30 de setembro de 2008

projectos atrasados III - ferramentas




... para pintar na bata da Carmen. :)

29 de setembro de 2008

observações de ginásio

Os professores são todos muito simpáticos e formados no sentido de nos motivar e tratar muito bem a todos tuodos. "Como é Natacha? Como estamos? Cinco estrelas!" - Sempre bem dispostos e sorridentes, muito optimistas ("Excelente, Natacha!") mesmo quando os cromos que não sabem mexer nos botões das máquinas (eu) já estão vergados a escorrer suor e só desejam é desmaiar e ser levados em braços musculosos para longe dali. Por falar nisso, Vitó, se leres isto, não há batata (dizem os meus professores que se chama bicep, que disparate) como a tua, Vitó. Não há batata igual. Ouve o que eu te digo que eu ando no meio deles. Fon fon fon, Vitó. Fon fon fon!

Por falar em posts sobre ginásio, o que eu me ri a ler esta maravilha.

26 de setembro de 2008

os meus superpoderes

Após uma ida ao supermercado, constato que constipada como estou, ainda tenho mais superpoderes incríveis e magnéticos.

Não há caixa de supermercado que não pare de funcionar quando eu decido entrar na fila. Ou é o código que não lê, ou é uma fruta que não foi pesada, ou é o telefone que toca, ou acabaram-se as moedas de um euro. E não adianta trocar de fila. Eu paro-as a tuodas!

Chego ao carro com seis toneladas de sacos nas mãos e um pacote de papel higiénico debaixo do braço. Com a chave pendurada no dedo mindinho e sem tocar no comando, olho fixamente para o carro e espero ouvir o tchc-tchc.

Chegada ao prédio nos mesmos preparos, uso o comando do carro para tentar abrir a porta de casa.

O meu superpingo do nariz aproveita que eu tenho todas as mãos ocupadas e lança-se até ao queixo.

mais ratinhos

Para outro projecto, a que pertence o Fantinho Vermelho. Estes são quatro dos sete anões.

25 de setembro de 2008

ratinhos no jardim


Na casa dos meus pais costumam aparecer ratos. Ou por iniciativa própria, ou pela boca dum gato. Adoro-os (e novidades?). Adoro os olhinhos, as patinhas que são mãos em miniatura com dedos e unhas perfeitos, o pêlo, tudo. Nos pequeninos pego facilmente (nunca me apareceu uma ratazana a precisar de ajuda), vivos ou mortos. Uma vez salvei um ratinho do campo de morrer na brincadeira frenética do gato. Fui com ele na mão até a um sítio seguro, perto de muitas ervas e pedras e longe do olhar de quem me acha maluca.

"Oh pequenino, tão pequenino que ia morrer... aquele estúpido! Mas eu não deixei que tu és tão pequenino, tão querido... os bigodinhos, os olhinhos, o narizinho... inho inho inho. Pronto, vai-te embora livre e feliz. Vai à tua vidinha."

Abri a mão junto ao chão para que ele saltasse quando quisesse. Não o fez sem antes, farto da minha conversa lamechas (quem é que está para me aturar logo após uma quase-morte?), me olhar pelo canto do olho e me dar uma valente dentada na ponta do dedo.
Acabou-se logo o romance.

24 de setembro de 2008

tão lindo

Há uns tempos, em ocasiões diferentes, a Sapatinhos de Verniz e a Marta Figueroa lembraram-se de mim e de partilhar comigo umas pinturas em parede que dão vontade de comer. Obrigada, queridas. Não conhecia e adorei!
Agora senti vontade de partilhar também: Ami Suma.

21 de setembro de 2008

quem quer uma gatinha?

A Hamleikah tem três para dar. Eu, se pudesse e como já lhe disse, ficava logo com duas.
Adoro gatos. Conheço muitas pessoas que os detestam. Normalmente têm algum trauma de infância, alergias, medo. Nunca dormiram com um, nunca ouviram um ronrom ao pé do ouvido, ou receberam marradinhas, nunca nenhum se lhes mostrou totalmente feliz e confiante deitando-se no chão de barriga para o ar e olhinhos fechados. Adoro gatos mas sou suspeita.

