25 de abril de 2010

a pintora e o rímel

A pintora observa que o seu rímel passou do prazo há mais de quatro anos e desconfia que é por isso que a textura da tinta já é de tal modo pastosa que as suas pestanas não ficam pintadas, ficam aglomeradas por uma camada de crude.

A pintora resolve facilmente o problema, diluindo a tinta pastosa com a de um outro rímel também expirado mas ainda líquido.

A pintora mexe mexe, testa a elasticidade da tinta e conclui que tem razão. Uma tinta só passou do prazo quando já tem bolor e cheira incrivelmente mal.

A pintora deseja secreta e ardentemente que nada de mal aconteça aos seus dois olhinhos verdes, que são pitosgas mas muito estimados.

eu ontem chorei

Eu,
que desde o dia em que me desfiz em lágrimas na frente dum neurologista horrorizado,
que quase me enfiou as drogas pela boca a baixo,
que me acalmaram e me deixaram pedrada durante meses,
que me anestesiaram de tal maneira,
que nunca mais chorei.

Assim de chorar e sentir as lágrimas a descerem pela cara,
a percorrerem o maxilar e a caírem no peito.
Independentemente dos dramas,
dos horrores por que passei no último ano,
os químicos que me correm nas veias impedem-me de chorar a sério.

Ontem chorei um bocadinho ao ouvir esta música, que tem a letra mais bonita que já ouvi na vida.



:)

24 de abril de 2010

ratinhos radicais


pormenor


ratinho mergulhador


equipamento de mergulho xxs

Para dois gémeos que ainda estão juntinhos a crescer no forno. O Diogo e o André têm o quarto mais fofo do mundo e até eu fiquei surpreendida ao ver que uma pintura tão simples funcionou como a cereja no topo do bolo.
Vou fazer uma coisa especial com estes dois ratinhos. E está para breve!

futebóle




chuta p'a golo


guarda-redes


Futebóle é como os meninos do interior de Biana (os meus alunos) dizem futebol. Ainda hoje uso expressões deles e ainda hoje a Di diz Tenho caluore, preciso de bento! graças ao meu aluno Zé Pedro.

Estes dois futebolistas tiveram um parto muito difícil. Se eu fosse a Ana, não teria a paciência que ela teve comigo. As minhas vidas pessoal e profissional atropelam-se mais vezes do que eu gostaria... Ana, muito obrigada. E beijinhos :)

22 de abril de 2010

a razão da minha ausência

Fui aos EUA participar no So You Think You Can Dance com o meu amor.
Eis-nos:

18 de abril de 2010

pinturas (e não só) em lisboa

Eu fugi para Lisboa. Primeiro porque precisava, segundo porque o meu irmão me deu abrigo, e terceiro porque em Lisboa há mais trabalho. É o êxodo rural.

Em Lisboa encontrei luz, calor, muitos sotaques, pouquíssimos palavrões, uma rede de transportes públicos que fascina qualquer saloia como eu, família, velhos e novos amigos e uma paixoneta que se transformou em amor palpitante.

Moramos na rota dos aviões - as janelas lá de casa abanam quando há aterragens. Abanam de tal maneira que nem nos apercebemos do sismo.
Enquanto fui digerindo a mudança o tempo passou. Ainda não estou totalmente lá, mas quando venho cá a cima faz-me falta aquilo tudo.

Então é isto. Vivo na capital mas venho ao norte e vou ao sul. E pinto, como sempre, onde houver paredes a precisar de histórias.

purpurina

na lua

fadinhas no jardim

magia


Estas fadinhas foram pintadas para três irmãs. Lindas lindas lindas. Pequeninas, rechonchudas e que faziam perguntas (e afirmações) deliciosas sobre o meu trabalho. A bebé riu-se de mim com sarcasmo quando lhe mostrei a tinta verde dentro da lata.
:)

estou biba

Quando até a nossa mãe reclama porque o blog está parado e a nossa irmã algarvia nos pergunta se o blog morreu para sempre, é o momento de tentar uma reanimaçãozinha.

Os últimos meses foram de mudanças.

Ontem fui oradora (uau) numa palestra (uaaau) sobre percursos académicos e realidades profissionais, dirigida a alunos de artes da escola secundária onde eu andei há 12 anos.
Depois de muito falar sobre os meus bonecos e de me aperceber que se calhar o meu futuro é na stand up comedy, acabei por dizer o que me parece ser a minha lição de vida:

"Quando fazes algo de que gostas mesmo, os piores momentos são suportáveis."

Voltarei brevemente com pinturas e palermices. Prometo.
Beijocas

12 de fevereiro de 2010

1 de fevereiro de 2010

escala de dor da natachinha

1. Entalar o dedo médio numa janela de guilhotina
2. Queimar todo o polegar com caramelo acabado de fazer
3. Injecção de penicilina
4. Depilação a laser nas virilhas*
5. Enxaqueca com E maiúsculo
6. Depilação com cera nas virilhas

*As meninas da Clínica do Pêlo que tiveram o prazer de me torturar com uma arma do Star Wars agradecem e dizem que a sua ambição é alcançar o pódio.

