Fui aos EUA participar no So You Think You Can Dance com o meu amor.
Eis-nos:
22 de abril de 2010
18 de abril de 2010
pinturas (e não só) em lisboa
Eu fugi para Lisboa. Primeiro porque precisava, segundo porque o meu irmão me deu abrigo, e terceiro porque em Lisboa há mais trabalho. É o êxodo rural.
Em Lisboa encontrei luz, calor, muitos sotaques, pouquíssimos palavrões, uma rede de transportes públicos que fascina qualquer saloia como eu, família, velhos e novos amigos e uma paixoneta que se transformou em amor palpitante.
Moramos na rota dos aviões - as janelas lá de casa abanam quando há aterragens. Abanam de tal maneira que nem nos apercebemos do sismo.
Enquanto fui digerindo a mudança o tempo passou. Ainda não estou totalmente lá, mas quando venho cá a cima faz-me falta aquilo tudo.
Então é isto. Vivo na capital mas venho ao norte e vou ao sul. E pinto, como sempre, onde houver paredes a precisar de histórias.




Estas fadinhas foram pintadas para três irmãs. Lindas lindas lindas. Pequeninas, rechonchudas e que faziam perguntas (e afirmações) deliciosas sobre o meu trabalho. A bebé riu-se de mim com sarcasmo quando lhe mostrei a tinta verde dentro da lata.
:)
Em Lisboa encontrei luz, calor, muitos sotaques, pouquíssimos palavrões, uma rede de transportes públicos que fascina qualquer saloia como eu, família, velhos e novos amigos e uma paixoneta que se transformou em amor palpitante.
Moramos na rota dos aviões - as janelas lá de casa abanam quando há aterragens. Abanam de tal maneira que nem nos apercebemos do sismo.
Enquanto fui digerindo a mudança o tempo passou. Ainda não estou totalmente lá, mas quando venho cá a cima faz-me falta aquilo tudo.
Então é isto. Vivo na capital mas venho ao norte e vou ao sul. E pinto, como sempre, onde houver paredes a precisar de histórias.




Estas fadinhas foram pintadas para três irmãs. Lindas lindas lindas. Pequeninas, rechonchudas e que faziam perguntas (e afirmações) deliciosas sobre o meu trabalho. A bebé riu-se de mim com sarcasmo quando lhe mostrei a tinta verde dentro da lata.
:)
estou biba
Quando até a nossa mãe reclama porque o blog está parado e a nossa irmã algarvia nos pergunta se o blog morreu para sempre, é o momento de tentar uma reanimaçãozinha.
Os últimos meses foram de mudanças.
Ontem fui oradora (uau) numa palestra (uaaau) sobre percursos académicos e realidades profissionais, dirigida a alunos de artes da escola secundária onde eu andei há 12 anos.
Depois de muito falar sobre os meus bonecos e de me aperceber que se calhar o meu futuro é na stand up comedy, acabei por dizer o que me parece ser a minha lição de vida:
"Quando fazes algo de que gostas mesmo, os piores momentos são suportáveis."
Voltarei brevemente com pinturas e palermices. Prometo.
Beijocas
Os últimos meses foram de mudanças.
Ontem fui oradora (uau) numa palestra (uaaau) sobre percursos académicos e realidades profissionais, dirigida a alunos de artes da escola secundária onde eu andei há 12 anos.
Depois de muito falar sobre os meus bonecos e de me aperceber que se calhar o meu futuro é na stand up comedy, acabei por dizer o que me parece ser a minha lição de vida:
"Quando fazes algo de que gostas mesmo, os piores momentos são suportáveis."
Voltarei brevemente com pinturas e palermices. Prometo.
Beijocas
12 de fevereiro de 2010
1 de fevereiro de 2010
escala de dor da natachinha
1. Entalar o dedo médio numa janela de guilhotina
2. Queimar todo o polegar com caramelo acabado de fazer
3. Injecção de penicilina
4. Depilação a laser nas virilhas*
5. Enxaqueca com E maiúsculo
6. Depilação com cera nas virilhas
*As meninas da Clínica do Pêlo que tiveram o prazer de me torturar com uma arma do Star Wars agradecem e dizem que a sua ambição é alcançar o pódio.
2. Queimar todo o polegar com caramelo acabado de fazer
3. Injecção de penicilina
4. Depilação a laser nas virilhas*
5. Enxaqueca com E maiúsculo
6. Depilação com cera nas virilhas
*As meninas da Clínica do Pêlo que tiveram o prazer de me torturar com uma arma do Star Wars agradecem e dizem que a sua ambição é alcançar o pódio.
