24 de janeiro de 2014

27/8/2013

Quem a vê andar a passo rápido pelos corredores da Waterloo Station, a ler o jornal em pé sem pedinchar um lugar sentado, não sabe nem sonha o que é ter um menino às marradas no colo do útero, 13 kg extra em cima de dois pés de elefante, perder o fôlego porque a barriga se faz pedra até às costelas e que o que ela quer mesmo é chegar depressa a casa, arrancar as roupas, ser toda mamas e barriga, andar como um pinguim e ignorar todo e qualquer objecto que lhe caia ao chão. Um charme de moça.

13/8/2013

O meu filho ainda não nasceu mas já tem mais roupa e mais estilo que eu. Não sei se ria, se chore.

1/8/2013

Being two.
Being two is being three.


20/7/2013

Profundamente apaixonada por este corpo mamífero-grávido e pela pessoinha que nele mora, que faz habilidades quando eu lhe peço e que parece dar pelo nome. Embriagada pelas hormonas e por essa coisa superior que levou o Homem a inventar a religião. Tudo na natureza me fascina.

17/6/2013

Nunca eu seria trapezista se não tivesse uma rede de segurança tão forte.


21/5/2013

Dizem-me que destino dar ao meu talento, pintar e expor, dar aulas, organizar workshops, ser rica no reino unido, quando o que eu sonho é ilustrar livrinhos, servir soya cappuccinos e ser feliz a vida inteira. Doce liberdade.

23/4/2013

Às 20 semanas - Metade.

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
(...)
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."

18/4/2013

Não preciso de me informar mais para concluir que o soutien foi inventado por uma mulher grávida. E biba a copa F, sim, F de f#da-se!

6/3/2013

Ir ao mercado ao fim do dia para bem do meu ego (ou como um sorriso arranca mega-descontos): os vendedores (já a empacotarem para irem embora) vendem-me fruta e legumes a metade do preço, oferecem-me coisas sem eu pedir, cedem quando eu regateio e ainda me chamam darling. Coisas fofas.

1/3/2013

A flexibilidade da minha paciência e a minha tolerância à frustração surpreendem-me. Uma lagriminha aqui, um chocolatinho preto ali, e cá estou eu, inteira. E orgulhosa.

26/1/2013

Os gatos dos vizinhos de cima entram-nos em casa pela janela e julgam que a casa é deles. Aliás, julgam que o bairro é deles, e até Londres inteira seria deles, se fossem passear mais longe em vez de se enfiarem na nossa cama. Eu sou a pessoa de estimação, embora só um deles (o macho) me estime e ronrone e me deixe dar-lhe beijinhos na cabeça.

9/1/2013

Ninguém viveu a sério até ter o seu bigode minhoto arrancado com fios por uma senhora impiedosa num cabeleireiro ranhoso, chorar sem parar durante dois minutos e depois de se ver ao espelho decidir que aquilo é a melhor coisa do mondó!

tenho de voltar a este blog

Vou escrevendo pensamentos e desabafos no facebook porque é o que está mais à mão, mas este blog não devia deixar de ser a minha caixinha (pública) de recados para mim mesma. Pelo que vou transferi-los para aqui. O facebook às vezes cansa-me.
Tanta coisa aqui guardada ao longo de sete anos. Algumas coisas já esqueci. Volto lá atrás, encontro fotos que não me lembro de tirar e textos que não me lembro de escrever. Tenho de tirar mais fotos. Tenho de voltar aqui.

26 de dezembro de 2013

eu que nem gosto do natal

Lembro-me de estarmos naquela esplanada em frente à tua casa em São Brás de Alportel, Di. A dona do café chamava-se Rute e fazia umas sobremesas com natas e leite condensado e bolachas oreo e sei lá mais o quê. Já não me lembro do que é sentir um calor assim, como o do Algarve. Eu estava com a mente em farrapos mas sentia optimismo e esperança, como sinto sempre que estou ao teu lado. Lembro-me de lermos revistas de fofocas e lembro-me de sentir que um bom café era um dado adquirido, assim como era ter-te comigo, ir de carro para a praia, abraçar-te. Se nessa altura me dissessem que um dia eu pagaria duas libras e meia por um café intragável e que ficaria mais de um ano e meio sem estar contigo, eu rir-me-ia com desdém.