19 de setembro de 2008

parece que ouço água a correr



Muito obrigada pelas palavras de apoio, de carinho, de amizade. Muito obrigada a quem volta porque se identifica com alguma coisa que aqui deixo e não para me julgar. Muito obrigada.

18 de setembro de 2008

pelo sim pelo não, vou comprar uma arara

Toca a campainha de cá de cima. Eu de cuecas que vou já tomar banho. Estou só aqui a ver uma coisa na net e vou já tomar banho, que eu não ando nua pela casa, que é isso?

- Quem é? - ouço movimento do outro lado da porta e ninguém responde - Quem é?!
- Queria falar com a senhora. - uma voz de homem. Só disse isto, num tom arrepiante. A uns metros de mim. Só a porta nos separa e eu de cuecas, porra, de cuecas. É um tarado! É um tarado de outro prédio que me viu nua, pronto. Quem é que te manda andar de cuecas pela casa? Achas que os vizinhos não têm binóculos???
- Não posso abrir. Quem é?!

Silêncio. E eu sozinha em casa. Não me atrevo a mexer. Calha de o taradão ter visão raio-x e ver através da porta e eu de cuecas. Fico aqui sentada e ouço os movimentos dele. Que nojo! O que estará ele a fazer ali ainda? Eu devia ir espreitar pelo buraquito e ver a cara dele. Ah! Está a tocar na casa do vizinho! Também viste o vizinho nu, não é? Taradão! Sai das nossas portas, seu porco. Que medo pá! Que. Medo.
Vou ver. Ao menos decoro-lhe a cara. Coragem.

Encontrei isto no chão. Enfiado silenciosamente por baixo da porta. Já não sei o que fazer. Um dia atribuo-lhes uma etiqueta aqui no blog...

17 de setembro de 2008

os animais não pensam

Disse a minha professora de Filosofia do 10º ano. Nunca me vou esquecer. Os animais não pensam.
Há tempos a Raquelita mostrou-me este vídeo, enquanto repetia "Podes ver, podes ver, ele não morre!" e eu "Ai chega à frente, chega à frente!", a tapar a cara com um pano da louça.
Eu vou sempre dar uma voltinha aos outros canais quando estou a ver documentários sobre animais selvagens e chega o momento da caça. Mas este vale a pena. É que os animais não pensam. É o instinto, diria talvez a minha professora de Filosofia.

15 de setembro de 2008

re desenhar


Empurrei o meu cansaço e dificuldade em trabalhar até ao limite. Um dia, estava sentada numa esplanada com o bloco de desenho na frente. Tentei fazer um dos meus animais, de memória. Um dos que já se repetiram mais vezes, o macaquinho do barco dos sonhos. Que nasceu da minha cabeça, da minha mão.
Não consegui.
Tentei outra vez e não quis acreditar quando vi um boneco que parecia mais o Woodstock do que outra coisa.
Continuei a tentar.
Enchi a folha.
Desisti.
Está tudo bem. Estás só cansada. Se disseres a um cliente "Sabe, a torneira dos desenhos entupiu." não esperes que ele te compreenda. Não com essas tuas descrições mal conseguidas. Está tudo bem. Está tudo bem...
Muito poderia dizer para tentar explicar-me. Explicar primeiro o processo que me leva a fazer um desenho, como é que um desenho sai. Mas senti que de explicações já eu estava farta, de racionalizar o irracional. Era o limite. Não bastavam as falhas de memória absolutamente inacreditáveis, a dificuldade em articular palavras, o choro fácil. Não. Foi preciso chegar ao limite de não conseguir desenhar. Parabéns Nat. Agora cuida-te. Atreve-te a dizer que não consegues desenhar.

Foi à força que estes dois anjinhos nasceram. Longe dos desenhos que fazia já quase a dormir enquanto ouvia a televisão e que passavam sozinhos da minha mão para o papel. Tiveram um parto difícil, estes dois anjinhos, mas não são menos amados por isso.

