com eles a ver a série completa dos pequenos póneis (embora eles não chegassem sequer a ver o fim do primeiro episódio).

30 de abril de 2009

minha nossa senhuora

A lei da atracção é isto: uma gaja tenta desintoxicar o seu fígado, para bem da sua saúde e por causa dum tal ácido úrico e umas senhoras transaminases. Essa gaja enche-se de coragem e alimenta-se de água, tomate, aveia integral, laranjas, morangos, cenouras, sopas. Para continuar no bom caminho, usa o poder da visualização e imagina o seu fígado livre de gordura, a filtrar e expulsar toda a porcaria que antes não conseguia. A gaja tem crises terríveis de gula e devora cereais integrais sem açúcar imaginando que são pipocas do Arrábida Shopping. Depois acalma-se e verifica que a visualização não é assim tão poderosa. Senta-se e trabalha ao som do Youtube. E, quando menos espera, surge na vida desta pobre criatura uma mulher chamada Nigella Lawson.

Lei da atracção? Sim. O meu fígado atraiu para este computador onde escrevo a visão da mulher que originou o termo Gastroporn e cuja existência - meu deus!!! - eu desconhecia. Que usa natas, manteiga, chocolate e açúcar em doses impróprias para o comum dos mortais. E que deixou o meu escritório inundado de baba.

Gulosos que me lêem, atençom. Antes de verem os vídeos desta senhora vão buscar a chibata.

15 de fevereiro de 2009

algures no meu sangue

Diz um glóbulo vermelho:
- Olá, és um glóbulo branco não és?
- Não, meu caro. Sou um grão de açúcar.

11 de fevereiro de 2009

amor incondicional

Devíamos amar-nos uns aos outros como eu amo o chocolate:

Preto
branco
sucedâneo
de leite
na páscoa é ovinho
no natal é enfeite

No leite
no pão
assim ou assado
na fruta fondue
na roupa pingado

Quente
morno
frio
gelado
derretido ao sol
no tacho queimado

Em qualquer receita
seja boa ou má
muito doce
amargo
com café
com chá

Bombom maciço
bombom com recheio
não havendo bombom
haverá brigadeiro

Chocolate eu amo-te
comi bolo encruado
dá-me a volta a barriga
e pago assim o pecado

31 de janeiro de 2008

hips don't lie

... e as minhas dizem "Olha ela ontem comeu pintarolas, cereais de chocolate e brigadeiros e se pudesse também tinha comido gelado!!!".

15 de janeiro de 2008

ora bolas

Hoje a minha balança chamou-me gorda. O Bruno comprou-lhe pilhas e ela tratou logo de quebrar o seu silêncio em mim. Respondo-lhe com bom humor, que ela tem é inveja de não poder ir à dispensa buscar doces e que vive numa casa-de-banho a cheirar-nos as necessidades. Mas ela não mente. E disse que hei-de ser uma grávida redonda. Ainda faz previsões, a estúpida.
Quando eu tinha 15 anos fiz a primeira dieta. Desde aí perdi-lhes a conta. Quem já fez dietas e as levou a sério sabe que muitas vezes o mais provável é perder o juízo juntamente com o peso, em proporções injustas. Já passei três meses sem chocolate, sei do que falo.
Ontem comecei a tomar spirulina. Estou tentada a também experimentar umas outras cápsulas naturais que conheci quando fui fazer a hidrocolon. Umas tais que inibem o apetite de açúcar e que devem ter "Natacha toma-me" gravado em cada uma.
Vou ali tentar fazer as pazes com a balança.

23 de novembro de 2007

os meus postais de Natal

Há dois anos fiz uns postais de Natal com milhares de recortes de revistas e cujo resultado adorei. Tenho um cá em casa, algures... No ano passado lembrei-me de fazer uma fotomontagem em que um desenho devorava um Pai Natal de chocolate, mas não passei da sessão fotográfica com o chocolatinho. Guardei as fotografias, sabendo que havia de concretizar a minha ideia.

Eu tenho uma fixação por bonecos de chocolate, desde o coelhinho da Páscoa ao Pai Natal. Devoro-os de uma vez só, sem dó nem piedade, nem o mínimo peso na consciência. Como este menino, inspirado no meu Anjinho.





Espero que gostem. Vou pô-los à venda aqui o mais brevemente possível, prometo.

21 de outubro de 2007

bom domingo

Hoje a minha mãe fez mousse de chocolate e o meu estado de espírito é este:

Esta fotografia é a prova de que eu sou alucinada desde sempre.
A partir dos dois anos comecei a dizer "Quero comer! Quero desenhar!". Pouca coisa mudou desde aí.
Bom Domingo para todos :)*

26 de setembro de 2007

ou mai gode

Hoje nasceu-me um pneu na barriga que me olhou nos olhos e disse "Mamã!". E eu pensei seriamente se devia comer um Magnum Double... ou dois.

4 de setembro de 2007

chocolate

Ser dependente de chocolate é ficar desesperada por não haver em casa nem sequer do de culinária e comer nesquick seco à colher. Sair à rua de porta moedas na mão decidida a comer dois magnuns ou seis serenatas de amor, ver que o café está fechado, pensar pataqueparéu e seguir rumo à padaria. Não comprar nada, voltar frustrada para casa, encontrar um chupa-chupa britânico que a querida bizinha trouxe, metê-lo à boca e verificar que é de menta, dizer pataqueparéu, mesmo assim comê-lo todinho até ao fim, sabendo que o sangue distingue muito bem o chocolate do resto.

Uma meia hora antes da eutanásia, dei chocapic à Bonnie :)

7 de abril de 2007

chiu...


Ninguém precisa de saber :)

2 de abril de 2007

serenata de amor

Eles falam comigo. Hoje estava eu lá na casa da Babá, a pintar. Começo a ouvir vozes em falsete:
"Os bombonzinhos à volta da Natacha
Lala lala lalala lala lala...
Come-me a mim!
Eu primeiro!
Só mais um! Só mais um!
Eu! Eu!
Estás sob o nosso podeeer...
Come-noooooooooooooooos..."

Pergunto-me como irei dançar de bibe no Teatro Municipal Sá de Miranda, em Junho próximo...

16 de janeiro de 2007

O dom


Tenho um dom magnífico. Ouço vozes. Vozes de seres que falam e que ninguém ouve. Ouço as suas vozes vindas de dentro de caixas, latas, papéis, plásticos e, em Dezembro, até vindas da árvore de Natal.
Os doces falam comigo. Dizem o meu nome e eu não posso ignorar o seu chamamento. E quanto mais colesterol têm, melhor os ouço.