20 de janeiro de 2010
eu também já vi o Avatar
... duas vezes. Na primeira adormeci e babei o ombro da mi primi. Dormir e sonhar com os óculos 3D não é para quem quer, é para quem pode. Na segunda vi tudo e quando encostei a cabeça ao ombro do meu belo acompanhante (tão romântica... na teoria resulta) ele empurrou-me e disse "Nem pensar, não vais dormir outra vez!"... E eu respeito um homem que usa óculos escuros no cinema.
Como toda a gente, eu também quero ter um avatar. Mas qual floresta e comunhão com todos os seres vivos? Qual arco e flechas? Eu quero é aquelas maminhas azuis aqui em cima. E correr feita louca sem soutien.
Como toda a gente, eu também quero ter um avatar. Mas qual floresta e comunhão com todos os seres vivos? Qual arco e flechas? Eu quero é aquelas maminhas azuis aqui em cima. E correr feita louca sem soutien.
9 de janeiro de 2010
eu e o meu psiquiatra
Naquele ambiente sério. O consultório tem uma decoração sóbria e aconchegante. O meu psiquiatra tem barba branca e eu gosto dele. A iluminação é suave, parece que estamos ao pé duma lareira. Não fosse o tema das nossas conversas (a minha mente-sopa-de-letras) e até me atrevia a sentar no colo dele. "Pai Natal, és tão fofinho... já te disse que odeio o Natal e alucino contigo enforcado em tudo o que é janela e varanda deste nosso Portugal?"
A Di veio comigo à última consulta. Ficou lá fora à espera e quando eu saí disse-me "Nat, ouve-se tudo. Quer dizer, não se entende o que se diz mas tu falas muito alto..."
Minutos antes, no consutório:
- Blá blá blá...
- Blá...
- Então e como vai a sua vida sentimental?
- Muitobemobrigada!!!
- ...
- Ihihihihihihihihihi!
- Não me quer contar?
- QUERO! Uhuhuhuhuhuhuhuh!
- Se não me quiser contar não há problema, só acho que é uma parte import...
- Mas eu quero!
- ... eu não sou curioso. Já imaginou um psiquiatra curioso, que quer saber ainda mais da vida das pessoas quando já sabe tanto?...
- Ahahahahahahahah!
- Então?...
- Blá blá blá blá blá blá blá blá ahahahahahahahah blá blá blá blá blá ihihihihihhi blá blá blá... ai ai... blá blá blá uhuhuhuhuh!
A Di veio comigo à última consulta. Ficou lá fora à espera e quando eu saí disse-me "Nat, ouve-se tudo. Quer dizer, não se entende o que se diz mas tu falas muito alto..."
Minutos antes, no consutório:
- Blá blá blá...
- Blá...
- Então e como vai a sua vida sentimental?
- Muitobemobrigada!!!
- ...
- Ihihihihihihihihihi!
- Não me quer contar?
- QUERO! Uhuhuhuhuhuhuhuh!
- Se não me quiser contar não há problema, só acho que é uma parte import...
- Mas eu quero!
- ... eu não sou curioso. Já imaginou um psiquiatra curioso, que quer saber ainda mais da vida das pessoas quando já sabe tanto?...
- Ahahahahahahahah!
- Então?...
- Blá blá blá blá blá blá blá blá ahahahahahahahah blá blá blá blá blá ihihihihihhi blá blá blá... ai ai... blá blá blá uhuhuhuhuh!
29 de dezembro de 2009
querido continente (parte 358)
Meus parabéns. €1,49 já é muito bom. E tendo em conta que a música dele é das coisas mais traumatizantes que já ouvi na vida, se calhar volto a frequentar-te...
E que tal baixares o preço do polvilho para os €1,o9 de antigamente? É que já tenho saudades de comer pão de queijo...
Obrigados.
E que tal baixares o preço do polvilho para os €1,o9 de antigamente? É que já tenho saudades de comer pão de queijo...
Obrigados.
18 de dezembro de 2009
e um referendo sobre os referendos? nom?
Não há pachorra. Perguntar ao zé povinho (que inclui gente para quem ser homem-sexual é violar criancinhas) o que pensa do casamento alheio é aquilo a que eu chamo gastar papel à toa.
Tanta árvore a morrer em vão.
Tanta árvore a morrer em vão.
Etiquetas:
desabafos,
maldita ironia que me levas para o inferno
8 de dezembro de 2009
se acaso eu morrer
Se acaso eu morrer e ficar desfigurada.
Se não sobrar o maxilar com os parafusos, nem o polegar com a cicatriz, nem coisa nenhuma que me identifique facilmente.
Não percam tempo com amostras de ADN.
É abrir o cadáver e ver o conteúdo do estômago e intestinos.
Se tiver no mínimo 55% de cacau.
Sou eu.
E descansem.
Morri feliz.
