17 de julho de 2008

quase férias do Verão

Ainda a desenhar. Tento abrandar o ritmo. O cansaço não me larga. As falhas de memória. O calor. O biquini novo que não faz milagres. Em breve farei mais de 600 km rumo ao sul, acompanhada da minha Cilu e do S. Vomidrine*. Graças aos céus...

O desenho é uma proposta de pintura. E sim, para passar a vida a desenhar animais felizes e amorosos é preciso adorar animais. Ainda tenho o touro ensanguentado na cabeça.

um segundo

Contei. Um segundo. Recebi o email da MATP e fui ver o tal anúncio da Vodafone que tem tourada. Um segundo de tourada. Até a mim me passaria ao lado.
São representados inúmeros países através das suas imagens de marca. Imagino que a tourada represente Espanha. No meio da cor, da música e da alegria do protagonista do anúncio, até a mim me pareceu uma coisa alegre, o touro a correr, tão giro.
Mas.
E se o segundo de tourada registado fosse este? Seria mesquinho indignarmo-nos? Também é tourada, também é Espanha, suponho.

Aproveitei para ver a galeria de fotos do Irish Council Against Blood Sports e obviamente acabei a chorar. Sou cliente Vodafone há oito anos. Vou escrever para lá agora mesmo.

16 de julho de 2008

medo

Fomos ao cinema ver este filme. Mencionaram o desaparecimento das abelhas e a citação de Einstein "Se as abelhas desaparecerem da face da terra, restam ao Homem apenas quatro anos de vida. Não há abelhas, não há polinização, não há plantas, não há animais, não há Homem." e eu fiquei simplesmente apavorada com essa e com outras possibilidades que o filme nos apresenta. Para mim é um verdadeiro filme de terror (o meu pai, por exemplo, quase adormeceu de tanto que gostou).

Deixo aqui um documentário (pena estar em inglês e muita pena ser visto por tão pouca gente) sobre o desaparecimento real de milhares de abelhas nos EUA, que acho que toda a gente deveria ver. Tenho pensado muito nas pequenas coisas a que não damos valor.

Quantas pessoas sabem como é que a nossa comida nos vem parar aos pratos?




Foi a minha Lu (sempre um passo à frente!) que me falou disto há uns meses. Obrigada amiga. Manamana.

11 de julho de 2008

projectos atrasados II


Já várias vezes disse aqui que quando criei este blog não imaginava o que aí viria. E de tudo o que ele me tem trazido, o melhor é a surpresa de encontrar pessoas maravilhosas. Pessoas que decidem expor-se também, desinteressadamente. Pessoas que me acarinham com comentários ou emails e a quem me afeiçoo com o passar do tempo. Acabamos por trocar pedacinhos das nossas vidas e a barreira entre o virtual e o real vai-se tornando cada vez mais frágil.
Foi assim com a Conceição. E esta encomenda que ela me fez, em pouco tempo tornou-se pessoal para mim e aqueceu-me o coração.

Esta pinturinha conta a história duma linda bisavó que um dia foi para o céu, deixando cá em baixo dois bisnetos ainda pequeninos e a quem seria difícil consolar a dor da perda. Quando foi dito à bisneta mais velha que a Bisavó morava agora numa estrelinha, ela afirmou que então iria buscá-la numa casa voadora. Esta ideia e o bolo de chocolate foram o mote. E porque no céu só há coisas boas, construímos devagarinho esta pintura, à base de muito mimo, asas de anjo, pirilampos, flores, e até a visita do elemento canino da família. Eu chorei com a Conceição a perda da sua mãe e tive o privilégio de tentar materializar a ternura que ela me descreveu com palavras em cada email. Muito muito obrigada, querida.




9 de julho de 2008

olá!

Uma pinturinha de 60 cm de altura, metade desta, para um menino que está quase a nascer. Adoro estas pinturas que aproveitam pequenos espaços vazios. Melhor ainda é pensar que em pouco tempo este meu duendezinho vai receber muitos beijos e abraços dum menino a sério, da altura dele.


8 de julho de 2008

projectos atrasados I

O regresso do Anjinho, a baloiçar nos meus óculos de sol. Este quadro vai para uma clínica oftalmológica. Super ideia da querida Sandra S.
Obrigada, Sandra!


3 de julho de 2008

inspiração

Só parei depois de ver todos os trabalhos desta artista: Kate Wilson. (via Dooce)
Nem tenho palavras. Adoro tudo.
Trabalhar muito a sério, para além do talento que se tiver, dá frutos. Isso inspira-me e motiva-me profundamente.