Quem vem diariamente aqui parar em busca de imagens no Google, e entra aqui sem sequer saber onde está, guarda a imagem no seu computador e sai em bicos de pés, saiba:
Saiba que a imagem que tirou daqui sem autorização leva agrafados direitos de autor, suor e, às vezes, lágrimas.

ao espelho

Espelho meu, espelho meu... escusas de responder, eu sei, eu sei. Este corte de cabelo fica-me mesmo bem. Pareço ainda mais maluca. Deixa-me fazer cara de ingénua. Sou tão bonita assim de ladex, devia andar sempre de ladex. Que linda sou... o cabelo assim despenteado... TU! Que fazes tu aí?! Que ousadia... deixa-me apanhar-te que vais ver onde vais parar, meu grandessíssimo filho duma cabela branca.

13 de setembro de 2008

Tenho saudades do Porto.
No dia em que enfiei tudo em sacos para vir embora, estávamos eu, a Carlita e a Raquelita (duas asmáticas). Eu com o meu discurso anti-dona-de-casa:

"Eu não limpo o pó! Deixo que se vá acumulando até ter três dedos de altura. Depois é só pegar-lhe por uma pontinha que ele sai como um cobertor!"

Orgulhosa dos meus princípios, desatei a pegar em tudo à bruta, naquilo que era a despedida do meu último quarto no Porto, depois de cinco anos que passaram tão depressa. De repente não conseguíamos ver-nos umas às outras. Não há a festa da espuma? Aquela era a festa do pó. A Raquelita fugiu, aflita, com uma mão na cara. Foi tão cómico, como tantas outras coisas que fazíamos as três juntas...

(suspiro)

Bruxinha, tenho sempre saudades. Jantei com a outra croma há dias, ela não lê isto portanto posso chamar-lhe o que me apetecer. Vou passar a chamar-lhe A Noiva Cadáver, que achas?

12 de setembro de 2008

por dentro

Lá fui, dorida por dentro e cansada. Tão cansada que me podiam enfiar num dicionário, a ilustrar a definição de cansaço. Fui. Bem disposta e sorridente. Mas tão dorida e tão cansada, por dentro. Tudo por dentro, é sempre por dentro. O que quer que fosse que havia por dentro, saiu-me disparado boca fora. Berros estridentes, histéricos e incessantes. Berros de antecipação, de medo, de absoluto gozo.
A montanha russa caía a pique num túnel escuro. Nós os cinco e outros quantos. Eu aos berros aos berros aos berros, só parava para respirar.
Ter amigos é bom. Ter quem nos ame e nos tolere. Só os amigos que nos conhecem o por dentro é que suportam passar pela inevitável vergonha que é andar com alguém como eu de montanha russa.

O que por dentro havia, saiu. E pelo caminho arranhou-me a garganta.

tourada na sic

Ontem, achava eu que ia adormecer a ver uma série da Sic, quando dei de caras com uma Tourada.
Acho que sim. Parabéns à Sic por se juntar aos restantes canais. Aproveitei para ver um bocadinho. Fico sempre concentrada nas bandarilhas. Como é que aquilo se enfia na carne do bicho e não sai, por mais que ele corra, por mais que se abane, por mais homens que lhe caiam em cima e o agarrem e puxem e se esfreguem na ferida aberta. As bandarilhas são uma beleza. Gostava que lhe fossem arrancadas do corpo quando ainda está na arena, gostava de ver quantas pessoas ficavam para ver.

Cada vez gosto menos de ver televisão. A televisão portuguesa, em geral, deprime-me. E lamento.
Felizmente comprei o dvd do Tao Tao.



PS: A Animal sugere no blog a quem discorde do sucedido que manifeste o seu desagrado contactando a Sic através do endereço de email atendimento@sic.pt, ou telefonando para o 808202822.

11 de setembro de 2008

coisinhas da bida

Descobertas de ginásio:
1. Não tenho força nos braços nem nos peitorais - tive de me humilhar tentando fazer flexões. Fiz duas, com direito a quase-morte e ataque de riso.
2. Se for um computador a dizer-nos os dramáticos resultados da nossa avaliação física, o instrutor livra-se do papel de carrasco e seguimos amigos e felizes para o ginásio.