Se não sobrar o maxilar com os parafusos, nem o polegar com a cicatriz, nem coisa nenhuma que me identifique facilmente.
Não percam tempo com amostras de ADN.
É abrir o cadáver e ver o conteúdo do estômago e intestinos.
Se tiver no mínimo 55% de cacau.
Sou eu.
E descansem.
Morri feliz.
27 de novembro de 2009
pedido de ajuda
Alguém pode ajudar?
26 de novembro de 2009
apetece-me dizer duas coisas
Primeira coisa:
Nunca se deve dizer a alguém que engordou, seja meio quilo, seja trinta quilos. "Ah estás tão gordo!" ou "Ehehehe, engordaste um bocadinho..." ou "Ai que gorda!!!" ou "Estás com uns quilinhos a mais?!" ou "Ai o que te aconteceu!!!?"
Sim, porque isto existe. Existe e - pasmem-se- normalmente quem engorda (seja meio quilo, seja trinta quilos) é a primeira pessoa a notar e não precisa que lhe digam. Muito menos em voz alta, muito menos com tom de asco, muito menos quando não se via a pessoa há séculos e haveria tantas outras coisas para dizer primeiro. Meu deus.
Eu recentemente voltei ao mundo da normalidade (alerta ironia). Posso comprar roupa em lojas de gente. Os números normais servem-me. E quanto mais me observo neste mundo mais horror sinto ao lembrar-me de quando tinha 15 anos e ouvi coisas inimagináveis da boca de pessoas conhecidas. Porque subitamente engordei dez quilos. E os outros têm direitos sobre o nosso corpo e sobre a nossa aparência e sobre a nossa saúde. Eu não sabia disto, aos 15 anos, portanto fiquei surpreendida e sem reacção, de todas as vezes. E muito magoada. Mas é assim. Os magros mandam no mundo. Os normais. Mesmo que não sejam pessoas próximas, mesmo que não saibam o que se passa na nossa vida, mesmo que não nos vejam há mais de cinco anos. Ai que gorda!!! "Põe os olhos na tua mãe!", disse-me um médico. Já estávamos nós a sair do consultório. Eu tinha 15 anos. Não sei quantas pessoas estavam na sala de espera. Mas ouviram com certeza. E eu gigante ao lado da minha mãe, sempre pequenina e elegante. Saí dali do tamanho de uma formiga. A minha auto-estima ficou pelo caminho.
Se eu soubesse o nome desse ortopedista escrevia-o agora aqui.
E por falar em médicos. Segunda coisa:
Ontem fui ao meu novo-e-para-sempre-amado-ginecologista. E, mais uma vez chegada ao mundo normal, onde as coisas acontecem como deve ser, saio horrorizada com o meu passado. E agora posso encher a boca para dizer que o último ginecologista onde fui, no hospital particular em Viana é um incompetente. Ignorante, retrógrado, insensível e preconceituoso. Ainda bem que não lhe contei da minha faceta sado-masoquista ou do fetiche com animais de grande porte. Acho que ele teria chamado a polícia.
Eu já nem exijo que a pessoa que calça as luvas e nos enfia instrumentos estranhos nos países baixos seja delicada. Mas não é suposto confiarmos no nosso médico? Não é suposto ele esclarecer-nos e deixar-nos minimamente à vontade para falar de (oh meu deus oh meu deus) sexo? Da nossa vida íntima, sem medo ou vergonha. Assim como eu faço com o meu Dr R... assim como deveria ser com um... como é que se diz? Ah! MÉDICO!
Nunca se deve dizer a alguém que engordou, seja meio quilo, seja trinta quilos. "Ah estás tão gordo!" ou "Ehehehe, engordaste um bocadinho..." ou "Ai que gorda!!!" ou "Estás com uns quilinhos a mais?!" ou "Ai o que te aconteceu!!!?"
Sim, porque isto existe. Existe e - pasmem-se- normalmente quem engorda (seja meio quilo, seja trinta quilos) é a primeira pessoa a notar e não precisa que lhe digam. Muito menos em voz alta, muito menos com tom de asco, muito menos quando não se via a pessoa há séculos e haveria tantas outras coisas para dizer primeiro. Meu deus.
Eu recentemente voltei ao mundo da normalidade (alerta ironia). Posso comprar roupa em lojas de gente. Os números normais servem-me. E quanto mais me observo neste mundo mais horror sinto ao lembrar-me de quando tinha 15 anos e ouvi coisas inimagináveis da boca de pessoas conhecidas. Porque subitamente engordei dez quilos. E os outros têm direitos sobre o nosso corpo e sobre a nossa aparência e sobre a nossa saúde. Eu não sabia disto, aos 15 anos, portanto fiquei surpreendida e sem reacção, de todas as vezes. E muito magoada. Mas é assim. Os magros mandam no mundo. Os normais. Mesmo que não sejam pessoas próximas, mesmo que não saibam o que se passa na nossa vida, mesmo que não nos vejam há mais de cinco anos. Ai que gorda!!! "Põe os olhos na tua mãe!", disse-me um médico. Já estávamos nós a sair do consultório. Eu tinha 15 anos. Não sei quantas pessoas estavam na sala de espera. Mas ouviram com certeza. E eu gigante ao lado da minha mãe, sempre pequenina e elegante. Saí dali do tamanho de uma formiga. A minha auto-estima ficou pelo caminho.