Eu que nem gosto do Natal, queria só mesmo era aproveitar que a família ia estar toda reunida para lhes mostrar o Diogo. Sobretudo mostrá-lo à minha avó, para ela viver o ser bisavó, que mesmo que ela não saiba, isso ninguém lhe tira. Queria vê-los frente a frente, dois bebés que esquecem o que se passou numa questão de minutos.

Se o mau funcionamento do consulado não nos parou, nem o serviços que contactei e a quem apelei (implorei?) para que me dessem o cartão do cidadão do Diogo (já pronto há mais de um mês) para podermos viajar com ele, parou-nos a tempestade que cortou a electricidade em toda a zona de Gatwick. Quando ouvi que os voos da tarde tinham sido todos cancelados só me deu para rir.
Ainda bem que não ligamos nenhuma ao Natal, porque assim ver o meu filho no colo do pai a ver o Nemo na televisão e a mamar nas mãos foi suficiente para me consolar, assim como as batatas fritas e crepes chineses que jantámos.

Hoje a minha mente está cismada em quem vive em Lisboa e não vai ao largo das Portas do Sol num dia de céu azul, quem tem um café a servir Delta ao lado de casa, quem tem como opção passar o Natal com a família, quem pode abraçar os melhores amigos frequentemente. E pensa que tudo isso são dados adquiridos.

14 de dezembro de 2013

sobre os amigos

O meu livro está no Facebook. Para espreitar e, quem sabe, gostar também. :)

6 de dezembro de 2013

ele

Há um ano exactamente começava (ainda sem sabermos) o dia 1 da nossa gravidez. Hoje temos cá em casa um menino que parece ter nascido com um relógio. Que de um momento para o outro começou a querer comer de 4 em 4 horas e que de vez em quando dorme a noite inteira, deixando-me a mim e às minhas amigas leiteiras muito confusas. Aprendeu a diferença entre noite e dia ainda muito pequenino e como de noite é um anjo não me queixo das (também pontualíssimas) birras de sono que faz durante o dia. A birra das 11 da manhã deixa-o irreconhecível por cerca de 20 minutos, com direito a cara lavada em lágrimas, esbracejar, espernear e arranhar. Cai para o lado exausto e aos soluços. 40 minutos depois acorda com as sobrancelhas ainda vermelhas mas muito feliz e cheio de charme, desfaz-se em sorrisos e gracinhas e os dois sofremos duma amnésia que dura até ao dia seguinte, à mesma hora.

27 de novembro de 2013

o meu livro

Foi há um ano que eu me demiti e decidi que seria escritora e ilustradora de livros para crianças. Um ano, novo emprego, muitas lágrimas, muitos muitos risos e um filho depois, aqui estou a pô-lo à venda. Caseirinho como eu o quis, e assim será até ao dia em que uma editora o queira também. Já vai na terceira edição, porque fui contida e mandei fazer pouquinhos de cada vez. Graças à família, amigos, amigos de amigos e ao facebook as duas primeiras edições venderam como pãezinhos quentes. Desta vez é uma série de 100, cada cópia numerada e assinada por mim. Estou tão feliz.

Para comprar ou obter mais informações, por favor enviar-me um email para natachapintas@gmail.com. O Diogo manda beijinhos e agradece a todos pelas mensagens e comentários amorosos.

15 de novembro de 2013

cartão do cidadão

Ver a foto de passe do meu bebé com as minhas mãos a ampararem-lhe a cabeça, altura 60 cm, estado civil solteiro, ausência de impressões digitais por serem demasiado pequenas para o computador as ler e a frase "não sabe assinar" deu-me vontade de o engolir e voltar a guardá-lo na minha barriga.

