21 de novembro de 2008

rugas


Esta fotografia tem mais de vinte anos e eu reconheço-me perfeitamente.
Ontem encontrei fotografias de há seis anos e apercebi-me de que isto que hoje tenho na cara não é pele seca, não senhora. São rugas. Todas moldadas pelo riso, o que me deixa feliz, mas não deixam de ser rugas.
Agora vou fingir que não sou meia parva e vou voltar ao trabalho.

Na foto: o Tirone, um gato tão mau quanto bonito. Mordia toda a gente que lhe mexesse, excepto os meus pais. Ao colo da minha mãe ficava num tal estado de mimo que se babava em longos fios que se colavam à roupa dela...
E a Nikita, que nunca cresceu para além disto. Quando ficava atrapalhada, vinha a correr sentar-se num dos nossos pés.

voltei, voltei!





Esta é a pintura mais recente que fiz. No quartinho da Francisca. Uma pintura cheia de simbologia, pormenores especiais e, acima de tudo, muito alegre. Para uma anjinha.
É muito gratificante sentir que o meu trabalho pode canalizar tanto amor e carinho. E que há quem me confie o que sente, sem medo. Muito obrigada, Helena. :)*

13 de novembro de 2008

vrrrum

Hoje acordei antes do despertador tocar. Já é costume. Acordo fresca como uma alface, às sete e qualquer coisa. O que nunca me aconteceu antes foi acordar à uma da manhã, prontinha para começar o dia. E que desorientada fiquei. Foi mudar de posição e fechar os olhos (normalmente resulta), foi mudar de posição e fechar os olhos outra vez, foi chichi, foi um episódio do CSI, foi um concurso absurdo que explora até ao último cêntimo a insónia dos portugueses, foi desligar a televisão e mudar de posição outra vez.
Ao fim de três horas de insónia decidi que não sou má pessoa por tomar o pequeno almoço às quatro da manhã.

Isto tudo para dizer que o descanso, vitaminas, pouca culpa e muito mimo fazem milagres. Milagres, sim, que se há uns meses me dissessem que eu voltaria a sentir-me cheia de energia e feliz da vidinha, não acreditaria.

8 de novembro de 2008

se não podes vencê-los :)

Enquanto não fujo do Natal nem faço os postais deste ano, aproveito para pôr à venda os 15 conjuntos que sobraram do ano passado.
A combinação muitas ideias-pouco tempo às vezes deixa-me frustrada. A minha loja-blog está parada há tanto tempo. Tenho aprendido a não me culpar por não conseguir fazer tudo. E não aprendo sozinha. Obrigada, querida Mafalda.

6 de novembro de 2008

novembro já? oh pá...

Gostava de me lembrar do dia em que deixei de gostar do Natal.
Já tentei tudo. Tudo menos fugir. Porque a minha vontade é essa. Fugir. Sei que é uma barbaridade. Que estou rodeada de pessoas que me amam, que não é justo... Mas eu queria fugir do Natal. Do desperdício de comida, dinheiro, papel... da ansiedade em que fico. O Natal vem contra mim como uma locomotiva e eu passo os meses seguintes a recolher os meus pedacinhos. Se pudesse viajava para longe. Como não po$$o, pensei em ir como voluntária para um hospital onde os pacientes tenham muita, muita pachorra...

5 de novembro de 2008

3 de novembro de 2008

ahahahahahahaha

Já é tema habitual nos blogues que têm contadores de visitas: quais as palavras introduzidas no Google que encaminham internautas para o sítio errado. Há palavrinhas que trazem gente até aqui que eu já decorei: soutien vermelho, soutien copa, mamas, mamalhuda, coxa grossa, odeio o meu enteado... o que me deixa profundamente orgulhosa da qualidade e requinte da minha escrita.
Mas hoje... hoje tenho de agradecer à pessoa que escreveu no Google Natacha nua. Estou a rir-me até agora. Não do objecto de pesquisa (acredito que haja Natachas nuas mesmo agradáveis aos olhinhos) mas da imagem que me veio à cabeça. Ahahaha! Já disse e repito. O meu blog é um blog sério.

A propósito e ainda mais cómico:
Cocó na fralda
Sexo do porco com a porca

2 de novembro de 2008

pateta alegre

Neste preciso momento o sol faz-me festinhas. Bendita casa esta, que me conquistou pelas janelas. No dia em que entrei aqui pela primeira vez era de manhã e o chão da sala parecia um espelho. Ainda pensei duas vezes. Mas isso foi porque não pude ver também a luz do entardecer.
Hoje estou como o rapaz do sexto andar.

30 de outubro de 2008

ataque de cronofobia

Amanhã é Natal e depois faço vinte e sete anos.