Cinema. Vimos o Mamma Mia numa sala esgotada às gargalhadas.
1. A Meryl Streep é genial. Até calada e quieta a mulher é boa. Adoro-a.
2. Acho que qualquer pessoa consegue gostar de musicais como este. Eu tenho vontade de ir vê-lo outra vez.
Aqui fica o trailer:

9 de setembro de 2008

à espera da Matilde





Se algures dentro de mim existe uma torneirinha de onde saem as ideias e algures dentro de mim existe uma calha que as leva até à minha mão direita, esse mecanismo está avariado e seco há bastante tempo.
Pintei o quarto de uma adolescente com barras de cores vivas. Zero bonequinhos. Zero mão livre. Zero máquina fotográfica para mostrar como ficou. Zero incómodo, que ultimamente nada me incomoda.
Este quartinho pude fotografar graças à Sara que me emprestou a máquina dela. Obrigada :)*
Foi um regresso feliz porque além de ter estado na óptima companhia da Sandra (que pintou os móveis) pintei longe do olhar dos pais da Matilde, o que possibilitou uma grande surpresa, no fim. Há muito tempo que não via clientes tão emocionados. Agora olho para estas fotografias e lembro-me da expressão nas caras deles, do que me disseram e das dores nas minhas bochechas, de tanto que sorri, desfeita em obrigadas.
:)

8 de setembro de 2008

o que eu me rio sozinha

- 'Tá?
- Sim, Natacha Santos?
- Sim, quem fala?
- Daqui é o Mr. Músculo, o seu treinador do ginásio Nã Sê Quê. Ligo-lhe para combinarmos o dia em que virá cá pela primeira vez blá blá blá...
- Minha nossa senhuora não!!! Naaaaaaaaaaaaaaaaaão!!!!!!!!! - Sim, sim. Estou disponível no dia xyz.
- Nesse dia vou fazer-lhe um curto questionário sobre o seu passado desportivo, blá blá blá...
- Bem eu já fiz ballet e natação, nado muito bem, até sei nadar mariposa, adoro dança contemporânea mas o que gosto mais é de estar parada a comer gelado... - Hum. Sim.
- ... depois faremos uma avaliação da sua condição física, blá blá blá...
- Ó pá! Com uma chave inglesa a medir-me os pneus? Eu não tenho amor à vida. Agora o homem vai medir-me as banhas. Dignidade, onde estás, dignidade minha? - Hum, sim sim.
- Por fim planearemos o seu programa de actividade física e traga roupa adequada porque vamos pô-lo em prática!
- Deus meu vou cuspir um pulmão! Dois! Um pela boca e outro pelo nariz! Ai Mr. Músculo preciso mesmo da sua ajuda que recentemente descobriram no meu blog que eu sou gorda, não sei como, juro que não sei como mas descobriram e eu estou de rastos... ai Mr. Músculo... será que és bonito?... - Ah. Hum hum. Com certeza, combinado!
- Até lá então! Boa tarde.
- Obrigada! Até lá! Boa tarde... Preciso de um Magnum Double JÁ.

mais


A Sandra enviou-me esta fotografia. Obrigada. :)*

Continuo sem máquina fotográfica e a vasculhar o Flickr. Encontrei:

Beatas embaladas - a fotografia que despoletou a minha paranóia, há meses atrás.

Uma pintura feita com beatas.

O gesto repetido vezes e vezes sem conta.

Um recado original.

Uma beata só é pequena dependendo do ponto de vista.

3 de setembro de 2008

ser louca é isto mesmo

Ouvi na televisão uma voz de criança curiosa "E tu, por que é que tens cabelos brancos?" - era a publicidade à colecção Era uma Vez o Homem, com aquele boneco que é feito da própria barba. Aquela pergunta era comigo. Quer dizer, não era, mas a carapuça serviu-me tão bem que imediatamente olhei para o ecrã roxa de raiva e quase gritei:

"E tu, queres levar uma trolitada no meio da testa? EU NÃO TENHO CABELOS BRANCOS!"