12 de novembro de 2013

o parto

Talvez eu recupere da experiência que foi trazer o meu filho ao mundo lá para 2033. Todos os dias olho para ele e custa-me acreditar que haja momentos na vida tão perfeitos. Escrevo este post para nunca me esquecer dos pormenores (talvez isso aconteça lá para 2083), para as minhas pessoas queridas a quem ainda não contei como foi, e sobretudo para que fique relatado e público aquilo que nos aconteceu. Fartei-me de ler sobre partos, ver vídeos e documentários, e parece-me que nunca é demais saber de mais um, porque a experiência de cada mulher que opta por se expor contribui e contribuiu para o que eu decidi (no que estava ao meu alcance) que o meu parto seria. Então aqui fica o meu bocadinho de mãe natureza, que espero que inspire alguém como tantas histórias de partos felizes me inspiraram a mim.

No dia antes de o Diogo nascer a minha barriga ficou mais arrebitada que nunca. No dia do parto o umbigo estava a apontar para baixo. Lembro-me de comentar isso com a minha mãe e ela concordar. Tínhamos andado a ouvir meditações e hipnopartos no youtube e eu estava incrivelmente relaxada. Aprendi no workshop de preparação para o parto que quanto mais tempo estivermos no nosso ninho, mais oxitocina se liberta e mais depressa o trabalho de parto avança. Assim fiz. Comi uma tigelona de guacamole e pensei se deveria carregar no chili, para dar um empurrãozinho ao bebé... não foi preciso.
Às 39 semanas o meu filho lia-me os pensamentos. Se antes ele começava a pontapear esfomeado no momento em que eu preparava uma refeição, nessa altura bastava-me pensar em comer guacamole e o Diogo começava um festival de breakdance.
Costurei a fronha que me faltava para terminar de forrar o sofá, enfiei a almofada lá dentro à (tanta) força e transpirei tanto que tenho a certeza que foi isso que me fez entrar em trabalho de parto. Fui à casa de banho e senti um duplo-clique na minha barriga que me fez parar por um segundo, mas continuei com a minha vidinha. Mal eu sabia que as águas tinham rebentado. Eram 14h30 quando me sentei no chão e a minha mãe tirou as últimas fotografias à barriga. Nesse momento senti água a sair e disse-lhe "não vais acreditar..." e então começou a aventura. Começou uma maratona de pensos higiénicos mas pouco mais do que isso, porque eu achei que só daí a muitas horas é que mais alguma coisa aconteceria. Só telefonei ao Faneca para o informar e disse-lhe que não precisava de vir para casa. Também mandei uma mensagem a uma amiga que vinha a caminho para nos visitar a dizer que não se assustasse mas que o Diogo estava a caminho. Podiamos lanchar juntas na mesma e relaxar, que isso só ajudaria. Mas meia hora depois comecei a ter umas contracções ligeiramente dolorosas, que desciam até às virilhas. Às 15h15 elas pareciam-me tão frequentes que achei melhor começar a cronometrá-las. Às 16h00 apercebi-me de que na teoria estava em trabalho de parto, embora as contracções fossem suportáveis. Tinham-me dito que as contracções de trabalho de parto não nos permitem manter uma conversa, mas eu conversei com a senhora do Birth Centre ao telefone, que me disse que era melhor pôr-me a caminho. Liguei ao Faneca a dizer que viesse para casa depressinha faz favor. Depois seguiu-se um estado "intoxicação alimentar", em que se me deu tal volta à barriga que eu não sabia se corria para o lavatório ou para a sanita. Liguei à minha querida Andreia, que é parteira e me disse que tudo isso era normal. Relaxei e respirei. A minha mãe preparava tudo e tirava fotografias. O Faneca chegou às 16h30 e chamou um taxi. A minha amiga chegou para lancharmos mas qual lanchar qual quê, ao fim de 10 minutos estávamos todos metidos no taxi. Antes mesmo de sairmos eu tive uma contracção a sério. Uma contracção que me fez gemer e que sobretudo me tirou toda a força das pernas. A minha perna direita teve um espasmo e eu pensei "Ora aí está! Agora estou lixada que vai ser meia hora disto metida num carro."