20 de janeiro de 2010

eu também já vi o Avatar

... duas vezes. Na primeira adormeci e babei o ombro da mi primi. Dormir e sonhar com os óculos 3D não é para quem quer, é para quem pode. Na segunda vi tudo e quando encostei a cabeça ao ombro do meu belo acompanhante (tão romântica... na teoria resulta) ele empurrou-me e disse "Nem pensar, não vais dormir outra vez!"... E eu respeito um homem que usa óculos escuros no cinema.

Como toda a gente, eu também quero ter um avatar. Mas qual floresta e comunhão com todos os seres vivos? Qual arco e flechas? Eu quero é aquelas maminhas azuis aqui em cima. E correr feita louca sem soutien.

9 de janeiro de 2010

eu e o meu psiquiatra

Naquele ambiente sério. O consultório tem uma decoração sóbria e aconchegante. O meu psiquiatra tem barba branca e eu gosto dele. A iluminação é suave, parece que estamos ao pé duma lareira. Não fosse o tema das nossas conversas (a minha mente-sopa-de-letras) e até me atrevia a sentar no colo dele. "Pai Natal, és tão fofinho... já te disse que odeio o Natal e alucino contigo enforcado em tudo o que é janela e varanda deste nosso Portugal?"

A Di veio comigo à última consulta. Ficou lá fora à espera e quando eu saí disse-me "Nat, ouve-se tudo. Quer dizer, não se entende o que se diz mas tu falas muito alto..."

Minutos antes, no consutório:
- Blá blá blá...
- Blá...
- Então e como vai a sua vida sentimental?
- Muitobemobrigada!!!
- ...
- Ihihihihihihihihihi!
- Não me quer contar?
- QUERO! Uhuhuhuhuhuhuhuh!
- Se não me quiser contar não há problema, só acho que é uma parte import...
- Mas eu quero!
- ... eu não sou curioso. Já imaginou um psiquiatra curioso, que quer saber ainda mais da vida das pessoas quando já sabe tanto?...
- Ahahahahahahahah!
- Então?...
- Blá blá blá blá blá blá blá blá ahahahahahahahah blá blá blá blá blá ihihihihihhi blá blá blá... ai ai... blá blá blá uhuhuhuhuh!

29 de dezembro de 2009

querido continente (parte 358)

Meus parabéns. €1,49 já é muito bom. E tendo em conta que a música dele é das coisas mais traumatizantes que já ouvi na vida, se calhar volto a frequentar-te...

E que tal baixares o preço do polvilho para os €1,o9 de antigamente? É que já tenho saudades de comer pão de queijo...
Obrigados.

18 de dezembro de 2009

e um referendo sobre os referendos? nom?

Não há pachorra. Perguntar ao zé povinho (que inclui gente para quem ser homem-sexual é violar criancinhas) o que pensa do casamento alheio é aquilo a que eu chamo gastar papel à toa.
Tanta árvore a morrer em vão.

8 de dezembro de 2009

se acaso eu morrer

Se acaso eu morrer e ficar desfigurada.
Se não sobrar o maxilar com os parafusos, nem o polegar com a cicatriz, nem coisa nenhuma que me identifique facilmente.
Não percam tempo com amostras de ADN.
É abrir o cadáver e ver o conteúdo do estômago e intestinos.
Se tiver no mínimo 55% de cacau.
Sou eu.

E descansem.
Morri feliz.

27 de novembro de 2009

pedido de ajuda

Ainda há pessoas boas. Esta cadelinha, a Maya, arranjou um dono na Alemanha. Já tem boleia do Porto até Lisboa e também quem a leve de avião até à sua nova casa. Só não tem quem lhe dê abrigo e muito mimo nos dias 30, 1 e 2.

Alguém pode ajudar?

26 de novembro de 2009

apetece-me dizer duas coisas

Primeira coisa:

Nunca se deve dizer a alguém que engordou, seja meio quilo, seja trinta quilos. "Ah estás tão gordo!" ou "Ehehehe, engordaste um bocadinho..." ou "Ai que gorda!!!" ou "Estás com uns quilinhos a mais?!" ou "Ai o que te aconteceu!!!?"