1 de setembro de 2008

sms

Ter telemóvel já não é giro como antigamente. Quando o meu pai me ligou pela primeira vez para o cartão Yorn (a Yorn é muito à frente e super jovem) e foi parar ao voicemail, começou a sua mensagem de voz dizendo "Nat, esta rapariga que me atendeu é uma desbocada. Tratou-me por tu!". Foi há tantos anos e ainda hoje me rio.
Eu sou do tempo em que apareceram as mensagens escritas. Eram de borla. Dei aos dedos até não poder mais. Namorei por sms e disse por escrito o impensável de se dizer cara a cara... Agora tenho preguiça de as escrever. Mas lidas à distância de alguns dias, até as mais simples são difíceis de apagar. Enviadas ou recebidas. Aqui estão algumas. Adoro.

"Vou de viagem. Vejo nuvens no céu que só me lembram de ti. Mil beijos."

"Nat, acordei agora! Raisparta o despertador, é do Lidl. Lol!"

"Bamos a Biana carago! Queres bir connosco dar uma bolta?"

"Já estás comida? Eu farei cocó e sigo para aí."

"Comprei mealheiros para mim, para ti e para o João. Seremos ricos."

"Posso ir contigo ver vestidos noutro dia? Desculpa. Mil beijos e peidinhos."

o escafandro e a borboleta

Ontem vi este filme. Dei comigo lavada em lágrimas. Não me ocorre pior condição que esta de se viver aprisionado dentro do próprio corpo. Saber que a história é verídica, assim como o são as dos doentes de quem os meus amigos enfermeiros cuidam, só me faz sentir vergonha dos meus pequenos dramas, das minhas dores, dos meus medos. Este é um filme a não perder, assim como o Mar Adentro.

31 de agosto de 2008

de olhos no chão e sem máquina na mão

A minha máquina fotográfica morreu mesmo. Que falta me faz. Sem ela vejo o meu manifesto anti-beatas-no-chão a meio gás. Mas não é grave. Pus-me a pesquisar e encontrei pessoas cujas máquinas não avariaram. E mais, pessoas que pensam como eu, têm ideias muitíssimo mais originais, expressam a sua opinião e, ao que vejo, não são agredidas. Eis:

Beatas no chão à porta dum bar de Toronto.

Um carro de beatas.

Um senhor que decidiu catar lixo e (não pode!!!) encontrou mais beatas que outra coisa.

Beatas.

Beatas gigantescas.

O "beatão"!

Se alguém desse lado se deixou contagiar pela minha paranóia, quiser fotografar o que eu não posso e enviar-me por email para eu publicar aqui, fico muito agradecida.

25 de agosto de 2008

fon fon fon

Há uns meses estava eu no comboio, entre uma pintura e casa. O telemóvel apitou e era uma mensagem do Tiaguinho, mais ou menos assim: Nat, ouve o cd "Deolinda - Canção ao Lado" que vais gostar.

Hoje caí no MySpace dos Deolinda. E apaixonei-me por esta música que se segue. O cd será meu assim que o vir.



Tiaguinho que me adivinhas. Saudades... um abraço daqueles.

24 de agosto de 2008

eurocêntimos

Isto está bonito sem máquina fotográfica... só me ocorrem coisas perfeitamente idiotas, que são as que mais me fazem rir. Agora lembrei-me dum dia em que estava lá no sul com a Di. Estávamos a adormecer já com a luz apagada e eu já estava mais para lá do que para cá, que é quando tenho visões incríveis e as consigo descrever, apesar da baba.

"Di! Eu vou ganhar 6000 euros Di! Eu sinto! Seis mil euros. Tenho de jogar no Euromilhões. Vou jogar no Euromilhões..."

