... era uma gaivota. Costumo dizer isto porque as gaivotas vivem felizes só de ver o mar, comem montes de porcaria e voam muito alto quase sem esforço. Não são propriamente elegantes e dão gritos histéricos. Adoro-as.
Hoje fui caminhar com os cães de manhã cedo, à Praia Norte. Caminhámos uma hora e acabámos refastelados numa esplanada.
As gaivotas comovem-me. Ou estão a ver o mar dum ponto privilegiado, ou tomam banho nas pocinhas da maré baixa, ou vêem (como hoje) o nascer do sol, todas juntinhas, com os pés na areia molhada da foz.
Hoje, pela primeira vez em meses, tive a certeza de que o bem-estar não depende tanto de factores externos como eu acreditava. E a consciência disso libertou-me.
Senti-me muito, muito bem. E apanhei três cocós de cão.
5 de setembro de 2009
4 de setembro de 2009
faço posts de um parágrafo e adoro
Fui ver o Sacanas sem Lei há mais de uma semana e continuo boquiaberta com o desempenho do Christoph Waltz. Ele não só conseguiu fazer com que eu me esquecesse do motivo (Brad Pitt) que me levou ao cinema naquele dia, como me fez fantasiar com beijos na boca a um coronel nazi. Sai um Oscar urgente para a mesa sete, faz favor!
3 de setembro de 2009
2 de setembro de 2009
querido continente (continuação)
Já vi que baixaste os Fibra Flakes para €1,69. É um bom começo mas mesmo assim recuso-me a comprá-los. Continuo magoada, querido Continente. Muito magoada.
Se os baixares para €1,39 temos conversa. E ponho uma foto aqui no blog. Prometo.
Cá beijinho, Continente. Cá beijinho.
Se os baixares para €1,39 temos conversa. E ponho uma foto aqui no blog. Prometo.
Cá beijinho, Continente. Cá beijinho.
28 de agosto de 2009
não vamos negar o óbvio
Esta imagem está na Visão desta semana.
Eu costumo dizer que sou o meu pai com mamas e cabelo. Mas a verdade é que sou o Paul McCartney sem o bigode.
Eu costumo dizer que sou o meu pai com mamas e cabelo. Mas a verdade é que sou o Paul McCartney sem o bigode.
27 de agosto de 2009
auto ajuda
Tenho relido o meu blog. É chocante. A minha capacidade de adaptação ao cansaço desafia as leis da mãe natureza. Só agora consigo ver o óbvio. Andei a testar os meus limites durante anos. Não só os limites da minha força física, mental e emocional. Os limites do meu optimismo, da minha boa vontade e da minha auto-estima. É triste. Mas podia ter sido pior. Só admiti que não estava bem quando já não conseguia mexer-me.
Estava a pintar. Sei que esta minha forma confusa de expressão em que as metáforas se misturam com a realidade não ajuda mas agora é a sério. O pincel parecia pesar cinco quilos. Foi como se me dissessem para pintar com um garrafão cheio de água pendurado no pulso. O braço não resistia. A mão não se mantinha firme por mais de cinco segundos. A tinta parecia seca e a parede áspera. Começou a arder-me o ombro, depois o cotovelo e por fim a mão. Ainda repeti este processo doloroso uma e outra vez, incrédula, a tentar recordar o que teria feito no dia anterior para me estar a sentir assim, que nunca tinha sentido aquilo, que coisa estranha, que eu normalmente pinto uma parede toda à trincha em menos de nada e carrego montes de tralha e nunca me doem os braços.
O peso estendeu-se para o resto do corpo. Agora eu estava a tentar pintar com um garrafão no pulso e um elefante às cavalitas. Sentei-me no chão, ofegante. Levantei-me e voltei a tentar. Nem cinco minutos aguentei. Não pode ser. O meu braço. A minha mão direita, o meu corpo. Vou deitar-me no chão só um bocadinho, isto já passa.
Deitada no chão, desisti. Olhei para a parede e senti-me completamente incapaz de a pintar. Tantos metros quadrados, uma infinidade de horas de trabalho pela frente e eu tão pequena, tipo mosca moribunda a tentar mexer-se.
Nem uma lágrima. A vontade de chorar andou-me presa na garganta durante meses. E foi assim, seca, que virei costas à parede e disse a mim mesma.
Estou doente.
