9 de agosto de 2008

branco







31 de julho de 2008

gratidão

Hoje no supermercado escorreguei num iogurte derramado no chão. Pensei no pior.
Estou rodeada de enfermeiros. Contam-me dos acidentes estúpidos que atiraram os seus doentes para camas e cadeiras de rodas para nunca mais se levantarem. Alguns são vegetais. Outros são conscientes e perfeitamente lúcidos, encarcerados em corpos atrofiados. Existe um que para comunicar pisca um olho.
Há dias pedi à Di que me levantasse como faz aos tetraplégicos. Quem nos vir juntas ou souber da nossa diferença de trinta quilos, não acredita na facilidade com que ela o fez, enquanto eu me fazia mole e nada cooperante. É isto que estes enfermeiros são. Pessoas que à primeira vista são só pessoas iguais às outras. Faço-lhes perguntas ingénuas. Não fosse o eu pedir pormenores e eles nem se lembrariam de me dizer que sim, mudam fraldas e dão banhos diariamente, a adultos conscientes. Limpam-lhes os recantos mais humilhantes do corpo. Imagino-me numa cama, despida de roupa, de mobilidade e de independência. Para sempre. Graças a um acidente de viação de que não tenha culpa, a uma queda, a um mergulho no mar, a um iogurte no chão.
Estou rodeada de pessoas da minha idade que se abalaram mais de 500 km para longe de casa, família, amigos e namorados para terem o emprego em que se formaram. São anjos da guarda da dignidade alheia. Admiro-os ao ponto de não arranjar palavras.

Hoje fui pintar com um dos doentes da Di. Há uns meses era um adolescente que desenhava muito bem. Há umas horas pedi-lhe que me apertasse a mão se quisesse que eu lá voltasse. Tenho quase a certeza de que apertou.

Sou tão grata pela vida que tenho. Sou tão grata à mãe deste rapaz por me autorizar a ir lá, me receber com sorrisos e nem hesitar em nos deixar fotografar. E por me fazer ter vergonha de pensar que ter excesso de peso, vertigens e péssima visão no olho direito são limitações físicas.

Obrigada.


29 de julho de 2008

constatação absolutamente estúpida

Não tenho flexibilidade suficiente para chegar ao meio das costas e pôr protector solar, mas para coçar desesperadamente esse preciso sítio, após um valente escaldão, tenho mais que suficiente.

28 de julho de 2008

companhia na praia

Hoje fomos a uma praia que tinha escaravelhos pretos. Azeitonas andantes que deixavam desenhos lindos na areia. Vimos um que se pôs à sombra de uma concha. Tão lindo.
Estive a observar este, que depois de muito andar perto da minha toalha, parou e pôs-se a mexericar na areia. Imaginei logo que estaria a comer, então dei-lhe um pedaço de bolacha do salame de chocolate que levámos para lanchar. Comeu alarvemente. Agarrou-o com as duas patinhas da frente e encheu as bochechas. Ouvi-o a rir. Comeu tanto que perdia o equilíbrio de vez em quando e tombava, sem nunca largar o seu tesouro. No fim limpou a boca e foi dormir uma sesta, debaixo da areia, ao meu ladinho.


mais

A julgar pelo que os meus olhos e câmara têm captado, parece que as rodas dentadas estão, lentamente, a desenferrujar.










26 de julho de 2008

algarve

O Algarve tem azul no céu, branco nas paredes e vermelho na terra. Escaldões na pele, gelados na mão, sal no mar e cactos no chão.










As três da sombra vieram meter-se entre profissionais de saúde. Eles sem farda são anjos na mesma. Têm o poder de curar. A mim pelo menos, sim. Com muito riso e paciência. E carinho.
Descobri que os algarvios não sorriem logo, mas sorriem. Há gelados caseiros de sabores obscenos. Conto regressar ao norte usando o meu diâmetro como meio de transporte.