30 de junho de 2008

actualização II

As últimas pinturas que fiz, na casa da Sofia. Acompanhada de uma cachorrinha de 45 kg e de uma gata adulta em estado de alerta e que me chamava nomes com os olhos, pintei devagarinho, tentando combater este cansaço que está quase a atingir o limite. Pintar devagarinho é muito muito bom. Vejo os meus bonecos-filhos tomarem forma na textura das paredes. E dou-lhes beijinhos com o pincel. Pintei os meus bichinhos que brincam nas nuvens antes de adormecerem e uma fada-bailarina, por cima da secretária duma fada-bailarina a sério, a J.




No fim tive direito a jantar de amigos (como nunca o disse aqui, digo agora que tenho os melhores clientes do MONDÓ!), fizemos uma meia-surpresa à Lena, comemos e rimos e a Sofia fez um bolo inspirado nos bordados de Viana e deu-MÓ!!! Obrigada por tudo querida, e parabéns por estares a ficar tão famosa!

No regresso a Viana, na manhã seguinte ao concerto maravilhoso de mais de duas horas do meu amado Jack Johnson, o meu estômago virou-se do avesso. Tive uma luta dramática e alucinante com o vómito, que terminou comigo ajoelhada e cara a cara com a sanita da estação. Seguiram-se enjoos, febre e dores horríveis no corpo todo. Cama, cama e cama. Desidratação total porque eu transpiro a ponto de deixar o meu novo penteado fashion num estado tal que agora lamento não o ter fotografado. Agora já sei como envenenar alguém: iogurte estragado pelo calor.

A vida continua na pacata Viana City. Apesar de eu ainda ter algumas dores e tonturas, ando a estudar as propostas milionárias que o meu sistema digestivo tem recebido, devido à sua magnífica produção de gás NATural.

actualização I

Fotos da cidade torta que fiz há quase um mês. Cá estão!





... as notícias prosseguem dentro de momentos.

29 de junho de 2008

as fotos: depois e antes




Só pela graçola de pôr a menina de baixo com inveja da menina de cima.

26 de junho de 2008

o cogumelo venenoso e suicida

Pronto, hoje sentei-me finalmente em frente ao computador. O último post foi uma descarga de ódio que muito me aliviou. Obrigada por todos os comentários de parabéns e de força para suportar aquilo que tinha em cima da cabeça.

De facto não sei se os cabeleireiros são um problema mas, meus amigos, os prepotentes são. E como em todas as profissões, há cabeleireiros prepotentes (embora eu continue a achar que ser surdo é requisito para se ser cabeleireiro). Aquela que me fez aquilo, não sei se estaria num dia não, não sei se é de ser a dona, não sei se tinha razão, mas: NÃO ME INTERESSA. Transformou-me num cogumelo que bloga e, acho que se soubesse que eu sou um cogumelo-que-bloga-venenoso, não arriscaria como arriscou ver aqui o nome e morada do seu salão.

Adiante.
Estou em Lisboa. Vim pintar e ver o Jack. Está um calor que não se puóde. O meu sotaque minhoto esbate-se com o passar dos dias.
Marquei um corte de cabelo salva-vidas no WIP-Hairport, um salão já famoso e pelos melhores motivos. Um salão na baixa de Lisboa, onde eu me perdi a bem perder, ao fim de um dia de trabalho. O corte estava marcado para as oito da noite e eu, como sempre, antecipei-me para chegar cedo e dar calmamente com o sítio. Quando saí da estação do metro, abriu-se um novo mundo diante dos meus olhinhos de menina da aldeia. Tanta gente. Tanta agitação e tudo a pé, e cores e casas lindas e os eléctricos, meu deus os eléctricos que lindos quero andar de eléctrico por favor! Desejei muito viver ali.
Super confiante e com meia hora para procurar a Rua da Bica, passeei calmamente na direcção contrária. Quando vi aquilo que me parecia ser o Rossio, desconfiei que se calhar estaria perdida. Socorreram-me polícias, seguranças de lojas, um casal gay, o dono dum café e mais uma série de gente de quem devo estar a esquecer-me, pois nos momentos seguintes entrei no modo pânico-oh-meu-deus-são-oito-menos-dez-f*d*-se! Foi então que liguei para o cabeleireiro e fui salva pela simpática Inês, que em poucos minutos me explicou como lá chegar(!).
Lá cheguei, encharcada em suor e com as belas rosetas de minhota (felizmente sem buço). Eram oito horas e às oito horas a minha cabeleireira estava à minha espera. Perfeito.
Sentou-me na cadeira e perguntou-me o que queria. Eu não me atrevi a dizer a palavra cogumelo, apesar de ela ecoar na minha cabeça, pois a cabeleireira tinha um corte de cabelo igual ao meu, embora nela não ficasse redondo nem ridículo. Ficava mesmo bem. Contei-lhe do meu drama e tentei explicar-me com gestos e com estas minhas descrições absurdas o que queria. Foi então que ela foi buscar um catálogo cheio de fotografias de cortes de cabelo, sentou-se ao meu lado duma maneira que me lembrou da minha mãe e começou a folhear. Depois duma conversa em que eu fui ouvida e compreendida (sim! ouvida e compreendida!), chegámos a acordo e pude então ir lavar o cabelo. E foi aí que eu ganhei o dia. Caí na única cadeira de lavar o cabelo confortável do mundo! Do MONDÓ! Chegou um anjinho que me disse olá e assim que me tocou eu morri e fui para o céu. Quando achei que pentearem-me o cabelo enquanto o amaciador faz efeito era a segunda melhor coisa do mundo, a menina começou uma massagem erotico-crânio-encefálica. E uns bons minutos depois, eu, que nem sabia que o couro cabeludo podia ter orgasmos, levantei-me daquela cadeira com muita dificuldade, para finalmente cortar o cabelo.