Mente doente, corpo frágil. Os meus dois joelhos pifaram. O médico japonês, o ortopedista, o fisiatra e as fisioterapeutas fizeram a mesma cara quando lhes disse em que consiste o meu trabalho e quanto tempo fico de pé, e de joelhos, e no escadote, apesar das queixas que já vinha a apresentar. Levei os meus dois joelhos ao limite. É triste. Mas podia ter sido pior. Agora é gelo, fisioterapia, gelo. Nada de ginásios, nada de hiperflexão das pernas, que as cartilagens isto e as rótulas aquilo, que não sei quê artroses e que eu só tenho vinte e sete anos. Eu sempre soube que as pinturas em parede não durariam para sempre, nunca me pus foi essa possibilidade tão cedo. O terror de me ver sem trabalhar, sem acesso às minhas ferramentas essenciais - a minha mente e a minha mão - e ao dinheiro que elas me iam dando. Como se vai ao médico sem dinheiro? Houve meses de crise profunda. Os limites da minha esperança também foram testados. Como uma máquina que avaria, eu toda avariei. Agora lembrei-me do calgon. Há máquinas de lavar roupa mais estimadas que eu.
Tantas vezes neste blog escrevi a palavra cansada. Também muitas vezes escrevi a palavra limite. De cansaço já entendia alguma coisa, mas de limites muito pouco. É triste.
Mas podia ter sido pior.
Hoje terminei a pintura.

Muito obrigada, Babá.
Estava a pintar. Sei que esta minha forma confusa de expressão em que as metáforas se misturam com a realidade não ajuda mas agora é a sério. O pincel parecia pesar cinco quilos. Foi como se me dissessem para pintar com um garrafão cheio de água pendurado no pulso. O braço não resistia. A mão não se mantinha firme por mais de cinco segundos. A tinta parecia seca e a parede áspera. Começou a arder-me o ombro, depois o cotovelo e por fim a mão. Ainda repeti este processo doloroso uma e outra vez, incrédula, a tentar recordar o que teria feito no dia anterior para me estar a sentir assim, que nunca tinha sentido aquilo, que coisa estranha, que eu normalmente pinto uma parede toda à trincha em menos de nada e carrego montes de tralha e nunca me doem os braços.
O peso estendeu-se para o resto do corpo. Agora eu estava a tentar pintar com um garrafão no pulso e um elefante às cavalitas. Sentei-me no chão, ofegante. Levantei-me e voltei a tentar. Nem cinco minutos aguentei. Não pode ser. O meu braço. A minha mão direita, o meu corpo. Vou deitar-me no chão só um bocadinho, isto já passa.
Deitada no chão, desisti. Olhei para a parede e senti-me completamente incapaz de a pintar. Tantos metros quadrados, uma infinidade de horas de trabalho pela frente e eu tão pequena, tipo mosca moribunda a tentar mexer-se.
Nem uma lágrima. A vontade de chorar andou-me presa na garganta durante meses. E foi assim, seca, que virei costas à parede e disse a mim mesma.
Estou doente.
Mente doente, corpo frágil. Os meus dois joelhos pifaram. O médico japonês, o ortopedista, o fisiatra e as fisioterapeutas fizeram a mesma cara quando lhes disse em que consiste o meu trabalho e quanto tempo fico de pé, e de joelhos, e no escadote, apesar das queixas que já vinha a apresentar. Levei os meus dois joelhos ao limite. É triste. Mas podia ter sido pior. Agora é gelo, fisioterapia, gelo. Nada de ginásios, nada de hiperflexão das pernas, que as cartilagens isto e as rótulas aquilo, que não sei quê artroses e que eu só tenho vinte e sete anos. Eu sempre soube que as pinturas em parede não durariam para sempre, nunca me pus foi essa possibilidade tão cedo. O terror de me ver sem trabalhar, sem acesso às minhas ferramentas essenciais - a minha mente e a minha mão - e ao dinheiro que elas me iam dando. Como se vai ao médico sem dinheiro? Houve meses de crise profunda. Os limites da minha esperança também foram testados. Como uma máquina que avaria, eu toda avariei. Agora lembrei-me do calgon. Há máquinas de lavar roupa mais estimadas que eu.
Tantas vezes neste blog escrevi a palavra cansada. Também muitas vezes escrevi a palavra limite. De cansaço já entendia alguma coisa, mas de limites muito pouco. É triste.
Mas podia ter sido pior.
Hoje terminei a pintura.

Muito obrigada, Babá.