Sim, porque isto existe. Existe e - pasmem-se- normalmente quem engorda (seja meio quilo, seja trinta quilos) é a primeira pessoa a notar e não precisa que lhe digam. Muito menos em voz alta, muito menos com tom de asco, muito menos quando não se via a pessoa há séculos e haveria tantas outras coisas para dizer primeiro. Meu deus.
Eu recentemente voltei ao mundo da normalidade (alerta ironia). Posso comprar roupa em lojas de gente. Os números normais servem-me. E quanto mais me observo neste mundo mais horror sinto ao lembrar-me de quando tinha 15 anos e ouvi coisas inimagináveis da boca de pessoas conhecidas. Porque subitamente engordei dez quilos. E os outros têm direitos sobre o nosso corpo e sobre a nossa aparência e sobre a nossa saúde. Eu não sabia disto, aos 15 anos, portanto fiquei surpreendida e sem reacção, de todas as vezes. E muito magoada. Mas é assim. Os magros mandam no mundo. Os normais. Mesmo que não sejam pessoas próximas, mesmo que não saibam o que se passa na nossa vida, mesmo que não nos vejam há mais de cinco anos. Ai que gorda!!! "Põe os olhos na tua mãe!", disse-me um médico. Já estávamos nós a sair do consultório. Eu tinha 15 anos. Não sei quantas pessoas estavam na sala de espera. Mas ouviram com certeza. E eu gigante ao lado da minha mãe, sempre pequenina e elegante. Saí dali do tamanho de uma formiga. A minha auto-estima ficou pelo caminho.
Se eu soubesse o nome desse ortopedista escrevia-o agora aqui.


E por falar em médicos. Segunda coisa:

Ontem fui ao meu novo-e-para-sempre-amado-ginecologista. E, mais uma vez chegada ao mundo normal, onde as coisas acontecem como deve ser, saio horrorizada com o meu passado. E agora posso encher a boca para dizer que o último ginecologista onde fui, no hospital particular em Viana é um incompetente. Ignorante, retrógrado, insensível e preconceituoso. Ainda bem que não lhe contei da minha faceta sado-masoquista ou do fetiche com animais de grande porte. Acho que ele teria chamado a polícia.
Eu já nem exijo que a pessoa que calça as luvas e nos enfia instrumentos estranhos nos países baixos seja delicada. Mas não é suposto confiarmos no nosso médico? Não é suposto ele esclarecer-nos e deixar-nos minimamente à vontade para falar de (oh meu deus oh meu deus) sexo? Da nossa vida íntima, sem medo ou vergonha. Assim como eu faço com o meu Dr R... assim como deveria ser com um... como é que se diz? Ah! MÉDICO!

25 de novembro de 2009

ai jasus que começam as reclamações

Estou viva! Que mania esta de se manterem informados sobre a minha vida através do blog... se soubessem o que eu sei telefonavam-me a perguntar pelas novidades, vos garanto. Há coisas que não se publicam na tia net, minha gente forreta.
Posso adiantar que estou óptima. Feliz da bida. Não posso deixar de reparar que daqui a um mês é o dia N, é verdade... e que já está tudo TUDÓ decorado e iluminado. Náuseas. É o que sinto. Náuseas. Mas o doutor não me vai deixar ficar mal e vai dar-me colinho antes da depressão sazonal sequer se aproximar dos meus neurónios guerreiros.
Agora vou voltar ao trabalho está bem?
Beijos na boca.


*momento imensamente lúdico no vermelho devagarinho (oba oba)*
Curiosidade que ninguém sabe sobre mim (coisas do fei sbuc oh meu deus oh meus deus):
Apenas uma destas cinco coisas me dá vontade de rir. Qual é?
1. comunicar a alguém que alguém morreu
2. pessoas a cair
3. alguém muito mal vestido
4. cócegas nos pés
5. mentir

8 de novembro de 2009

postais de natal

A minha amiga Raquelita (minha bruxinha adorada cá beijinho ai que saudades) fez uns postais de Natal que quase me fizeram chorar de tão lindos que são. Babo-me de orgulho...
Tenho a honra de os pôr à venda aqui!

clicar na imagem para ampliar

Conjunto de 5 postais + envelopes | 10x15cm
preço: €6 (inclui portes de envio)

Para comprar basta contactar a autora através do email
rfelgueiras@gmail.com

30 de outubro de 2009

my heart beats too loud*

Andei tanto tempo apagada, quase extinta.
Agora não caibo em mim.
Não é justo ter de se conter as coisas boas que se sente. Não é. O meu coração às vezes bate tão alto que se torna ensurdecedor. Não posso, não consigo fingir que não o ouço.
Não dou nome às coisas que sinto, só sei que as sinto intensamente. Cheguei a pensar que seria realmente bipolar. Porque já me vi tão intensamente no outro lado. Mas quando o médico me perguntou se eu pensava em pôr um fim a isto, até eu fiquei chocada.

A verdade é que eu sinto coisas boas, na maioria das vezes. Ora, estatisticamente, eu não passo de uma pessoa feliz. Sincera e desavergonhada.
Não caibo em mim.

É por isso que eu vou para a Guiné. O meu pai vai ter um ataque. Mas tem de ser. Por mim.
Não tenho muito juízo, não tenho dinheiro e às vezes não tenho norte. Mas no dia em que vi aqueles bebés todos de braços estendidos para o ar, a competirem por aquilo que a mim me sobra, tive a certeza de que existe pelo menos um lugar na Terra onde eu não serei mal interpretada.

*