21 de julho de 2008

volto já

Há uns tempos a internet diagnosticou-me um esgotamento. Até chorei um bocadinho quando reli e vi que a carapuça continuava a servir-me tão bem. O meu cérebro desmaiou. Houve pelo menos uma parte dele que simplesmente desligou.
Eu não me queixo. Ontem, num pranto, disse à minha mãe que devia queixar-me mais, enquanto a Gioconda me lambia o braço (a Gioconda não suporta ver-me a chorar). Eu nunca me queixo. Estatisticamente. E devia queixar-me sim, que é para os outros verem que os felizes também sofrem.
O meu cérebro desligou-se e isso é grave. Sinto-me engolida por um bicho e vejo o mundo e desloco-me, tudo dentro desse bicho. É como se não fosse eu a fazer as coisas. Há uma força maior que me empurra. Mais um desenho. Mais um. Só mais um antes das férias. Sinto-me engolida, lentamente digerida. Não consigo parar de pensar que estou tão cansada... tão cansada. E o meu cérebro, coitado, esta coisa que antigamente mexia e tinha comichão na meninge, hoje de manhã suspirou, só mesmo para me lembrar que não está morto: quando acabei de pôr a roupa a secar vi que tinha feito um degradê de camisolas.
Amarelo.
Verde lima.
Azul claro.
Azul escuro.
Cinzento.

Eu volto já.

18 de julho de 2008

sim, sou neurótica

Sábado. Tenho uma carta pronta para pôr no correio. Mas é Sábado. Digo de rajada e no meu melhor tom desesperado, à Cilu:

- Ai ai achas que se puser esta carta no correio hoje ela vai ser esmagada por todas as cartas de Segunda-feira e por ficar no fundo mesmo no fundo pode mais facilmente perder-se e jamais chegar ao destino???

Ela:

- 'Tás parva? Nem percebo o que queres dizer.

E fomos juntas ao correio.

17 de julho de 2008

quase férias do Verão

Ainda a desenhar. Tento abrandar o ritmo. O cansaço não me larga. As falhas de memória. O calor. O biquini novo que não faz milagres. Em breve farei mais de 600 km rumo ao sul, acompanhada da minha Cilu e do S. Vomidrine*. Graças aos céus...

O desenho é uma proposta de pintura. E sim, para passar a vida a desenhar animais felizes e amorosos é preciso adorar animais. Ainda tenho o touro ensanguentado na cabeça.

um segundo

Contei. Um segundo. Recebi o email da MATP e fui ver o tal anúncio da Vodafone que tem tourada. Um segundo de tourada. Até a mim me passaria ao lado.
São representados inúmeros países através das suas imagens de marca. Imagino que a tourada represente Espanha. No meio da cor, da música e da alegria do protagonista do anúncio, até a mim me pareceu uma coisa alegre, o touro a correr, tão giro.
Mas.
E se o segundo de tourada registado fosse este? Seria mesquinho indignarmo-nos? Também é tourada, também é Espanha, suponho.

Aproveitei para ver a galeria de fotos do Irish Council Against Blood Sports e obviamente acabei a chorar. Sou cliente Vodafone há oito anos. Vou escrever para lá agora mesmo.

16 de julho de 2008

medo

Fomos ao cinema ver este filme. Mencionaram o desaparecimento das abelhas e a citação de Einstein "Se as abelhas desaparecerem da face da terra, restam ao Homem apenas quatro anos de vida. Não há abelhas, não há polinização, não há plantas, não há animais, não há Homem." e eu fiquei simplesmente apavorada com essa e com outras possibilidades que o filme nos apresenta. Para mim é um verdadeiro filme de terror (o meu pai, por exemplo, quase adormeceu de tanto que gostou).

Deixo aqui um documentário (pena estar em inglês e muita pena ser visto por tão pouca gente) sobre o desaparecimento real de milhares de abelhas nos EUA, que acho que toda a gente deveria ver. Tenho pensado muito nas pequenas coisas a que não damos valor.

Quantas pessoas sabem como é que a nossa comida nos vem parar aos pratos?




Foi a minha Lu (sempre um passo à frente!) que me falou disto há uns meses. Obrigada amiga. Manamana.

11 de julho de 2008

projectos atrasados II


Já várias vezes disse aqui que quando criei este blog não imaginava o que aí viria. E de tudo o que ele me tem trazido, o melhor é a surpresa de encontrar pessoas maravilhosas. Pessoas que decidem expor-se também, desinteressadamente. Pessoas que me acarinham com comentários ou emails e a quem me afeiçoo com o passar do tempo. Acabamos por trocar pedacinhos das nossas vidas e a barreira entre o virtual e o real vai-se tornando cada vez mais frágil.
Foi assim com a Conceição. E esta encomenda que ela me fez, em pouco tempo tornou-se pessoal para mim e aqueceu-me o coração.