Na sexta-feira seguinte fui jogar no Euromilhões com dois queridos colegas da Di. Passei o resto da tarde a papaguear aos ouvidos de um deles (olá Vitor! ^.^) acerca da minha sorte grande, a imaginar como seria a histeria de ficar milionária em directo, a visualizar os números, a simular o sorteio, a quase-rezar pelos seis mil euros MEU DEUS EU ESTAVA PRESTES A FICAR MILIONÁRIA!
E pelo meio:

"Mas... Vitor... Seis mil euros não chegam sequer a um milhão! Não vou ficar milionária coisa nenhuma!"

Ao que ele me respondeu, sábio:

"Pensa em cêntimos, Nat. Milhões de cêntimos!"



Escusado será dizer que nessa noite voltei a cortar relações com o Euromilhões.

a culpa é da Naide Gomes

Hoje sonhei que tinha uns abdominais iguais aos dela. Contraía-os, em frente ao espelho e tocava-lhes, incrédula, com a ponta do dedo. Era tudo músculo. Até o meu umbigo estava diferente. Ficava tão orgulhosa que me punha a dançar como a Shakira.
Acordei e a primeira coisa que fiz foi confirmar se a minha barriga mole tinha mesmo desaparecido.

Em vez de dançar, cantei Es una tortura... perderte!

23 de agosto de 2008

este post é uma adivinha para os que não gostaram da anterior

Qual é a coisa, cal é ela, que ainda agora falei nela?

este post é dedicado a todos os que não acreditam que eu sou mesmo um doce



Só para quem não me conhece pessoalmente, eu sou aquela verdinha que escorrega na risca amarela do arco-íris. Acredite quem quiser.

22 de agosto de 2008

R: beatas, ora pois!

Conto-as, chocada. Pareço tolinha mas não me interessa.
Os meus pais e a minha avó nunca me admitiram sequer a possibilidade de deitar lixo para o chão. A minha avó, quando via bem e via alguém a deitar algo para o chão, não hesitava em se aproximar do porcalhão e dizer que a rua é de todos. Admiro-a. Eu fico a olhar, horrorizada. Estamos no século XXI e ainda existem pessoas que não conhecem o conceito de pequenos actos.
Não digo que os fumadores (parte deles, claro) sejam os únicos a sujar o chão mas são com toda a certeza os que o fazem mais descontraidamente, vezes e vezes seguidas. Eu vejo. Acabam o cigarro e a beata tem lugar guardado no chão (e o chão é tão grande e eu sou mesmo mesquinha), mesmo que a dois metros dum caixote do lixo. Porque sim. Porque até se apaga com o pé e pronto. Porque estando no chão já não lhes pertence. Ou porque lançadas por uma janela ganham asas e voam felizes até ao país das beatas.
Uma beata é só uma beata. Mede uns centímetros porra, e é biodegradável. E eu é que tenho este mau feitio. E se for a multiplicar as beatas que um fumador deita para o chão num dia pelos dias em que o fez e os anos há que fuma, ó minha gente, é tão pouco!!! E multiplicado por todos (quantos?) os fumadores que o fazem, pfff... quando acabar a conta já elas se degradaram todas todinhas e adubaram a Terra!

Se há coisa de que tenho a certeza hoje, é que a tolerância consiste em aceitar e respeitar as diferenças, e não fechar os olhos fingindo aceitar o inaceitável.

A rua é de todos e também é minha.

adivinha

Tenho andado pelas ruas a olhar para o chão. Elas são dezenas e dezenas, da casa dos meus pais até à minha. Mas em Lisboa, meus amigos... Os passeios e valetas têm outra graça. Na calçada portuguesa então, não há vassoura que as apanhe.
Enojam-me. Tenho vontade de as catar todas, contar, distribuir em sacos e devolvê-las, num acto simbólico, a quem de direito. E dizer "Olhe faz favor! Deixou cair isto.".

O que são?

21 de agosto de 2008

vi-a

Vi-a. O sangue ferveu-me nas veias. Não há pessoa que eu odeie mais na vida do que ela. Sim, eu que se não fosse gente seria um pequeno pónei e que me comovo a observar plantas e insectos. É um ódio tão grande que gosto de me imaginar a atropelá-la. O meu sonho é pôr-me a dois palminhos dela, olhá-la nos olhos e dizer "Odeio-te. Cabra do monte. Odeio-te!" - aposto que o ódio até me passava. E de seguida era presa.

