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27 de novembro de 2009

pedido de ajuda

Ainda há pessoas boas. Esta cadelinha, a Maya, arranjou um dono na Alemanha. Já tem boleia do Porto até Lisboa e também quem a leve de avião até à sua nova casa. Só não tem quem lhe dê abrigo e muito mimo nos dias 30, 1 e 2.

Alguém pode ajudar?

9 de setembro de 2009

e você, já abandonou um animal este ano?

Este era o Dunga. Tirei esta fotografia um dia depois de o encontrar moribundo no meio de lixo.
O Dunga sabia sentar, dar a pata, conter as necessidades para fazer na rua e não podia ver um carro de porta aberta, tentava imediatamente entrar.
Tinha um tumor num testículo, provavelmente provocado por um traumatismo (entenda-se pontapé bem dado).

Em vez de morrer no dia em que comecei a cuidar dele, morreu cerca de um ano (e muito mimo) depois. Gordinho e medicado.
Nunca perdoei os donos dele. Às vezes pergunto-me como serão essas pessoas. E se sabem usar a internet.

Para quem não viu este debate há uns meses, é espreitar a partir do minuto 17:00.

5 de setembro de 2009

se eu fosse um bicho

... era uma gaivota. Costumo dizer isto porque as gaivotas vivem felizes só de ver o mar, comem montes de porcaria e voam muito alto quase sem esforço. Não são propriamente elegantes e dão gritos histéricos. Adoro-as.
Hoje fui caminhar com os cães de manhã cedo, à Praia Norte. Caminhámos uma hora e acabámos refastelados numa esplanada.
As gaivotas comovem-me. Ou estão a ver o mar dum ponto privilegiado, ou tomam banho nas pocinhas da maré baixa, ou vêem (como hoje) o nascer do sol, todas juntinhas, com os pés na areia molhada da foz.

Hoje, pela primeira vez em meses, tive a certeza de que o bem-estar não depende tanto de factores externos como eu acreditava. E a consciência disso libertou-me.
Senti-me muito, muito bem. E apanhei três cocós de cão.

21 de setembro de 2008

quem quer uma gatinha?

A Hamleikah tem três para dar. Eu, se pudesse e como já lhe disse, ficava logo com duas.
Adoro gatos. Conheço muitas pessoas que os detestam. Normalmente têm algum trauma de infância, alergias, medo. Nunca dormiram com um, nunca ouviram um ronrom ao pé do ouvido, ou receberam marradinhas, nunca nenhum se lhes mostrou totalmente feliz e confiante deitando-se no chão de barriga para o ar e olhinhos fechados. Adoro gatos mas sou suspeita.

17 de setembro de 2008

os animais não pensam

Disse a minha professora de Filosofia do 10º ano. Nunca me vou esquecer. Os animais não pensam.
Há tempos a Raquelita mostrou-me este vídeo, enquanto repetia "Podes ver, podes ver, ele não morre!" e eu "Ai chega à frente, chega à frente!", a tapar a cara com um pano da louça.
Eu vou sempre dar uma voltinha aos outros canais quando estou a ver documentários sobre animais selvagens e chega o momento da caça. Mas este vale a pena. É que os animais não pensam. É o instinto, diria talvez a minha professora de Filosofia.

10 de março de 2008

memórias palpáveis

O ser humano é aquele animalzinho que tem pêlo onde não é preciso e se apega aos objectos. Pega neles e acumula-os no seu ninho. Não para se alimentar nem se aquecer. Guarda-os, simplesmente. Dizem que os objectos fazem bem ao coração deste pequeno mamífero.



Eu sou muito humana, pobre de mim. Apego-me à vida dos objectos, à memória que eles transportam. Acumulo lixo, na prática é só isso.
Estes sacos trazem pedacinhos de vida. Vida dum cão que viveu 13 anos, que se tornou parte da família e que usava a sua inteligência para alcançar e comer às escondidas todos os alimentos proibidos.
O tecido velho e roçado, tão anos 80 e já com metade da cor original, foi onde a Boxi passou muitas horas deitada, nas férias em Afife, com os seus tumores gigantescos pendurados por todo o corpo. A Boxi morreu e foi para o céu comer todo o chocolate que não pôde comer em vida. O tecido ficou e não é justo dar-lhe outro uso. Tirar-lhe a memória da Boxi, tão cheia de sentido de humor e meiguice, mesmo quando já estava a ser consumida por um cancro.
Pedi o tecido à minha Teia para fazer um saco para mim. Mas estes dois são para ela e para a mi primi. Nem me interessa se é macabro ou fashion. Aquece-me o coração.

Quando desfiz a bainha ao tecido encontrei pêlos intactos que sobreviveram às lavagens. Pedacinhos da Boxi. Até o cheiro dela voltou quando o passei a ferro.

Ilustração: eu na máquina de costura, o tecido, os sacos e a minha lamechice toda. E por cima de mim a Boxi-cachorrinho, com asas de anjinho e a rir-se deste meu ateísmo-espírita-pateta, a coser pedacinhos de quotidiano, quando o que realmente importa é comer porcarias.

Feliz aniversário mi primi. Parabéns Teia quereida. Os sacos chegam aí amanhã. Muitos beijos repenicadinhos.

23 de janeiro de 2008

sem grades


No fim-de-semana passado fomos a Carreço passear. Apercebemo-nos de que não estávamos sozinhos a ver o pôr-do-sol. Esta ave (alguém sabe identificá-la?) pousou num muro e ficou a observar-nos a mim e ao Bruno, frenéticos a tentar fotografá-la. Devia estar a rir-se de nós. Como é de esperar, tentei aproximar-me do passarito (bem grande e que levantava uma poupa quando eu falava com ele), primeiro para conseguir uma melhor fotografia, depois - e porque ele simplesmente não parava de olhar para mim, nem mostrava medo - para tentar ficar amiga dele.
Sou fascinada por aves. Não consigo compreender o que leva alguém a ter uma ave presa. Não consigo. Esta deve ter-se divertido muito a gozar com a minha cara, aceitando as ervinhas que lhe dei, para depois me morder o dedo quando lhe tentei tocar. Só depois de muito brincarmos é que se foi embora. Adoro.

8 de janeiro de 2008

javali pequenini

Que gosto de todos os animais já todos sabemos. Gosto de aranhas, salvo moscas de afogamento, pego nas cobras que o gato caça, defendo os touros, choro só de ver elefantes, odeio gaiolas e aquários, daria mais e mais beijos a todos os patos e coelhos do mundo, não vou ao zoo, não vou ao circo, etc.. Mas ainda tenho aquele sentimento do "queria um pónei" (no sentido de gostar tanto tanto que até guardo o bichinho lindo numa montra, de tanto que gosto dele que o quero só para mim, no sentido de gostar tanto tanto do canto do canarito que até o condeno a uma perpétua, de gostar tanto tanto do leãozinho que até o enfio numa jaula de cimento). "Queria" um macaco, "queria" um golfinho e também "queria" um porco (um porco hei-de ter). Hoje desenhei este javali bebé como proposta para a próxima pintura e apaixonei-me por ele.

Queria um javali.