12 de fevereiro de 2009
di
o meu umbigo
Não tarda nada começo a queixar-me da celulite que tenho nas pernas.
E é agora que eu acordo. E me lembro do valor das coisas. Tiro os olhos do meu umbigo, penso em quem gostaria de ter um par de pernas como estas minhas, saudáveis, ágeis, flexíveis. Quem gostaria de simplesmente poder andar. E sinto vergonha.
11 de fevereiro de 2009
amor incondicional
Preto
branco
sucedâneo
de leite
na páscoa é ovinho
no natal é enfeite
No leite
no pão
assim ou assado
na fruta fondue
na roupa pingado
Quente
morno
frio
gelado
derretido ao sol
no tacho queimado
Em qualquer receita
seja boa ou má
muito doce
amargo
com café
com chá
Bombom maciço
bombom com recheio
não havendo bombom
haverá brigadeiro
Chocolate eu amo-te
comi bolo encruado
dá-me a volta a barriga
e pago assim o pecado
pensamentos na sanita
tchhhhhhhhhhhhhh
é o som do chichi a sair ou do chichi a aterrar?
9 de fevereiro de 2009
um dia abriram-se-me os olhos
Eu dizia que tinha mau feitio. Que sou teimosa - sou; que sou obstinada - sou; que de mau humor ninguém me queira por perto - sim; que levo muito a mal a indelicadeza em geral - ui; que detesto receber ordens - de tes to; que sou muito exigente - também. Mas isso, ao contrário do que eu pensava, não é garantia de mau feitio.
Um dia abriram-se-me os olhos. Eu não tenho mau feitio. Salva pelo meu optimismo, pela capacidade de engolir uns sapinhos para que não haja barulho, pela pouca expectativa em relação a quase tudo. Um dia observei feitios tão mas tão piores que o meu.
Um dia abriram-se-me os olhos. Não é que eu tenha bom feitio. Mas mau também não é.
8 de fevereiro de 2009
domingo de chuva
Di, danças comigo?
5 de fevereiro de 2009
bonecos de pano
Pendurados, apoiados ou escondidos atrás dos objectos. Imaginei a girafa com dois metros de altura, a aparecer vinda detrás duma porta. Esta é uma maneira mais barata de fazer um boneco grande: esconde-se-lhe mais de metade do corpo. O mesmo para o urso.
As minhas pinturas favoritas são estas em que os bonecos habitam recantos improváveis. Embora dê um trabalhão e algumas cãibras aceder a rodapés, interruptores e radiadores com tinta no pincel e mão firme.
O meu trabalho faz-me muito feliz.
4 de fevereiro de 2009
pensamentos na cozinha
Claro que sim.
3 de fevereiro de 2009
querido continente
A partir de agora, Fibra Flakes é no Lidl.
2 de fevereiro de 2009
16 coisas sobre mim
Fui desafiada pelos meninos:
Sandra
Obrigada, amiguinhos virtuais. Aqui está o meu trabalho de casa:
1 - Quando me apresentam alguém nunca consigo decorar o nome da pessoa. No segundo beijinho já não sei como se chama. Mas tenho uma memória espectacular para decorar letras de músicas.
2 -Sofro de humor negro compulsivo. Ninguém devia subestimar a minha capacidade de fazer observações estúpidas e comentários inapropriados, pois tenho sempre um debaixo da língua, mesmo para as situações mais dramáticas. Felizmente ainda tenho autocensura. Muitas vezes não digo o que penso, portanto.
3 - Costumo ser muito bem disposta e faladora mas quando me dá o sono - o que acontece de forma abrupta, a partir das 22h30 - transformo-me em abóbora.
4 - A minha capacidade de comer chocolate ultrapassa o limite do razoável. Faço um número de ilusionismo impressionante que envolve somente a minha boca e uma tablete de 300 g de Milka.
5 - Gosto de camisolas com borbotos e tenho roupa podre de velha. Uso todas as semanas umas sapatilhas com mais de 10 anos e uma saia com 13.
6 - Tenho horror a desperdício. Acumulo muito lixo graças à possibilidade-de-um-dia-reutilizar-isto-quem-sabe-daqui-a-três-anos.
7 - Tenho memória fotográfica. Desenvolvi a capacidade de memorizar as folhas dos apontamentos por onde estudava para "copiar" as respostas nos exames. Só isso explica que tenha passado a disciplinas que nunca dominei, desde a escolinha até à universidade.
8 - Sou alérgica a pêssego.
9 - Tenho muito apreço pela minha mão direita. Por isso, sempre que faço alguma coisa em que arrisque magoar uma mão, uso a esquerda.
10 - Tenho pé chato e faço tendinites graças a isso (disse o ortopedista). Só uso calçado muito muito muito confortável.
11 - Faço a espargata com a perna direita à frente.
12 - Toco com a língua no nariz.
13 - Ninguém me peça para dar recados importantes.
14 - Vejo mal mas ouço muitíssimo bem.
15 - Aprendi com a vida a desdramatizar tudo. Não levo nada nem ninguém (incluindo eu própria) demasiado a sério.
16 - Tenho horror a formigas quando em grupos de mais de dez elementos.
31 de janeiro de 2009
27 de janeiro de 2009
no fundo do mar
pequena anedota seca que inventei ontem
26 de janeiro de 2009
mais um
A seguir estava na varanda dum primeiro andar da qual tinha de descer, sabe-se lá porquê. Ficava paralisada com as vertigens. O medo era tão real, tão real. A minha avó e o meu pai ajudavam-me. Na verdade a minha avó pegava em mim ao colo (como se eu fosse leve e ela fosse forte) e eu fechava os olhos enquanto tentava agarrar-me com todas forças para não cair. O meu pai lá em baixo, a ver.
E onde estava o Batman nessa altura? Onde?!
14 de janeiro de 2009
jumpin' jive
Aqui fica a versão original - uma delícia - que é de 1943(!).
11 de janeiro de 2009
que fique registado
8 de janeiro de 2009
músicas de ginásio
Eric Hutchinson - Oh!
6 de janeiro de 2009
o meu coração é teu
Sim, Ikea, eu quero casar contigo.
meu rico bloguezinho
Dois anos de blog. Se os blogues fossem, como muita gente iludida pensa, a verdade sobre os seus autores, então poder-se-ia concluir que eu ando a dormir. Porque este blog anda adormecido, coitadinho do meu Vermelho Devagarinho. Agradeço a todos os que ainda vêm cá todos os dias. Gosto muito que cá venham e lamento que isto ande assim. Não está para acabar, o meu cantinho mistela, não senhor. Estou só muito longe do computador. Paciência. Um dia destes volto a pôr aqui muitas fotografias. E desenhos e pinturas. Quando a vontade voltar. Para já voltou a vontade de escrever.
Há uns tempos tive uma visão. Não me sai da cabeça e originou um turbilhão dentro de mim. Ia no carro, buscar a minha mãe. Olhei para umas árvores enormes, vi o céu entre as folhas e em vez de - como é costume - me sentir feliz só por isso, senti um enorme vazio.
Tenho vivido para pagar uma renda.
Eu e a minha pouca ambição. Vivo para manter uma casa. Um mês de cada vez e depois logo se vê. Sem tempo nem fortuna mas tão feliz, que o que interessa eu já tenho. Amor, muito amor, abraços e beijos. Riso. Chocolate com o café todos os dias. Pêlo de cão na roupa, uns passeios na praia e pronto. Não há nada melhor. Pelo menos não havia, até eu olhar pelo pára-brisas para aquelas árvores e me sentir tão pequena.