27 de outubro de 2008

ferramentas de pano



Terminei a bata da Carmen (fi-nal-men-te!).
Pintar com a consciência de que se tem na mão materiais irreversíveis exige calma e muita confiança. Nas outras duas (1 e 2) batas que pintei correu quase tudo bem. Mas desta vez a mão e a cor fugiram-me ao pintar uma sombra. E com esta tinta, só vale pintar por cima. Apagar é coisa que não existe. Correu mal. Zanguei-me. Quase desisti. Só me acalmaram a possibilidade de refazer a pintura numa bata nova e paciência e carinho da Carmen.
Obrigada... espero que gostes (mesmo). Já está a caminho.

22 de outubro de 2008

troca de papéis

Quando brincava aos contos infantis, a lebre queria sempre ser tartaruga.
:)

20 de outubro de 2008

linques

A todos os que por algum motivo gostam do meu blog-mistela e o recomendam, muito e muito obrigada.
Tendo em conta a quantidade de disparates que aqui vou deixando, misturados com trabalho, lamechices e assuntos sérios comentados no meu magnífico tom sarcástico, só posso concluir que há gente mesmo muito querida nesta blogosfera.
Obrigada! E beijinhos.

Sónia

Karamela

Anisa

Dora Ramalho

Ana Cláudia Cavalcanti

Serões da Inês

Maria Tavares

Little Pea

GM

Ana Melo

Virgínia

Patrícia

Marta Isabel

Cordonbleau

Verinha

Ana Maria

Kella

Ananda

Nádia Pinto

Raquel

Mimiko

Andreia Afonso

Poronga's

Rute Matos

Andreia

Patrícia

Caty

Corcoise

Ana Carina Dias

Mary Flower

Inês

Magsan

Bu&Bau

Joaniska

Se houve algum que me passou ao lado, por favor avisem-me.
A culpa é do Histats, não é da minha nabice.

sabem aquela treta do ginásio se tornar viciante?

É berdade.

17 de outubro de 2008

anjinhos

Mais uma pintura idealizada por uma mãe que, quando me contactou, estava ainda grávida de uma linda menina. Mais uma vez ajudo a concretizar uma ideia que começa num papel rabiscado, digitalizado e enviado por email e que, aos pouquinhos, entre gatafunhos, perspectivas e fotomontagens, vai evoluindo para se transformar numa pintura de grandes dimensões. Gosto tanto.







Já disse aqui que os meus clientes são os mais amorosos do mundo? Pronto.

14 de outubro de 2008

tão poética quanto incompreendida

Nos Moinhos de Montedor. Eu, a cunhadim e o meu irmão. Apanhámos o de pás de madeira aberto, com "guia turístico" e tudo. Lá dentro, tudo muito bem conservado e ainda em funcionamento. Eu:
- Ahhh que bonito... o milho.
O senhor que nos mostrava o moinho:
- Vocês são de artes?...
O meu irmão:
- A minha irmã é de Belas Artes e a minha namorad...
- Para acharem o milho bonito!

Enquanto eles desciam as escadinhas estreitas eu fiquei lá em cima a recompor-me do ataque de riso.

Não se diz poético de uma pessoa pois não?

13 de outubro de 2008

bipolar

Eu sei que sou assim. Oscilo entre o pequeno pónei e o incrível hulk. Entre lágrimas fáceis e humor negro de mau gosto. Depois despejo aqui de tudo um pouco e confundo algumas pessoas mas é sem querer. Este blog é uma mistela, disse ontem à Carlita.
Dou tanto valor ao profissionalismo, à pontualidade, ao rigor. Nunca me imaginei menos do que isso, nunca mo permiti. Mas a vida prega-me partidas e quando menos espero, chegam as provas de que não posso controlar tudo, simplesmente não posso fazer tudo aquilo a que me proponho. Foi assim há uns meses. Instalou-se um cenário a que poucos tiveram acesso e para o qual tive vista privilegiada: o caos.
Falo mal de quem não é profissional. Não há vida privada que permita àquela senhora da segurança social dizer foda-se três vezes quando eu acabo de chegar ao balcão com um sorriso na cara e um bom dia dito em voz alta. Não há. Mas depois... Eu bem tentei fazer os desenhos. Bem tentei entregá-los a tempo. Bem quis ser profissional. E desejei sinceramente que o meu trabalho fosse duma exactidão matemática que não dependesse de humores e de ideias, muito menos que se deixasse corromper pela minha vida privada. Mas deixou. E eu peço desculpa aos clientes que acabaram por desistir. Eu também desistiria. O que me interessa a mim a vida privada daquela grandessíssima malcriada? Devia ter-me ido embora e feito queixa. Mas não fiz.
Foi assim com os clientes a quem fiz a última pintura. Não desistiram. Não se cansaram. Não reclamaram. Esperaram três meses até que eu acabasse de soluçar o que havia algures dentro da minha cabeça. E marcámos a data. Como se não bastasse a paciência que tiveram comigo e o enorme respeito pelo meu ritmo (devagarinho-devagarinho-quase-a-parar), receberam-me com boa disposição e carinho. Muito obrigada...
A Tânia, para além do bom humor que me transmitiu via email, da confiança que depositou em mim, do microondas que me emprestou e de toda a generosidade com que se referiu sempre ao meu trabalho, ainda me ofereceu fogaças e uma ovelhinha feita à mão por ela, embrulhadas com um nó chinês da boa sorte. Eu não acho que mereça tanto, mas fico agradecida para sempre, do fundo do coração. Esta pintura foi a primeira (criada de raiz) do resto das pinturas. E a culpa é tua e do Bruno, Tânia. ;)***