Se eu soubesse o nome desse ortopedista escrevia-o agora aqui.
E por falar em médicos. Segunda coisa:
Ontem fui ao meu novo-e-para-sempre-amado-ginecologista. E, mais uma vez chegada ao mundo normal, onde as coisas acontecem como deve ser, saio horrorizada com o meu passado. E agora posso encher a boca para dizer que o último ginecologista onde fui, no hospital particular em Viana é um incompetente. Ignorante, retrógrado, insensível e preconceituoso. Ainda bem que não lhe contei da minha faceta sado-masoquista ou do fetiche com animais de grande porte. Acho que ele teria chamado a polícia.
Eu já nem exijo que a pessoa que calça as luvas e nos enfia instrumentos estranhos nos países baixos seja delicada. Mas não é suposto confiarmos no nosso médico? Não é suposto ele esclarecer-nos e deixar-nos minimamente à vontade para falar de (oh meu deus oh meu deus) sexo? Da nossa vida íntima, sem medo ou vergonha. Assim como eu faço com o meu Dr R... assim como deveria ser com um... como é que se diz? Ah! MÉDICO!
25 de novembro de 2009
ai jasus que começam as reclamações
Estou viva! Que mania esta de se manterem informados sobre a minha vida através do blog... se soubessem o que eu sei telefonavam-me a perguntar pelas novidades, vos garanto. Há coisas que não se publicam na tia net, minha gente forreta.
Posso adiantar que estou óptima. Feliz da bida. Não posso deixar de reparar que daqui a um mês é o dia N, é verdade... e que já está tudo TUDÓ decorado e iluminado. Náuseas. É o que sinto. Náuseas. Mas o doutor não me vai deixar ficar mal e vai dar-me colinho antes da depressão sazonal sequer se aproximar dos meus neurónios guerreiros.
Agora vou voltar ao trabalho está bem?
Beijos na boca.
*momento imensamente lúdico no vermelho devagarinho (oba oba)*
Curiosidade que ninguém sabe sobre mim (coisas do fei sbuc oh meu deus oh meus deus):
Apenas uma destas cinco coisas me dá vontade de rir. Qual é?
1. comunicar a alguém que alguém morreu
2. pessoas a cair
3. alguém muito mal vestido
4. cócegas nos pés
5. mentir
Posso adiantar que estou óptima. Feliz da bida. Não posso deixar de reparar que daqui a um mês é o dia N, é verdade... e que já está tudo TUDÓ decorado e iluminado. Náuseas. É o que sinto. Náuseas. Mas o doutor não me vai deixar ficar mal e vai dar-me colinho antes da depressão sazonal sequer se aproximar dos meus neurónios guerreiros.
Agora vou voltar ao trabalho está bem?
Beijos na boca.
*momento imensamente lúdico no vermelho devagarinho (oba oba)*
Curiosidade que ninguém sabe sobre mim (coisas do fei sbuc oh meu deus oh meus deus):
Apenas uma destas cinco coisas me dá vontade de rir. Qual é?
1. comunicar a alguém que alguém morreu
2. pessoas a cair
3. alguém muito mal vestido
4. cócegas nos pés
5. mentir
8 de novembro de 2009
postais de natal
A minha amiga Raquelita (minha bruxinha adorada cá beijinho ai que saudades) fez uns postais de Natal que quase me fizeram chorar de tão lindos que são. Babo-me de orgulho...
Tenho a honra de os pôr à venda aqui!
Conjunto de 5 postais + envelopes | 10x15cm
preço: €6 (inclui portes de envio)
Para comprar basta contactar a autora através do email
rfelgueiras@gmail.com
Tenho a honra de os pôr à venda aqui!
Conjunto de 5 postais + envelopes | 10x15cm
preço: €6 (inclui portes de envio)
Para comprar basta contactar a autora através do email
rfelgueiras@gmail.com
30 de outubro de 2009
my heart beats too loud*
Andei tanto tempo apagada, quase extinta.
Agora não caibo em mim.
Não é justo ter de se conter as coisas boas que se sente. Não é. O meu coração às vezes bate tão alto que se torna ensurdecedor. Não posso, não consigo fingir que não o ouço.