Lembrei-me dos tempos da faculdade e dos meus colegas de escultura. A Birgit esculpiu o meu cabelo, centímetro a centímetro. Cuidadosamente e sem desviar os olhos do que estava a fazer. E no fim, eu estava mesmo como queria e vim para casa mesmo muito contente.

Só por uma vez antes desta é que fui tratada assim por um cabeleireiro. Foi no Anjos Urbanos, no Porto. Eu sempre achei que fazia todo o sentido o cabeleireiro ver e manusear o cabelo seco, antes de o cortar, mas também sempre achei que não devia armar-me em espertinha com alguém que tem tesouras e navalhas nos bolsos e que pode transformar-nos em cogumelo. Mas pronto, o tormento acabou e agora vou ver o Jack Johnson. Biba!

23 de junho de 2008

natureza fantástica: cogumelo que bloga

No meu aniversário permiti-me não fazer nada. Peguei no postal fofinho com dinheiro que a minha avó me ofereceu e fui à cabeleireira boa de Viana. Pontual. Eu. O que é que eu não faço para chegar a horas ao que quer que seja? Mesmo quando sei que vou esperar. Fui. Estava marcado para as duas, o meu corte de cabelo na super-cabeleireira-mas-com-ela-mesmo-e-não-com-uma-ajudante. Esperei um pouco. Como tinha duas pessoas à frente, lavaram-me o cabelo em cerca de vinte minutos. Não sem antes me ser dito que o meu cabelo estava seco e com pouco brilho (Quê? O meu cabelo oleoso? Quê, este cabelo farto e brilhante? Hum. Se a senhora o diz... eu cá não falo cabeleirês mas já sei que aí vem champô especial para cabelos fraquinhos e sequinhos coitadinhos e marcham mais uns três eurinhos, mas que se lixe, eu faço anos.). "E gosta desta cor com reflexo vermelho é?" (Até nem desgosto desse loiro escuro mas o importante é não avistar cabelos brancos...) - Hum hum... Eu de olho na pontualidade da cabeleireira-mor, eu e o meu mau feitio. Lá fui para a cadeira. Esperar. Quarenta minutos depois da hora marcada, o meu cabelo estava finalmente prestes a ficar fantástico. Mas em vez disso, o meu cabelo estava com um corte horrível, porque "a menina tem uma cara grande e com o cabelo assim volumoso fica tudo grande!" e também tenho cabelo demais e realmente "não havia ponta por onde se pegar neste meu cabelo e realmente este corte que lhe fizeram foi mesmo uma aventura e isto (a minha meia franja comprida, catada com desprezo por dois dedos como se estivesse imunda), o que é que isto está aqui a fazer??? Está a fazer feio!".
Ri-me. Acreditei que apesar daquela fúria contra o meu cabelo, ela era uma boa pessoa e nem todas as pessoas têm de ser simpáticas para serem boas. Pedi apenas um corte leve e que não precisasse de secador e escova para ficar bem. Fui interrompida para ouvir e engolir o que seria melhor para mim e para o meu cabelo. Pegou na navalha e começou a cortar a cortar a cortar, enquanto olhava para o que estava a ser feito à cliente da cadeira ao lado, e para a revista que ela estava a ler e, subtilmente foi tirando uns bons oito centímetros às pontas mais compridas do meu antigo penteado, como se eu não tivesse olhos na cara. Depois chamou uma menina amorosa para me secar o cabelo "esticadinho esticadinho coladinho à cabeça". E foi-se. Acabou assim o meu contacto com a super-cabeleireira.
E fico-me por aqui. O meu único pedido foi simplesmente ignorado. Paguei à menina amorosa e ainda olhei para a chefona e ainda disse adeus boa tarde obrigada mas ela nem olhou. Garantiu-me um resto de dia muito mal humorado. Clonei o humor dela. Um clone com cabeça de cogumelo, porque fui a casa molhar o cabelo e dar-lhe uma secadela para ver o que acontecia. E tal como previ, o cabelo ficou este capacete que está agora. Desde sexta-feira que evito espelhos. E quando me vejo só me saem insultos boca fora. Aliás, só me sai uma curta palavra de duas sílabas.
Não faz mal, é só cabelo. Não faz mal, cresce depressa. Mas pelo sim pelo não, amanhã vou a outro cabeleireiro.