Esta pinturinha conta a história duma linda bisavó que um dia foi para o céu, deixando cá em baixo dois bisnetos ainda pequeninos e a quem seria difícil consolar a dor da perda. Quando foi dito à bisneta mais velha que a Bisavó morava agora numa estrelinha, ela afirmou que então iria buscá-la numa casa voadora. Esta ideia e o bolo de chocolate foram o mote. E porque no céu só há coisas boas, construímos devagarinho esta pintura, à base de muito mimo, asas de anjo, pirilampos, flores, e até a visita do elemento canino da família. Eu chorei com a Conceição a perda da sua mãe e tive o privilégio de tentar materializar a ternura que ela me descreveu com palavras em cada email. Muito muito obrigada, querida.




9 de julho de 2008

olá!

Uma pinturinha de 60 cm de altura, metade desta, para um menino que está quase a nascer. Adoro estas pinturas que aproveitam pequenos espaços vazios. Melhor ainda é pensar que em pouco tempo este meu duendezinho vai receber muitos beijos e abraços dum menino a sério, da altura dele.


8 de julho de 2008

projectos atrasados I

O regresso do Anjinho, a baloiçar nos meus óculos de sol. Este quadro vai para uma clínica oftalmológica. Super ideia da querida Sandra S.
Obrigada, Sandra!


3 de julho de 2008

inspiração

Só parei depois de ver todos os trabalhos desta artista: Kate Wilson. (via Dooce)
Nem tenho palavras. Adoro tudo.
Trabalhar muito a sério, para além do talento que se tiver, dá frutos. Isso inspira-me e motiva-me profundamente.

30 de junho de 2008

actualização II

As últimas pinturas que fiz, na casa da Sofia. Acompanhada de uma cachorrinha de 45 kg e de uma gata adulta em estado de alerta e que me chamava nomes com os olhos, pintei devagarinho, tentando combater este cansaço que está quase a atingir o limite. Pintar devagarinho é muito muito bom. Vejo os meus bonecos-filhos tomarem forma na textura das paredes. E dou-lhes beijinhos com o pincel. Pintei os meus bichinhos que brincam nas nuvens antes de adormecerem e uma fada-bailarina, por cima da secretária duma fada-bailarina a sério, a J.




No fim tive direito a jantar de amigos (como nunca o disse aqui, digo agora que tenho os melhores clientes do MONDÓ!), fizemos uma meia-surpresa à Lena, comemos e rimos e a Sofia fez um bolo inspirado nos bordados de Viana e deu-MÓ!!! Obrigada por tudo querida, e parabéns por estares a ficar tão famosa!

No regresso a Viana, na manhã seguinte ao concerto maravilhoso de mais de duas horas do meu amado Jack Johnson, o meu estômago virou-se do avesso. Tive uma luta dramática e alucinante com o vómito, que terminou comigo ajoelhada e cara a cara com a sanita da estação. Seguiram-se enjoos, febre e dores horríveis no corpo todo. Cama, cama e cama. Desidratação total porque eu transpiro a ponto de deixar o meu novo penteado fashion num estado tal que agora lamento não o ter fotografado. Agora já sei como envenenar alguém: iogurte estragado pelo calor.

A vida continua na pacata Viana City. Apesar de eu ainda ter algumas dores e tonturas, ando a estudar as propostas milionárias que o meu sistema digestivo tem recebido, devido à sua magnífica produção de gás NATural.

actualização I

Fotos da cidade torta que fiz há quase um mês. Cá estão!





... as notícias prosseguem dentro de momentos.

29 de junho de 2008

as fotos: depois e antes




Só pela graçola de pôr a menina de baixo com inveja da menina de cima.

26 de junho de 2008

o cogumelo venenoso e suicida

Pronto, hoje sentei-me finalmente em frente ao computador. O último post foi uma descarga de ódio que muito me aliviou. Obrigada por todos os comentários de parabéns e de força para suportar aquilo que tinha em cima da cabeça.

De facto não sei se os cabeleireiros são um problema mas, meus amigos, os prepotentes são. E como em todas as profissões, há cabeleireiros prepotentes (embora eu continue a achar que ser surdo é requisito para se ser cabeleireiro). Aquela que me fez aquilo, não sei se estaria num dia não, não sei se é de ser a dona, não sei se tinha razão, mas: NÃO ME INTERESSA. Transformou-me num cogumelo que bloga e, acho que se soubesse que eu sou um cogumelo-que-bloga-venenoso, não arriscaria como arriscou ver aqui o nome e morada do seu salão.