Não dou nome às coisas que sinto, só sei que as sinto intensamente. Cheguei a pensar que seria realmente bipolar. Porque já me vi tão intensamente no outro lado. Mas quando o médico me perguntou se eu pensava em pôr um fim a isto, até eu fiquei chocada.
A verdade é que eu sinto coisas boas, na maioria das vezes. Ora, estatisticamente, eu não passo de uma pessoa feliz. Sincera e desavergonhada.
Não caibo em mim.
É por isso que eu vou para a Guiné. O meu pai vai ter um ataque. Mas tem de ser. Por mim.
Não tenho muito juízo, não tenho dinheiro e às vezes não tenho norte. Mas no dia em que vi aqueles bebés todos de braços estendidos para o ar, a competirem por aquilo que a mim me sobra, tive a certeza de que existe pelo menos um lugar na Terra onde eu não serei mal interpretada.
*
Agora não caibo em mim.
Não é justo ter de se conter as coisas boas que se sente. Não é. O meu coração às vezes bate tão alto que se torna ensurdecedor. Não posso, não consigo fingir que não o ouço.
Não dou nome às coisas que sinto, só sei que as sinto intensamente. Cheguei a pensar que seria realmente bipolar. Porque já me vi tão intensamente no outro lado. Mas quando o médico me perguntou se eu pensava em pôr um fim a isto, até eu fiquei chocada.
A verdade é que eu sinto coisas boas, na maioria das vezes. Ora, estatisticamente, eu não passo de uma pessoa feliz. Sincera e desavergonhada.
Não caibo em mim.
É por isso que eu vou para a Guiné. O meu pai vai ter um ataque. Mas tem de ser. Por mim.
Não tenho muito juízo, não tenho dinheiro e às vezes não tenho norte. Mas no dia em que vi aqueles bebés todos de braços estendidos para o ar, a competirem por aquilo que a mim me sobra, tive a certeza de que existe pelo menos um lugar na Terra onde eu não serei mal interpretada.
*
29 de outubro de 2009
28 de outubro de 2009
algures na selva

A savana e a floresta tropical só se cruzam na fantasia, não é?... Se até eu fico confusa, imagino as crianças.
A não ser que façamos por investigar, somos permanentemente aldrabados acerca da vida dos outros animais. Depois é natural que ninguém se choque ao ver elefantes em contacto com cimento, chimpanzés em contacto com grades e golfinhos em contacto com vidro. Mas isso ficará para um dos meus posts mega-vegetarianos-ultra-radicais-e-super-moralistas... ou não.
Eu decidi que nunca mais iria a um jardim zoológico, quando era ainda pequena. Tinha talvez 12 anos. Estávamos no Zoo de Lisboa e eu fiquei muito tempo a olhar para os olhos dum gorila. E ele para os meus. Também dei de comer a um tucano através da rede que o separava de mim. Achei que dar amendoins e bolachas aos animais me faria sentir melhor. Mas nada me aliviou tanto como ver-me dali para fora. E não, obrigada, eu não quero visitar o novo zoo de lisboa. Não por enquanto.
O conceito de selva em que todas as espécies se reunem é muito humano. Mas gosto dele. Algures nos livros, nos filmes, nas salas de aula, nos sonhos, nas pinturas. Onde toda a informação se cruza e (nos) confunde. Algures, muito longe da verdade, os animais juntam-se e riem-se. Felizes em comunhão uns com os outros e, já agora, connosco também.
Algures, no quarto dum bebé de um mês e meio. Que se riu para mim com todas as gengivas que tem.
:)



27 de outubro de 2009
di, o retiro foi assim:
A Mãezé apertou o cerco e eu acabei por me render. Já antes tinha insistido comigo para ir, que era tão bom, que eu ia adorar, que ela gostou tanto e se lembrou tanto de mim, que a comida era toda vegetariana, que as pessoas isto e a filosofia aquilo. Mas eu não fui. Não conseguia ver-me lá. Não conseguia ver-me em mais lado nenhum para além do fosso que cavei.
Há uns meses começou "temos retiro em Outubro" e, com a proximidade da data, foi repetindo com falinhas mansas "não te esqueças que no fim-de-semana de 9, 10 e 11 é o retiro", sem admitir um não como resposta mas ao mesmo tempo sabendo que a mal ninguém me leva a lado nenhum. Amansou como só ela (e tu também...) sabe amansar o bicho ferido que eu tinha aqui dentro. A minha mãe é pequenina e eu sou grande, mas não há colo como o dela.
Fomos. O retiro era um retiro de silêncio, num espaço chamado 4Ventos, em Mafra. Era isto que eu sabia, e pouco mais. Que estaríamos caladas e que haveria meditação. Tenho aprendido que quando a expectativa é zero, a satisfação é garantida. Tudo o que se seguiu veio como uma bênção.