olhá pinturinha

Eis o que andei a fazer entre viagens de autocarro.
Aqui ficam uns rabiscos preparatórios, o projecto da pintura na parede e o resultado final. Espero que gostem.

















Esta pintura foi idealizada, pedacinho a pedacinho, pelos pais dum bebé que está quase a chegar. É um privilégio poder concretizar as ideias que alguém tem na sua mente para o quartinho dum filho. Obrigada Tânia e Bruno.

11 de outubro de 2008

só mais um post sobre autocarros

Eu calada. O motorista e uma senhora na conversa, sobre um outro motorista que já não trabalhava ali. Eu calada a ouvir, claro.

- O senhor D era um grande profissional. Era muito calmo.
- Pois era, era uma pessoa muito calma.
- Estava sempre calmo e transmitia essa calma aos passageiros.
- Sim, ele era muito calmo e isso a mim, que sou muito acelerado, faz-me confusão. Aquela calma.
- Mas ele estava sempre calmo, mesmo que por dentro estivesse ansioso, parecia muito calmo.
- Sim, ele... não era stressado.
- Era calmo.
- Sim, era muito calmo.
- BASTA! Puorrrrrrrrrrrrra!!! (isto era eu em pensamento, que já tinha perdido a minha calma há que séculos)

10 de outubro de 2008

não é só de alucinados que o mundo está cheio

Nestes últimos dias andei de autocarro. Cheirei as pessoas que se sentavam perto de mim. Não sei se é do meu nariz, mas todas me cheiraram tão bem. E eu a que cheiro? Será que me cheiram também? Ui! Fui cheirando ao longo do percurso e ao longo dos dias. Fui observando as pessoas que entravam no mesmo autocarro que eu. Havia um motorista simplesmente detestável. Um homem bonito, alto, de olhos azuis, belos braços e mãos grandes. Muito antipático, muitíssimo mal educado. Com ele ninguém se atrevia a falar, até porque correndo o risco de se lhe estar a fazer uma pergunta parva (Para onde vai este autocarro? quando na frente do autocarro está escrito em letras garrafais) ele respondia com quase-insultos. Também barafustava quando alguém aparecia do nada a correr de braço no ar e a implorar-lhe que abrisse a porta quando ele já tinha arrancado. O autocarro atrasa-se, é verdade. Mas que homem tão mal encarado, tão zangado com tudo. Não lhe ouvi um bom dia. Devia ter ido lá cheirá-lo, bem no pescoço. Hoje fugiu-me quando eu apareci do nada de braço no ar e a implorar-lhe que abrisse a porta, já ele ia na estrada mas em pára-arranca no meio do trânsito. Fingiu que não me viu e eu chamei-lhe todos os nomes. Esperei mais de meia hora ao vento-ciclónico pelo autocarro seguinte. Quando estava a sair, meia hora atrasada e ainda zangada com o outro, o motorista disse-me:

"Menina, até logo. E se não a voltar a ver, bom fim-de-semana."

De repente, o meu dia que tinha começado com palavrões, recomeçou.
Eu sinto-me rodeada de pessoas boas. Gosto de me lembrar delas, dos seus gestos. Alguma coisa acontece quando alguém faz um esforço por ser educado e simpático, mesmo nos piores dias. E há dias horríveis. Alguma coisa acontece, porque eu sinto-o. E é por isso que me esforço também.
Bom fim-de-semana.

9 de outubro de 2008

não estou só no mundo

Encontro gente tão alucinada como eu onde menos espero. No autocarro, por exemplo. O motorista.

- Já viu? Tem o autocarro todo só para si.
Olho para trás e vejo que saiu toda a gente. Só sobro eu. Ahhhh todo só para mim assim tipo posso correr como uma possuída por este corredor fora aos gritos enquanto tu conduzes às voltas infinitas numa rotundaaaaa!...
- Ah. Pois tenho.
- Agora posso fugir consigo!
- Hum.