Continua...

20 de junho de 2008

26


Pretendia filosofar, hoje, sobre o que fiz ao longo da vida e como sinto que o tempo me foge e que ainda não fiz nada. Mas encontro-me constipada e de mantinha às costas. Tenho metade da cabeça entupida. Ouvido direito, narina direita, até só meia garganta me dói. Ontem o antigripe fez um efeito qualquer com a cocacola que bebíamos enquanto víamos o jogo de futebol e fiquei bêbeda. Desatei à gargalhada e disse coisas proibidas, daquelas que só mesmo em casa e acompanhada de um brasileiro e uma portuguesa pouco adepta de futebol se podem dizer ("Oh não sinto nada. Eles chegam-se ali à baliza e eu não sinto nada... o quê foi golo outra vez? Ahahahahaha! ... O quê três um? Ahahahahahaha! ... Olha aquilo foi falta! Se eu fosse o árbitro expulsava o Deco! ... Resta-nos agora torcer pelo Brasil. Ahahahahahahaha!").

Estou a pagar caro por ser má. Dormi muito mal. Não tenho paladar. E não sei o que se passa com a minha memória, mas já me valeu umas gargalhadas com a Nhocas no msn. Será que caí na velhice de que tanto falo? Não sinto nada. Bendito antigripe. Ehehehe...


PS: Lembrei-me agora!!!

Parabéns Twin!!!!
Parabéns Fernanda!!!!

18 de junho de 2008

o paraíso num frasco de tofu


Hoje em dia já não vou pintar um quarto sem levar comigo uma destas canetas, as minhas amadas Bic bic bic.
Porém, e apesar de me orgulhar de ter descoberto sozinha que são óptimas para desenhar em paredes, sou especialista em perdê-las, cá em casa.
Numa das últimas vezes em que fui pintar a Lisboa, só na véspera vi que tinha perdido a última. Entrei logo em pânico e pedi à mi primi que me comprasse uma, pois eu não teria tempo (eu nunca tenho tempo nunca tenho tempo nunca tenho tempo e gasto demasiado tempo a dizer que não tenho tempo - eu sofro de cronofobia) de comprar antes de ir pintar. E lá foi ela, com o recado muito bem decorado: Tem de ser Bic e somente Bic e tem de ser preta e cristal porque não pode ser laranja!. Durante a sua busca deixou um amigo que a acompanhava (olá Rui!) muito intrigado. Para o Rui seria tão fácil arranjar um monte de canetas bic, que nunca se lhe tinha posto essa questão a que eu chamo pânico-bic-bic-bic (já mereço um patrocínio a esta hora). E foi por isso mesmo que, dias depois, apareceu à Rité com uma caixa de vinte (VINTE) bics, só para mim. Acho que se a mi primi não me tivesse preparado para o presente, eu teria chorado quando as vi todas juntas.

Rui, este vídeo é para ti.

17 de junho de 2008

ora 2,6 arredondando dá 3

"Oh Di, já somos adultas?" - perguntei-lhe, atormentada, via msn. Ela respondeu imediatamente "Não!" e eu fiquei mais aliviada.

Estou presa neste corpo de adulto. O meu corpo mede o tempo que passa por ele melhor que o da minha mãe mede o que passa por ela. (Será que a minha mãe está avariada?) O meu corpo quer à força ter coisas que só me lembro de ver em velhinhas, como cabelos brancos e veias roxas e gorduras penduradas. Das rugas até gosto, porque assim, mesmo séria, vê-se bem o que andei a fazer com a cara: rir.