Se falámos? Sim. Se falámos muito? Não.
Falávamos quando nos era permitido. Para partilhar o que sentíamos após cada meditação, para colocar alguma questão, para fazer mantras, para cantar, para agradecer às cozinheiras pela comida e para rir. Rir muito. De resto, o silêncio. O poder do silêncio. Silêncio entre desconhecidos. Sorrisos, gestos, desviares de olhos, tristezas, alegrias, dúvidas, inseguranças e muitas personalidades a virem ao de cima. Em silêncio, pareceu-me que éramos todos transparentes. Para o bem e para o mal. Nunca pensei.
Acordar num sítio como aquela casa, rodeada de pessoas de todas as idades, cores e feitios, e todas, todas em silêncio... Lavar os dentes ao lado dum senhor que faz a barba. Fazer fila para a casa de banho. Cruzar-me com senhoras enroladas na toalha. Tudo em silêncio. Saber que não teria de dizer bom dia sequer. Não esperar nada. Ninguém me dirigiria a palavra. Só olhares e sorrisos cúmplices. Não haveria desbloqueadores de conversa, não haveria constrangimentos.
As refeições em silêncio. Também era um momento de meditação, o de comer. Observar a comida, primeiro no prato e depois na minha boca e depois no meu corpo. Surpreendente. Ficava cheia em menos de nada. Pensei que seria super constrangedor ouvir só talheres e um ou outro alarve a mastigar de boca aberta. Ahahaha! Nada. Não me lembro sequer de ouvir talheres, nem de observar os outros a comer. Quando vi que havia papa de aveia ao pequeno almoço fui para o céu com os pequenos póneis. E bebi imenso café. Uma delícia, Didi.
Das muitas actividades que fizemos e meditações que experimentámos (umas mais e outras menos bem conseguidas - houve momentos em que simplesmente nem consegui manter os olhos fechados, mas tudo bem), houve uma coisa que me marcou. A orientadora estava a falar. Nós ficávamos confortavelmente sentados cada um no seu colchão, com almofadas e mantas. Chá ou água e folhas e caneta para apontamentos. A sala era linda. Chão e tecto em madeira, luzinhas, muitas janelas e uma lareira com recuperador de calor. Mas não estava acesa.
De repente ouve-se um barulhinho e um movimento estranho dentro da lareira. Tinha acabado de descer pela chaminé e aterrado ali dentro um passarinho. Nesse momento quebrou-se o silêncio. Primeiro houve quem apontasse, mas depois falou-se mesmo. "Um pássaro, está um pássaro dentro da lareira!" O tubo da chaminé era tão longo. Que viagem horrível o bicho deve ter feito até finalmente parar e ver novamente luz.
Ninguém se levantou tão rapidamente quanto eu. Foi-me impossível não me identificar imediatamente com aquele pássaro. O susto e o medo de atravessar um túnel escuro, a queda no desconhecido, as asas que não lhe valiam de nada. A prisão em que ficou, o ecrã através do qual via a vida que teve e de que gostava, inacessível. E os sons e a luz toldados. E nenhuma possibilidade de se ver dali para fora. Não sem ajuda.
Quando me aproximei do vidro ele começou a esvoaçar. Via-nos e via a sala e as janelas mas não via saída. Alguém disse para simplesmente abrir a porta da lareira que ele daria logo com a janela aberta. Esta gente não tem gatos siameses, pensei. Quantas vezes já vi passarinhos tão aterrorizados de se verem dentro duma casa que a última coisa que conseguem fazer é rumar à janela aberta...
Abri a porta só um bocadinho. Ele entrou em pânico quando viu a minha mão a aproximar-se para o apanhar. A multidão que deveria meditar em silêncio sofria e gemia e suspirava. Ele resistiu até que o entalei e o agarrei pelas patinhas. Depois veio o melhor. Fui lá fora. A paisagem de Mafra era o azul do amanhecer e as árvores. Mais nada. Ar puro e céu aberto. Silêncio.
Abri as mãos e ele nem hesitou. Voou até o perder de vista.
Obrigada, Mamã.
Há uns meses começou "temos retiro em Outubro" e, com a proximidade da data, foi repetindo com falinhas mansas "não te esqueças que no fim-de-semana de 9, 10 e 11 é o retiro", sem admitir um não como resposta mas ao mesmo tempo sabendo que a mal ninguém me leva a lado nenhum. Amansou como só ela (e tu também...) sabe amansar o bicho ferido que eu tinha aqui dentro. A minha mãe é pequenina e eu sou grande, mas não há colo como o dela.