26 de agosto de 2009
24 de agosto de 2009
estávamos na esplanada
Se há coisa que faz bem ao cérebro é pasmar nas férias. Sem culpa. A medicação ajuda, assim como o sono em dia. Mas a despreocupação e o riso sinceros fazem milagres. Eu sou uma felizarda. Tenho pessoas na vida que me enchem de riso, de festinhas, de palavras. Que me fazem sentir leve e solta e confiante como se só coisas boas estivessem para acontecer e eu pudesse fechar os olhos.
Estávamos na esplanada. O sol do Algarve queima, o ar é doce e as pessoas falam no gerúndio. Estar sentada a preguiçar de pés descalços na cadeira da frente, com a minha irmã ao lado e um gelado na boca é o paraíso na terra. Os anjos da guarda continuam por lá. Fazem-me rir até ficar com dores na cara, com os disparates que dizem e que os fazem passar por gente comum. Depois há os jantares e os copos e beijos e abraços apertados, apesar da gripe.
Estávamos na esplanada. A pasmar. Ela é preta e eu, mesmo morena, ao lado dela sou branca. Ela lê o jornal e eu leio revistas parvas porque os meus neurónios sobreviventes assim me pedem. Às tantas passo os olhos num artigo parvo de revista parva, sobre amigas. Estávamos na esplanada, e eu li em voz alta:
"- A verdadeira amiga é aquela em quem confiamos a 100%. - ...És tu, minha cabra."
E ela:
"- És tu, minha puta."
E que bom que assim é.
Estávamos na esplanada. O sol do Algarve queima, o ar é doce e as pessoas falam no gerúndio. Estar sentada a preguiçar de pés descalços na cadeira da frente, com a minha irmã ao lado e um gelado na boca é o paraíso na terra. Os anjos da guarda continuam por lá. Fazem-me rir até ficar com dores na cara, com os disparates que dizem e que os fazem passar por gente comum. Depois há os jantares e os copos e beijos e abraços apertados, apesar da gripe.
Estávamos na esplanada. A pasmar. Ela é preta e eu, mesmo morena, ao lado dela sou branca. Ela lê o jornal e eu leio revistas parvas porque os meus neurónios sobreviventes assim me pedem. Às tantas passo os olhos num artigo parvo de revista parva, sobre amigas. Estávamos na esplanada, e eu li em voz alta:
"- A verdadeira amiga é aquela em quem confiamos a 100%. - ...És tu, minha cabra."
E ela:
"- És tu, minha puta."
E que bom que assim é.
10 de agosto de 2009
parece mentira mas é verdadeiro
Avó e neta à mesa. Avó vê muito mal e não pesca nada de inglês, então a neta lê-lhe as legendas do programa da Oprah.
Para preservar a verdadeira identidade das envolvidas, chamemos-lhes Nat e Binhas.
Nat (solteira há quase um ano mas isso agora não interessa nada): Blá blá blá blá oprah oprah oprah, blá blá blá blá espiritualidade oprah blá blá...
Binhas: ...
Nat (puxa pela voz e pelos pulmões e consegue ler as legendas a alta velocidade com uma dicção quase perfeita por amor à sua avó que é surda dum ouvido): Blá blá blá a essência da vida oprah oprah oprah blá blá blá dádiva de Deus blá blá blá blá lições de coragem blá blá blá blá o bem-estar e o amor próprio blá blá...
Binhas: Nat, quantos anos tens?
Nat: ... blá blá opr... Outra vez? Já ontem me perguntaste.
Binhas: Mas não me lembro. Diz-me...
Nat: Pensa. Faz as contas.
Binhas: Vinte e sete?
Nat: Sim. Não estavas a ouvir-me a ler?
Binhas: Estava... Tu não arranjas um namorado? Para casares.
Nat (de volta à Oprah, agora em silêncio para conter o riso porque a sua avó acaba de lhe lembrar o Bruno Aleixo): ...
Binhas (murmura): Eu com vinte e sete anos já era casada. Com vinte e oito tive a tua mãe.
Nat: ...
Binhas: Será que vais ficar solteira para sempre?
Nat: ...
Binhas: ...
Nat: ...
Binhas: Logo jantas cá?
Nat: Não.
Binhas: Oh porquê?!! Oh...
Nat: Binhas, como é que queres que arranje um namorado se passar a vida aqui fechada contigo? Achas que vou dar de caras com um aqui, vindo do nada?!