Adiante.
Estou em Lisboa. Vim pintar e ver o Jack. Está um calor que não se puóde. O meu sotaque minhoto esbate-se com o passar dos dias.
Marquei um corte de cabelo salva-vidas no WIP-Hairport, um salão já famoso e pelos melhores motivos. Um salão na baixa de Lisboa, onde eu me perdi a bem perder, ao fim de um dia de trabalho. O corte estava marcado para as oito da noite e eu, como sempre, antecipei-me para chegar cedo e dar calmamente com o sítio. Quando saí da estação do metro, abriu-se um novo mundo diante dos meus olhinhos de menina da aldeia. Tanta gente. Tanta agitação e tudo a pé, e cores e casas lindas e os eléctricos, meu deus os eléctricos que lindos quero andar de eléctrico por favor! Desejei muito viver ali.
Super confiante e com meia hora para procurar a Rua da Bica, passeei calmamente na direcção contrária. Quando vi aquilo que me parecia ser o Rossio, desconfiei que se calhar estaria perdida. Socorreram-me polícias, seguranças de lojas, um casal gay, o dono dum café e mais uma série de gente de quem devo estar a esquecer-me, pois nos momentos seguintes entrei no modo pânico-oh-meu-deus-são-oito-menos-dez-f*d*-se! Foi então que liguei para o cabeleireiro e fui salva pela simpática Inês, que em poucos minutos me explicou como lá chegar(!).
Lá cheguei, encharcada em suor e com as belas rosetas de minhota (felizmente sem buço). Eram oito horas e às oito horas a minha cabeleireira estava à minha espera. Perfeito.
Sentou-me na cadeira e perguntou-me o que queria. Eu não me atrevi a dizer a palavra cogumelo, apesar de ela ecoar na minha cabeça, pois a cabeleireira tinha um corte de cabelo igual ao meu, embora nela não ficasse redondo nem ridículo. Ficava mesmo bem. Contei-lhe do meu drama e tentei explicar-me com gestos e com estas minhas descrições absurdas o que queria. Foi então que ela foi buscar um catálogo cheio de fotografias de cortes de cabelo, sentou-se ao meu lado duma maneira que me lembrou da minha mãe e começou a folhear. Depois duma conversa em que eu fui ouvida e compreendida (sim! ouvida e compreendida!), chegámos a acordo e pude então ir lavar o cabelo. E foi aí que eu ganhei o dia. Caí na única cadeira de lavar o cabelo confortável do mundo! Do MONDÓ! Chegou um anjinho que me disse olá e assim que me tocou eu morri e fui para o céu. Quando achei que pentearem-me o cabelo enquanto o amaciador faz efeito era a segunda melhor coisa do mundo, a menina começou uma massagem erotico-crânio-encefálica. E uns bons minutos depois, eu, que nem sabia que o couro cabeludo podia ter orgasmos, levantei-me daquela cadeira com muita dificuldade, para finalmente cortar o cabelo.

Lembrei-me dos tempos da faculdade e dos meus colegas de escultura. A Birgit esculpiu o meu cabelo, centímetro a centímetro. Cuidadosamente e sem desviar os olhos do que estava a fazer. E no fim, eu estava mesmo como queria e vim para casa mesmo muito contente.

Só por uma vez antes desta é que fui tratada assim por um cabeleireiro. Foi no Anjos Urbanos, no Porto. Eu sempre achei que fazia todo o sentido o cabeleireiro ver e manusear o cabelo seco, antes de o cortar, mas também sempre achei que não devia armar-me em espertinha com alguém que tem tesouras e navalhas nos bolsos e que pode transformar-nos em cogumelo. Mas pronto, o tormento acabou e agora vou ver o Jack Johnson. Biba!