Fomos. O retiro era um retiro de silêncio, num espaço chamado 4Ventos, em Mafra. Era isto que eu sabia, e pouco mais. Que estaríamos caladas e que haveria meditação. Tenho aprendido que quando a expectativa é zero, a satisfação é garantida. Tudo o que se seguiu veio como uma bênção.
Se falámos? Sim. Se falámos muito? Não.
Falávamos quando nos era permitido. Para partilhar o que sentíamos após cada meditação, para colocar alguma questão, para fazer mantras, para cantar, para agradecer às cozinheiras pela comida e para rir. Rir muito. De resto, o silêncio. O poder do silêncio. Silêncio entre desconhecidos. Sorrisos, gestos, desviares de olhos, tristezas, alegrias, dúvidas, inseguranças e muitas personalidades a virem ao de cima. Em silêncio, pareceu-me que éramos todos transparentes. Para o bem e para o mal. Nunca pensei.
Acordar num sítio como aquela casa, rodeada de pessoas de todas as idades, cores e feitios, e todas, todas em silêncio... Lavar os dentes ao lado dum senhor que faz a barba. Fazer fila para a casa de banho. Cruzar-me com senhoras enroladas na toalha. Tudo em silêncio. Saber que não teria de dizer bom dia sequer. Não esperar nada. Ninguém me dirigiria a palavra. Só olhares e sorrisos cúmplices. Não haveria desbloqueadores de conversa, não haveria constrangimentos.
As refeições em silêncio. Também era um momento de meditação, o de comer. Observar a comida, primeiro no prato e depois na minha boca e depois no meu corpo. Surpreendente. Ficava cheia em menos de nada. Pensei que seria super constrangedor ouvir só talheres e um ou outro alarve a mastigar de boca aberta. Ahahaha! Nada. Não me lembro sequer de ouvir talheres, nem de observar os outros a comer. Quando vi que havia papa de aveia ao pequeno almoço fui para o céu com os pequenos póneis. E bebi imenso café. Uma delícia, Didi.
Das muitas actividades que fizemos e meditações que experimentámos (umas mais e outras menos bem conseguidas - houve momentos em que simplesmente nem consegui manter os olhos fechados, mas tudo bem), houve uma coisa que me marcou. A orientadora estava a falar. Nós ficávamos confortavelmente sentados cada um no seu colchão, com almofadas e mantas. Chá ou água e folhas e caneta para apontamentos. A sala era linda. Chão e tecto em madeira, luzinhas, muitas janelas e uma lareira com recuperador de calor. Mas não estava acesa.
De repente ouve-se um barulhinho e um movimento estranho dentro da lareira. Tinha acabado de descer pela chaminé e aterrado ali dentro um passarinho. Nesse momento quebrou-se o silêncio. Primeiro houve quem apontasse, mas depois falou-se mesmo. "Um pássaro, está um pássaro dentro da lareira!" O tubo da chaminé era tão longo. Que viagem horrível o bicho deve ter feito até finalmente parar e ver novamente luz.
Ninguém se levantou tão rapidamente quanto eu. Foi-me impossível não me identificar imediatamente com aquele pássaro. O susto e o medo de atravessar um túnel escuro, a queda no desconhecido, as asas que não lhe valiam de nada. A prisão em que ficou, o ecrã através do qual via a vida que teve e de que gostava, inacessível. E os sons e a luz toldados. E nenhuma possibilidade de se ver dali para fora. Não sem ajuda.
Quando me aproximei do vidro ele começou a esvoaçar. Via-nos e via a sala e as janelas mas não via saída. Alguém disse para simplesmente abrir a porta da lareira que ele daria logo com a janela aberta. Esta gente não tem gatos siameses, pensei. Quantas vezes já vi passarinhos tão aterrorizados de se verem dentro duma casa que a última coisa que conseguem fazer é rumar à janela aberta...
Abri a porta só um bocadinho. Ele entrou em pânico quando viu a minha mão a aproximar-se para o apanhar. A multidão que deveria meditar em silêncio sofria e gemia e suspirava. Ele resistiu até que o entalei e o agarrei pelas patinhas. Depois veio o melhor. Fui lá fora. A paisagem de Mafra era o azul do amanhecer e as árvores. Mais nada. Ar puro e céu aberto. Silêncio.
Abri as mãos e ele nem hesitou. Voou até o perder de vista.
Obrigada, Mamã.
26 de outubro de 2009
luzboa
A Rita levou-me por Lisboa fora. Que privilégio, ser guiada durante horas por uma alfacinha de Artes que gosta de se rir tanto quanto eu. Andámos quilómetros e só vimos coisas bonitas. Tudo tão lindo. Se os meus neurónios tivessem jeito para nomes eu agora dizia em que ruas e largos e edifícios estivemos, porque são mesmo conhecidos.