19 de agosto de 2008

desculpinhas

... a quem vem aqui e fica desapontado como eu fico quando vou aos meus blogues favoritos e dou de caras com o mesmo post, dias e dias seguidos. Eu estou por aqui, ainda de férias e ainda muito cansada. Longe da internet e volta e meia de olho nos Jogos Olímpicos. Sempre que vejo um atleta a chorar, seja de alegria ou de tristeza, fico com um nó na garganta e apetece-me ir para dentro da televisão abraçá-lo muito.

A máquina fotográfica avariou. Está tal e qual a dona.
Até já.
Beijinhos.

9 de agosto de 2008

azul


No Algarve o sol não se põe no mar. É giro.
Longe do sol vermelho, a luz é azul. O muro caiado da praia, a areia e os seus habitantes. E eu. Azul.

branco







31 de julho de 2008

gratidão

Hoje no supermercado escorreguei num iogurte derramado no chão. Pensei no pior.
Estou rodeada de enfermeiros. Contam-me dos acidentes estúpidos que atiraram os seus doentes para camas e cadeiras de rodas para nunca mais se levantarem. Alguns são vegetais. Outros são conscientes e perfeitamente lúcidos, encarcerados em corpos atrofiados. Existe um que para comunicar pisca um olho.
Há dias pedi à Di que me levantasse como faz aos tetraplégicos. Quem nos vir juntas ou souber da nossa diferença de trinta quilos, não acredita na facilidade com que ela o fez, enquanto eu me fazia mole e nada cooperante. É isto que estes enfermeiros são. Pessoas que à primeira vista são só pessoas iguais às outras. Faço-lhes perguntas ingénuas. Não fosse o eu pedir pormenores e eles nem se lembrariam de me dizer que sim, mudam fraldas e dão banhos diariamente, a adultos conscientes. Limpam-lhes os recantos mais humilhantes do corpo. Imagino-me numa cama, despida de roupa, de mobilidade e de independência. Para sempre. Graças a um acidente de viação de que não tenha culpa, a uma queda, a um mergulho no mar, a um iogurte no chão.
Estou rodeada de pessoas da minha idade que se abalaram mais de 500 km para longe de casa, família, amigos e namorados para terem o emprego em que se formaram. São anjos da guarda da dignidade alheia. Admiro-os ao ponto de não arranjar palavras.

Hoje fui pintar com um dos doentes da Di. Há uns meses era um adolescente que desenhava muito bem. Há umas horas pedi-lhe que me apertasse a mão se quisesse que eu lá voltasse. Tenho quase a certeza de que apertou.

Sou tão grata pela vida que tenho. Sou tão grata à mãe deste rapaz por me autorizar a ir lá, me receber com sorrisos e nem hesitar em nos deixar fotografar. E por me fazer ter vergonha de pensar que ter excesso de peso, vertigens e péssima visão no olho direito são limitações físicas.

Obrigada.


29 de julho de 2008

constatação absolutamente estúpida

Não tenho flexibilidade suficiente para chegar ao meio das costas e pôr protector solar, mas para coçar desesperadamente esse preciso sítio, após um valente escaldão, tenho mais que suficiente.

28 de julho de 2008

companhia na praia

Hoje fomos a uma praia que tinha escaravelhos pretos. Azeitonas andantes que deixavam desenhos lindos na areia. Vimos um que se pôs à sombra de uma concha. Tão lindo.
Estive a observar este, que depois de muito andar perto da minha toalha, parou e pôs-se a mexericar na areia. Imaginei logo que estaria a comer, então dei-lhe um pedaço de bolacha do salame de chocolate que levámos para lanchar. Comeu alarvemente. Agarrou-o com as duas patinhas da frente e encheu as bochechas. Ouvi-o a rir. Comeu tanto que perdia o equilíbrio de vez em quando e tombava, sem nunca largar o seu tesouro. No fim limpou a boca e foi dormir uma sesta, debaixo da areia, ao meu ladinho.


mais

A julgar pelo que os meus olhos e câmara têm captado, parece que as rodas dentadas estão, lentamente, a desenferrujar.