Os longos 40 minutos que passámos no taxi não foram tão maus como eu imaginei. Ir sentada aliviou-me completamente as pernas, que eu insistia em relaxar e concentrei-me em não seguir o impulso constante de me contrair toda e fincar os pés no chão do carro. Relaxar as pernas e a cara. Respirar. Quando chegámos ao hospital estar em pé tornou-se impossível e a cada contracção que se seguiu eu tive de me apoiar em alguma coisa, sem nunca largar a almofada que levei comigo. Foi o taxi mal saímos, foi a parede do elevador, foram os balcões das recepções. Água pelas pernas abaixo, inglês e português e o meu filho, o meu filho que não sabia o que lhe estava a acontecer, não leu livros nem aprendeu a lidar com a dor. Estávamos juntos, estávamos juntos desde há nove meses e estaríamos mais unidos do que nunca naquela coisa primitiva que nos estava a acontecer.
Quando chegámos ao quarto e eu pedi à parteira para usar uma das piscinas ela disse que sim. Pediu-me que fosse fazer chichi, verificou o batimento cardíaco do bebé e depois quis examinar-me, mas eu simplesmente não conseguia estar deitada de costas, a não ser entre contracções. Toda eu era um bicho. Não permiti que ninguém me tocasse. Todos à minha volta tendiam a afagar-me, mas aquelas festinhas pareciam lixa e desconcentravam-me completamente. Pus-me de joelhos em cima da cama sem que ninguém mo sugerisse. Pedi que levantassem o encosto da cama e abracei-me a ele. Também foi sem aviso que saiu de mim um som que eu não reconheci, como se um animal de grande porte tivesse entrado naquele quarto e estivesse também em trabalho de parto. Lembro-me de pensar que aquilo só podia ser eu e lembro-me de sentir que o meu corpo estava a fazer tudo sozinho. Lá ao longe tudo me pareceu tão irónico, especialmente porque a janela do quarto tinha uma vista panorâmica sobre o Tamisa e o Parlamento. O Big Ben marcava 18h15. Eu tinha numa mão o tubo de gas and air e na outra a mão do Faneca. Estava tão feliz quanto incapaz de o verbalizar.
Continuei aquele exercício de relaxamento. Quando a parteira me examinou disse "Estás pronta! De certeza que queres usar a piscina?", ao que eu me lembro de dizer que sim. Ela pôs-se a correr e disse-me que me apressasse também. "Corremos" (porque me recusei a sentar na cadeira de rodas) dentro do possível, a minha mãe de máquina fotográfica na mão, o meu amor a amparar-me a queda quando tive uma contracção no corredor. Meti-me na piscina ainda com menos de um palmo de água. Ajoelhei-me. Duas parteiras à procura do batimento cardíaco do meu bebé sem sucesso. Alguma coisa dentro de mim me impedia de sentir medo. Tinha comigo as duas pessoas com quem mais queria partilhar o parto do Diogo, e sei que foi por isso, por ali estarmos os quatro tão unidos, que eu me mantive tão calma e tão feliz. Tinha a certeza de que o Diogo estava bem. Larguei o gás porque me estava a desconcentrar e numa das tentativas de encontrar o batimento do coração do Diogo pus-me a flutuar de lado, sem nunca largar a mão do Fanequinha. Foi aí que descobri o paraíso. Não me lembro de as contracções se terem tornado menos frequentes mas pelos vistos foi o que aconteceu. Lembro-me de a dor diminuir de tal forma que entre contracções toda eu flutuava naquela água quente. Quando sentia a contracção a chegar voltava a pôr-me de joelhos. As parteiras deixaram-me fazer o que quisesse e senti um bem-estar profundo quando uma delas me disse "ouve o teu corpo". Ouvi. O meu bebé estava a ser espremido e era nele que eu falava entre contracções (urros). Bebi garrafas e garrafas de água. Respirei. De repente voltei a sentir o Diogo e dessa vez era obviamente a cabeça dele a descer.
Eram 19h14 quando apareceu o bebé faneca, todo braços e pernas e mãos e pés. Nadou pouco porque eu trouxe-o logo à superfície, olhei para ele e ele para mim e assim ficámos até ele soltar um chorinho e só aí eu ser capaz de dizer "Olá meu amor! Tu nasceste, querido?"