Entrámos em várias igrejas. Nunca devo ter estado tão espiritual como estou hoje em dia. O meu sentido crítico em relação às religiões em geral e à fé católica em particular dissipou-se. Não tenho tempo nem paciência para questionar as questões e a fé dos outros. Não tenho moral, aliás, porque eu acredito que os animais vão para o céu. Ponto.
A igreja de S. Domingos deixou-me sem ar. Precisei de me sentar. Acho que se tivesse ficado de pé chorava um bocadinho. A Rita entendeu que eu precisava daquilo. Inspirei e expirei consciente, muitas vezes. Deve ser o que muitas pessoas sentem quando rezam. Um reconforto. Um está tudo bem.
Obrigada, Rita.
À saída havia fila para a ginjinha e castanhas assadas a €2. Fizemos tchintchin com os copinhos de plástico e concordámos: A vida é muito boa e nós merecemos. O senhor da ginjinha perguntou se era com ou sem fruta. E eu "Hã?", a Rita "Não", eu "É bom?" e o senhor nem me deu tempo. Lá vai uma ginjinha para o fundo do meu copinho. E eu tudo bem, que é só um item na lista de milhões e milhões de coisas que eu ainda não fiz antes de morrer. A ginjinha é uma azeitona doce. Gostei. A meio das castanhas assadas já eu estava bêbeda. Rimo-nos muito muito muito. Já era de noite e eu ainda viria a riscar mais um item da lista.
Comer pastéis de Belém.
Um orgasmo digestivo. Como é que se vive vinte e sete anos sem pastéis de Belém?! Doutor, descobri, afinal não era depressão, doutor...
Depois o mosteiro dos Jerónimos.
Quem me dera ver o que há dentro do túmulo do Camões... Adorei o facto de na escultura, em que ele está tão bonito e sereno, o olho direito estar descoberto. Está fechado mas é diferente do esquerdo. A pálpebra tem menos volume.
Espero que o Luís de Camões se tenha sentido tão feliz como eu, em Lisboa. Ele merece.
Entrámos em várias igrejas. Nunca devo ter estado tão espiritual como estou hoje em dia. O meu sentido crítico em relação às religiões em geral e à fé católica em particular dissipou-se. Não tenho tempo nem paciência para questionar as questões e a fé dos outros. Não tenho moral, aliás, porque eu acredito que os animais vão para o céu. Ponto.
A igreja de S. Domingos deixou-me sem ar. Precisei de me sentar. Acho que se tivesse ficado de pé chorava um bocadinho. A Rita entendeu que eu precisava daquilo. Inspirei e expirei consciente, muitas vezes. Deve ser o que muitas pessoas sentem quando rezam. Um reconforto. Um está tudo bem.
Obrigada, Rita.
À saída havia fila para a ginjinha e castanhas assadas a €2. Fizemos tchintchin com os copinhos de plástico e concordámos: A vida é muito boa e nós merecemos. O senhor da ginjinha perguntou se era com ou sem fruta. E eu "Hã?", a Rita "Não", eu "É bom?" e o senhor nem me deu tempo. Lá vai uma ginjinha para o fundo do meu copinho. E eu tudo bem, que é só um item na lista de milhões e milhões de coisas que eu ainda não fiz antes de morrer. A ginjinha é uma azeitona doce. Gostei. A meio das castanhas assadas já eu estava bêbeda. Rimo-nos muito muito muito. Já era de noite e eu ainda viria a riscar mais um item da lista.
Comer pastéis de Belém.
Um orgasmo digestivo. Como é que se vive vinte e sete anos sem pastéis de Belém?! Doutor, descobri, afinal não era depressão, doutor...
Depois o mosteiro dos Jerónimos.
Quem me dera ver o que há dentro do túmulo do Camões... Adorei o facto de na escultura, em que ele está tão bonito e sereno, o olho direito estar descoberto. Está fechado mas é diferente do esquerdo. A pálpebra tem menos volume.
Espero que o Luís de Camões se tenha sentido tão feliz como eu, em Lisboa. Ele merece.
25 de outubro de 2009
querido continente (continuação) III
Golpe baixo, Continente.
Não percebo como pudeste ir tão longe.
Por causa duns cereais, porra?
Ele não tem culpa de ser melhor que tu.
Olha, se queres saber, eu adoro os teus crepes com chocolate! Não há iguais...
Agora faz o favor de retirar aquela música hedionda das rádios e televisões, que já toda a gente acredita que é mesmo do Pingo Doce.
Não percebo como pudeste ir tão longe.
Por causa duns cereais, porra?
Ele não tem culpa de ser melhor que tu.
Olha, se queres saber, eu adoro os teus crepes com chocolate! Não há iguais...
Agora faz o favor de retirar aquela música hedionda das rádios e televisões, que já toda a gente acredita que é mesmo do Pingo Doce.
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