23 de junho de 2008

natureza fantástica: cogumelo que bloga

No meu aniversário permiti-me não fazer nada. Peguei no postal fofinho com dinheiro que a minha avó me ofereceu e fui à cabeleireira boa de Viana. Pontual. Eu. O que é que eu não faço para chegar a horas ao que quer que seja? Mesmo quando sei que vou esperar. Fui. Estava marcado para as duas, o meu corte de cabelo na super-cabeleireira-mas-com-ela-mesmo-e-não-com-uma-ajudante. Esperei um pouco. Como tinha duas pessoas à frente, lavaram-me o cabelo em cerca de vinte minutos. Não sem antes me ser dito que o meu cabelo estava seco e com pouco brilho (Quê? O meu cabelo oleoso? Quê, este cabelo farto e brilhante? Hum. Se a senhora o diz... eu cá não falo cabeleirês mas já sei que aí vem champô especial para cabelos fraquinhos e sequinhos coitadinhos e marcham mais uns três eurinhos, mas que se lixe, eu faço anos.). "E gosta desta cor com reflexo vermelho é?" (Até nem desgosto desse loiro escuro mas o importante é não avistar cabelos brancos...) - Hum hum... Eu de olho na pontualidade da cabeleireira-mor, eu e o meu mau feitio. Lá fui para a cadeira. Esperar. Quarenta minutos depois da hora marcada, o meu cabelo estava finalmente prestes a ficar fantástico. Mas em vez disso, o meu cabelo estava com um corte horrível, porque "a menina tem uma cara grande e com o cabelo assim volumoso fica tudo grande!" e também tenho cabelo demais e realmente "não havia ponta por onde se pegar neste meu cabelo e realmente este corte que lhe fizeram foi mesmo uma aventura e isto (a minha meia franja comprida, catada com desprezo por dois dedos como se estivesse imunda), o que é que isto está aqui a fazer??? Está a fazer feio!".
Ri-me. Acreditei que apesar daquela fúria contra o meu cabelo, ela era uma boa pessoa e nem todas as pessoas têm de ser simpáticas para serem boas. Pedi apenas um corte leve e que não precisasse de secador e escova para ficar bem. Fui interrompida para ouvir e engolir o que seria melhor para mim e para o meu cabelo. Pegou na navalha e começou a cortar a cortar a cortar, enquanto olhava para o que estava a ser feito à cliente da cadeira ao lado, e para a revista que ela estava a ler e, subtilmente foi tirando uns bons oito centímetros às pontas mais compridas do meu antigo penteado, como se eu não tivesse olhos na cara. Depois chamou uma menina amorosa para me secar o cabelo "esticadinho esticadinho coladinho à cabeça". E foi-se. Acabou assim o meu contacto com a super-cabeleireira.
E fico-me por aqui. O meu único pedido foi simplesmente ignorado. Paguei à menina amorosa e ainda olhei para a chefona e ainda disse adeus boa tarde obrigada mas ela nem olhou. Garantiu-me um resto de dia muito mal humorado. Clonei o humor dela. Um clone com cabeça de cogumelo, porque fui a casa molhar o cabelo e dar-lhe uma secadela para ver o que acontecia. E tal como previ, o cabelo ficou este capacete que está agora. Desde sexta-feira que evito espelhos. E quando me vejo só me saem insultos boca fora. Aliás, só me sai uma curta palavra de duas sílabas.
Não faz mal, é só cabelo. Não faz mal, cresce depressa. Mas pelo sim pelo não, amanhã vou a outro cabeleireiro.

Continua...

20 de junho de 2008

26


Pretendia filosofar, hoje, sobre o que fiz ao longo da vida e como sinto que o tempo me foge e que ainda não fiz nada. Mas encontro-me constipada e de mantinha às costas. Tenho metade da cabeça entupida. Ouvido direito, narina direita, até só meia garganta me dói. Ontem o antigripe fez um efeito qualquer com a cocacola que bebíamos enquanto víamos o jogo de futebol e fiquei bêbeda. Desatei à gargalhada e disse coisas proibidas, daquelas que só mesmo em casa e acompanhada de um brasileiro e uma portuguesa pouco adepta de futebol se podem dizer ("Oh não sinto nada. Eles chegam-se ali à baliza e eu não sinto nada... o quê foi golo outra vez? Ahahahahaha! ... O quê três um? Ahahahahahaha! ... Olha aquilo foi falta! Se eu fosse o árbitro expulsava o Deco! ... Resta-nos agora torcer pelo Brasil. Ahahahahahahaha!").

Estou a pagar caro por ser má. Dormi muito mal. Não tenho paladar. E não sei o que se passa com a minha memória, mas já me valeu umas gargalhadas com a Nhocas no msn. Será que caí na velhice de que tanto falo? Não sinto nada. Bendito antigripe. Ehehehe...


PS: Lembrei-me agora!!!

Parabéns Twin!!!!
Parabéns Fernanda!!!!