26 de julho de 2008

algarve

O Algarve tem azul no céu, branco nas paredes e vermelho na terra. Escaldões na pele, gelados na mão, sal no mar e cactos no chão.










As três da sombra vieram meter-se entre profissionais de saúde. Eles sem farda são anjos na mesma. Têm o poder de curar. A mim pelo menos, sim. Com muito riso e paciência. E carinho.
Descobri que os algarvios não sorriem logo, mas sorriem. Há gelados caseiros de sabores obscenos. Conto regressar ao norte usando o meu diâmetro como meio de transporte.

21 de julho de 2008

volto já

Há uns tempos a internet diagnosticou-me um esgotamento. Até chorei um bocadinho quando reli e vi que a carapuça continuava a servir-me tão bem. O meu cérebro desmaiou. Houve pelo menos uma parte dele que simplesmente desligou.
Eu não me queixo. Ontem, num pranto, disse à minha mãe que devia queixar-me mais, enquanto a Gioconda me lambia o braço (a Gioconda não suporta ver-me a chorar). Eu nunca me queixo. Estatisticamente. E devia queixar-me sim, que é para os outros verem que os felizes também sofrem.
O meu cérebro desligou-se e isso é grave. Sinto-me engolida por um bicho e vejo o mundo e desloco-me, tudo dentro desse bicho. É como se não fosse eu a fazer as coisas. Há uma força maior que me empurra. Mais um desenho. Mais um. Só mais um antes das férias. Sinto-me engolida, lentamente digerida. Não consigo parar de pensar que estou tão cansada... tão cansada. E o meu cérebro, coitado, esta coisa que antigamente mexia e tinha comichão na meninge, hoje de manhã suspirou, só mesmo para me lembrar que não está morto: quando acabei de pôr a roupa a secar vi que tinha feito um degradê de camisolas.
Amarelo.
Verde lima.
Azul claro.
Azul escuro.
Cinzento.

Eu volto já.

18 de julho de 2008

sim, sou neurótica

Sábado. Tenho uma carta pronta para pôr no correio. Mas é Sábado. Digo de rajada e no meu melhor tom desesperado, à Cilu:

- Ai ai achas que se puser esta carta no correio hoje ela vai ser esmagada por todas as cartas de Segunda-feira e por ficar no fundo mesmo no fundo pode mais facilmente perder-se e jamais chegar ao destino???

Ela:

- 'Tás parva? Nem percebo o que queres dizer.

E fomos juntas ao correio.

17 de julho de 2008

quase férias do Verão

Ainda a desenhar. Tento abrandar o ritmo. O cansaço não me larga. As falhas de memória. O calor. O biquini novo que não faz milagres. Em breve farei mais de 600 km rumo ao sul, acompanhada da minha Cilu e do S. Vomidrine*. Graças aos céus...

O desenho é uma proposta de pintura. E sim, para passar a vida a desenhar animais felizes e amorosos é preciso adorar animais. Ainda tenho o touro ensanguentado na cabeça.

um segundo

Contei. Um segundo. Recebi o email da MATP e fui ver o tal anúncio da Vodafone que tem tourada. Um segundo de tourada. Até a mim me passaria ao lado.
São representados inúmeros países através das suas imagens de marca. Imagino que a tourada represente Espanha. No meio da cor, da música e da alegria do protagonista do anúncio, até a mim me pareceu uma coisa alegre, o touro a correr, tão giro.
Mas.
E se o segundo de tourada registado fosse este? Seria mesquinho indignarmo-nos? Também é tourada, também é Espanha, suponho.

Aproveitei para ver a galeria de fotos do Irish Council Against Blood Sports e obviamente acabei a chorar. Sou cliente Vodafone há oito anos. Vou escrever para lá agora mesmo.