Binhas: Anda jantar connosco... por que não vens?
Nat: Vou à caça de um namorado!
Binhas: Oh anda...vai caçar à tarde.
Para preservar a verdadeira identidade das envolvidas, chamemos-lhes Nat e Binhas.
Nat (solteira há quase um ano mas isso agora não interessa nada): Blá blá blá blá oprah oprah oprah, blá blá blá blá espiritualidade oprah blá blá...
Binhas: ...
Nat (puxa pela voz e pelos pulmões e consegue ler as legendas a alta velocidade com uma dicção quase perfeita por amor à sua avó que é surda dum ouvido): Blá blá blá a essência da vida oprah oprah oprah blá blá blá dádiva de Deus blá blá blá blá lições de coragem blá blá blá blá o bem-estar e o amor próprio blá blá...
Binhas: Nat, quantos anos tens?
Nat: ... blá blá opr... Outra vez? Já ontem me perguntaste.
Binhas: Mas não me lembro. Diz-me...
Nat: Pensa. Faz as contas.
Binhas: Vinte e sete?
Nat: Sim. Não estavas a ouvir-me a ler?
Binhas: Estava... Tu não arranjas um namorado? Para casares.
Nat (de volta à Oprah, agora em silêncio para conter o riso porque a sua avó acaba de lhe lembrar o Bruno Aleixo): ...
Binhas (murmura): Eu com vinte e sete anos já era casada. Com vinte e oito tive a tua mãe.
Nat: ...
Binhas: Será que vais ficar solteira para sempre?
Nat: ...
Binhas: ...
Nat: ...
Binhas: Logo jantas cá?
Nat: Não.
Binhas: Oh porquê?!! Oh...
Nat: Binhas, como é que queres que arranje um namorado se passar a vida aqui fechada contigo? Achas que vou dar de caras com um aqui, vindo do nada?!
Binhas: Anda jantar connosco... por que não vens?
Nat: Vou à caça de um namorado!
Binhas: Oh anda...vai caçar à tarde.
8 de agosto de 2009
Paulo F. este post é para si!
Volta e meia o Paulo mete-se comigo por eu abandonar o meu blog e com isso faz-me sempre sempre sorrir. Aqui está mais um post (UAU) num espaço de dias, Paulo!!!
Lembram-se desta pintura e dos pintos mergulhadores?
A minha mais recente pintura subaquática representa cada um dos membros da família, no quartinho de uma menina recém-nascida que - e passo a citar - "faz um beicinho mesmo igual ao do peixinho".
Foi prenda duma tia muito babada (olá Iva!) e é tão fácil perceber quem é quem na pintura que vou deixar que se adivinhe.
pausa para post
Lembram-se desta pintura e dos pintos mergulhadores?
A minha mais recente pintura subaquática representa cada um dos membros da família, no quartinho de uma menina recém-nascida que - e passo a citar - "faz um beicinho mesmo igual ao do peixinho".
Foi prenda duma tia muito babada (olá Iva!) e é tão fácil perceber quem é quem na pintura que vou deixar que se adivinhe.
7 de agosto de 2009
caixa de chá
Esta foi uma encomenda muito especial que a Sofia me fez. Para alguém que, além de ser adepto do FCP, gosta muito de chá. Eu e a Sofia fizemos um mini-brainstorm por email, concordámos que uma pitada de bom humor cai sempre bem e o resultado foi esta criatura, pela qual me apaixonei.
Estou a pensar tirar-lhe a conotação futebolística das riscas na camisolinha e fazer umas camisolas a sério, com ele impresso... Sugestões são bem-vindas!
Estou a pensar tirar-lhe a conotação futebolística das riscas na camisolinha e fazer umas camisolas a sério, com ele impresso... Sugestões são bem-vindas!
31 de julho de 2009
e passou julho
Não aceito ter passado um mês inteiro sem escrever nada aqui. E se há sítio onde a batota é permitida, esse sítio é a internet. Hoje já é Agosto mas eu exijo ter um post em Julho.
Tenho dores fechadas em caixinhas. Quando ouvi esta frase pela primeira vez achei que alguém me tinha visto por dentro. Quantas dores cabem numa pessoa só?