27 de setembro de 2013

mãe natureza

Foi num programa chamado what not to wear que ouvi isto, esta frase que me ficou gravada e que ecoa até hoje na minha mente. A mulher que não gostava do próprio corpo e que por isso não se "vestia bem", e o apresentador que lhe dizia qualquer coisa como "o teu corpo é uma máquina de vida que trabalha para se manter bem e saudável, devias amá-lo pelo que ele é." Desde daí que vejo o meu corpo com outros olhos. Este corpo que eu já tanto maltratei, que odiei na minha adolescência, este corpo a que família, amigos e estranhos chamaram gordo quando eu não sabia como reagir, este corpo que dá abrigo à minha mente, às vezes mais, às vezes menos perturbada. Nunca me falhou, este corpo. Foi há poucos anos que tive esta espécie de epifania. Que este é o único corpo que terei na vida, saudável e tão forte apesar de tudo, sempre a regenerar-se, sempre. Foi mais do que uma reconciliação, foi como apaixonar-me pela máquina de vida que sou.
Quando engravidei já estava em estado de graça. E no dia (grávida de poucas semanas) em que vi as minhas mamas mudarem de forma e de cor soube que de nada valeria resistir ao poder da mãe natureza. Rendi-me. Encarreguei-me apenas de me manter feliz e fazer uma dieta o mais saudável possível. Sempre tive a certeza de que o mais importante era manter-me cheia de amor e gratidão e desejar que a natureza fosse generosa comigo. Sou um animal, dizia a mim mesma. Sou um animal como qualquer outro e há uma força superior a mim a governar o meu corpo neste momento. Durante os nove meses este foi o meu mantra. Além disso houve vários momentos chave que me prepararam para o parto. Coisas que ouvi ou li e que fui arquivando na minha mente, para que nunca fosse ela a apoderar-se do meu corpo, e sim o contrário. A namorada dum amigo contar-me que a mãe se preparou sozinha com uma cassete de hipnoparto e não usou drogas. O Stephen Fry no QI a dizer que a percepção da dor depende da ansiedade que se sente e a tensão que pomos no nosso corpo. A minha avó, a minha mãe e a minha tia terem tido os seus filhos de parto normal focadas na ideia de que a dor terminaria com um bebé nos seus braços. A aula de yoga que fazia no youtube em que a dor era referida como um sinal de que tudo estará a funcionar bem e que as contracções são o meu corpo a abraçar e empurrar o meu filho até que ele se encontre comigo cá fora. Li muito. Li tudo o que me apareceu e vi muitos, muitos videos. Mentalizei-me de que o parto é algo imprevisível e que tanta coisa pode correr mal, mas só imaginaria o meu a correr na perfeição, o mais natural e livre de químicos possível. Decidi que passaria pouco tempo na cama, que usaria a Gravidade para acelerar as coisas, que manteria as pernas fortes e ágeis para passar horas a pé. Trabalhei até ao final do oitavo mês, rodeada de pessoas a dizerem-me que descansasse, que me sentasse. Só o Faneca é que sempre me deixou fazer o que quisesse. E eu só parava quando o inchaço dos pés já chegava às coxas. No fim já tinha mais de 13 quilos em cima e o meu corpo continuava a pedir acção. Costurei como uma louca, arrastei móveis, montei a nossa cama nova sozinha. Enquanto o meu corpo me pediu para me mexer, eu mexi-me. Há qualquer coisa de primário, de tão animal e tão instintivo na gravidez. Dar ouvidos ao meu corpo foi o melhor que eu podia ter feito.