Eu vou tentando, neste caos que sou por dentro, arrumar todos os pensamentos e desenhos e pinturas em prateleiras. Tudo à vista. E ao som do riso. Mas as dores, guardo-as em caixinhas. Que vou perdendo no meio da tralha. Volta e meia desoriento-me. Perdi a conta às caixinhas que juntei. Só me lembro de acabar sentada num consultório, diante dum médico que tinha olhos azuis e a voz dos colchões colunex. Já não conseguia pensar, nem pintar, nem mexer-me com as dores. Quando abri a boca para lhe dizer das caixinhas, fez-se-me um nó na garganta e comecei a chorar antes da primeira palavra. Ele deu-me o colo de que eu precisava. Ouviu tudo tudo tudo. Segui de lá para uma farmácia.
Depois disso, socorri-me de todos os outros colos que me rodeiam e que não me fazem perguntas, nem julgamentos. O amor cura. Eu sem forças, sem risos, com náuseas. O amor cura. Algures debaixo duma montanha de caixinhas que se desmoronou, estaria eu. E que sorte a minha por tanta gente me reconhecer sem hesitar, apesar de tão desfigurada debaixo dos destroços.
Tenho dores fechadas em caixinhas. Quando ouvi esta frase pela primeira vez achei que alguém me tinha visto por dentro. Quantas dores cabem numa pessoa só?
Eu vou tentando, neste caos que sou por dentro, arrumar todos os pensamentos e desenhos e pinturas em prateleiras. Tudo à vista. E ao som do riso. Mas as dores, guardo-as em caixinhas. Que vou perdendo no meio da tralha. Volta e meia desoriento-me. Perdi a conta às caixinhas que juntei. Só me lembro de acabar sentada num consultório, diante dum médico que tinha olhos azuis e a voz dos colchões colunex. Já não conseguia pensar, nem pintar, nem mexer-me com as dores. Quando abri a boca para lhe dizer das caixinhas, fez-se-me um nó na garganta e comecei a chorar antes da primeira palavra. Ele deu-me o colo de que eu precisava. Ouviu tudo tudo tudo. Segui de lá para uma farmácia.
Depois disso, socorri-me de todos os outros colos que me rodeiam e que não me fazem perguntas, nem julgamentos. O amor cura. Eu sem forças, sem risos, com náuseas. O amor cura. Algures debaixo duma montanha de caixinhas que se desmoronou, estaria eu. E que sorte a minha por tanta gente me reconhecer sem hesitar, apesar de tão desfigurada debaixo dos destroços.
23 de junho de 2009
pinturinha
Para uma menina pequenina linda linda linda. Chamada Íris. Lá vai ela de escorrega. ^-^
(Aproveito o encanto com que fiquei de ver uma bebé tão pequenina para te mandar muitos beijinhos de parabéns, querida Marta. Felicidades!)
(Aproveito o encanto com que fiquei de ver uma bebé tão pequenina para te mandar muitos beijinhos de parabéns, querida Marta. Felicidades!)
a descoberta da semana
Chama-se Tim Minchin e junta três coisas a que eu simplesmente não resisto: boa música, inteligência e sentido de humor delirante.
Esta é a canção de amor que ele dedicou a uma boneca insuflável.
A-do-ro.
Esta é a canção de amor que ele dedicou a uma boneca insuflável.
A-do-ro.
19 de junho de 2009
hoje fui à piscina
Não há nada - biquini, fato de banho, fato de ballet, iluminação, calças, saia, tecido, postura, nada - que realce mais a gordura das minhas pernas e rabo do que uma touca de natação enfiada na minha cabeça.
29 de maio de 2009
animais de pano
Para os meus sobrinhos queridos, que ficaram com um quartinho de brincar ainda mais catita.
O quadro de ardósia é falso. Pintei um rectângulo com a tinta Efeito Ardósia da Cin directamente na parede, e aparafusei-lhe a moldura, que há-de ajudar o Francisquinho a manter o giz dentro dos "limites legais". E já que estou numa de publicidade, aproveito para dizer que os funcionários da Misturacôr - onde costumo comprar a tinta - são uns queridos (têm uma paciência infinita para me aturar).
O quadro de ardósia é falso. Pintei um rectângulo com a tinta Efeito Ardósia da Cin directamente na parede, e aparafusei-lhe a moldura, que há-de ajudar o Francisquinho a manter o giz dentro dos "limites legais". E já que estou numa de publicidade, aproveito para dizer que os funcionários da Misturacôr - onde costumo comprar a tinta - são uns queridos (têm uma paciência infinita para me aturar).
e agora um post sobre política
O Avô Cantigas concorreu às europeias. Mudou de nome mas não engana ninguém.
Pergunto-me quantas pessoas terão chegado, como eu, a esta brilhante conclusão.
Pergunto-me quantas pessoas terão chegado, como eu, a esta brilhante conclusão.
sim, estou biba!
Começo já com um eufemismo: os últimos tempos não têm sido fáceis. Teria havido muito para escrever se eu visse algum interesse em registar e tornar públicos os meus pensamentos mais pessimistas, e também se pudesse manter o anonimato. O meu bloguezinho ainda é cor-de-rosa, porque eu assim o quero.
Tirei esta fotografia na altura em que estava ainda a tentar digerir o ódio dos "falsos anúncios". Ao fim de horas e horas de trabalho. Cansada mas feliz, diante de mais um par de ovelhinhas saltitonas. Minhas. A minha vontade era de nunca mais publicar nada na internet, a não ser que fosse possível construir uma barreira à prova de ladrões. Talvez a minha mão esquerda, identificada pela cicatriz no polegar, a velar o essencial de cada imagem. Não me saía da cabeça esta frase: As minhas pinturas são minhas. Minhas.
Que triste seria se eu começasse a dar mais importância a quem me rouba do que a quem vem aqui por gosto e me respeita realmente. Que triste, se guardasse para mim cada uma das minhas criações, como se de obras de génio se tratassem. Mas o meu primeiro impulso é esse, especialmente depois de ver a minha propriedade intelectual violada várias vezes, num tão curto espaço de tempo. Se calhar devia fazer marcas d'água em tudo o que crio. Devia avisar que as pinturas estão todas registadas. Devia fazê-lo no cabeçalho do blog, em tom de ameaça, deixando no ar uma certa tensão para que os potenciais espertinhos tirassem daí o sentido. Lamento mas ainda não será desta.
Posso sempre avisar que a minha mão está em tamanho real, na foto, e que sim, eu sou grande e forte, e essa mesma mão tem uma irmã gémea, destra e certeira.
:)
Tirei esta fotografia na altura em que estava ainda a tentar digerir o ódio dos "falsos anúncios". Ao fim de horas e horas de trabalho. Cansada mas feliz, diante de mais um par de ovelhinhas saltitonas. Minhas. A minha vontade era de nunca mais publicar nada na internet, a não ser que fosse possível construir uma barreira à prova de ladrões. Talvez a minha mão esquerda, identificada pela cicatriz no polegar, a velar o essencial de cada imagem. Não me saía da cabeça esta frase: As minhas pinturas são minhas. Minhas.
Que triste seria se eu começasse a dar mais importância a quem me rouba do que a quem vem aqui por gosto e me respeita realmente. Que triste, se guardasse para mim cada uma das minhas criações, como se de obras de génio se tratassem. Mas o meu primeiro impulso é esse, especialmente depois de ver a minha propriedade intelectual violada várias vezes, num tão curto espaço de tempo. Se calhar devia fazer marcas d'água em tudo o que crio. Devia avisar que as pinturas estão todas registadas. Devia fazê-lo no cabeçalho do blog, em tom de ameaça, deixando no ar uma certa tensão para que os potenciais espertinhos tirassem daí o sentido. Lamento mas ainda não será desta.
Posso sempre avisar que a minha mão está em tamanho real, na foto, e que sim, eu sou grande e forte, e essa mesma mão tem uma irmã gémea, destra e certeira.
:)
11 de maio de 2009
momento publicitário sem fins lucrativos*
*eis que a desintoxicação chega ao cérebro
E agora eu pegava numa tablete de Milka Biscuit, num Haggen Dazs Vanilla Caramel Brownie de meio litro e num pacote de Chips Ahoy! e metia-me na cama com eles a ver a série completa dos pequenos póneis (embora eles não chegassem sequer a ver o fim do primeiro episódio).
E agora eu pegava numa tablete de Milka Biscuit, num Haggen Dazs Vanilla Caramel Brownie de meio litro e num pacote de Chips Ahoy! e metia-me na cama com eles a ver a série completa dos pequenos póneis (embora eles não chegassem sequer a ver o fim do primeiro episódio).
7 de maio de 2009
a mulher que não queria crescer
Ela era tão adolescente, tão adolescente, que ouvia os Azeitonas em alto som e cantava enquanto trabalhava. E o seu trabalho era desenhar bonecos.
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