Quando fiz 10 anos, a avó de uma amiga minha disse-me "Já lá vai uma década!" e aquilo não me agradou. Soou-me como quando me perguntam a idade e eu respondo, muito pouco convicta, vinte e cinco. Parece mentira. Mas é só por ser comigo! A idade dos outros não me atrapalha nada. Nem sequer penso na idade dos outros, até porque estou demasiado concentrada na minha, como se vê. Dentro de mim sou pequena. É só isto que quero dizer. Sou pequenina e tenho tanto peito como um rapazinho. Acho que ter trinta anos é igual a ter oitenta, ou quarenta. Desde que não seja em mim, se faz favor.

15 de junho de 2008

como um bichinho

Ali estávamos: eu, a minha mãe e a Mimi. O silêncio do campo não se compara a nenhum outro silêncio. Sente-se vida em tudo. As folhas crescem, os bichos movem-se, a horta espalha-se em ervinhas intrusas. No campo há que ter cuidado, porque onde quer que nos sentemos, pode habitar alguém.
A ameixoeira carregadinha. Comi tantas ameixas, comi-as a uns segundos dos ramos onde viviam, só o tempo de as polir. Os passarinhos comem-nas nos ramos. Se eu fosse passarinho voava até a uma árvore de chocolate, sentava-me num ramo e comia sem precisar de recolher, de descascar, de nada. Comia até ficar cheia e depois voava.
Na horta estava uma floresta de couves-galegas. Como já tinham os pés bem altos, fiz-me de Alice e meti-me por ali adentro. O sol estava tão quente e as sombras tão bem definidas.
A Mimi corre como um galgo e salta como uma cabrita. E ri-se de tudo.
Os pés de maracujá lançam bracinhos em busca de onde se agarrarem e isso comove-me. Ultimamente ando assim. Presa neste corpo grande. Ontem olhei pela janela, ao fim do dia e o céu estava de todas as cores. Vi nitidamente que a Terra é redonda, pequena e que eu estou presa a ela pelos meus calcanhares. A Gravidade não perdoa a quem tem excesso de peso.
Hoje, mais do que nunca, desejo ser bichinho e ver o mundo grande. E viver só porque viver é bom.

11 de junho de 2008

ao perto e ao longe


Enquanto não trato as restantes imagens, aqui ficam este bocadinho da última cidade torta e a vista panorâmica, montada com quatro fotografias.

9 de junho de 2008

coisas de lisboa

Lisboa tem jacarandás.

A Ivete Sangalo é linda e canta e dança.

Os meus super-mega-óculos permitiram-me reconhecer o Rui Unas a mais de vinte metros (sou mesmo da aldeia não sou?).

A Amy Winehouse foi uma desilusão. Aplaudiu-se a autodestruição e o desperdício de um enorme talento. E eu que sou contra manifestações de violência e destruição, fiquei ali em pé, sem saber se ria ou chorava, a pôr tudo em causa com as minhas questões profundas, enquanto a cantora tentava manter-se em pé e os milhares de pessoas cantavam por ela. Muito muito triste. Eu valorizo quem tem talento mas valorizo ainda mais quem tem talento e o trabalha e se empenha e transpira e é profissional e respeita quem aposta nesse talento. No fundo esperava que a organização do Rock in Rio pensasse assim também.

A Ana e a família receberam-me tão bem. Levaram-me a Sintra e ofereceram-me um montão de travesseiros. Obrigada... (já disse que só tenho clientes amorosos?)

Lisboa tem muita gente de todas as cores e feitios. Tem comboios e metros que nunca mais acabam e uma agitação no ar. Imagino-me a viver em Lisboa. Depois vejo quantos apartamentos podia alugar em Viana com a renda dum em Lisboa. E pronto.

6 de junho de 2008

voem meméeeeeeeeeeees

Continuo muito cansada. Aos pouquinhos vou contando as novidades de Lisboa.
Um dia, na viagem de regresso a casa, vi o pôr do sol e as nuvens tão redondas e cor-de-rosa deram-me uma vontade de voar para fora da janela da comboio, deixar a mala do material para trás e deitar-me em cima de uma. Como os meus cordeirinhos.



Nas Três Marias tem um parzinho deles. Estes foram para um bebé que está quase a nascer. :)

três marias atelier


A partir de agora as minhas pinturas estarão à venda nesta linda lojinha, em Lisboa. Passem por lá para ver esta pintura e ainda outra ao vivo e, quem sabe, comprar alguma coisa à dona da loja, a Sandra, que é uma simpatia e que entre outras coisas, pinta uns móveis amorosos à mão.

Três Marias Atelier
Rua Prof. Moisés Amzalak
nº 12 B
Telheiras (pertinho do antigo Carrefour, agora Continente)

clicar no mapa para ampliar

5 de junho de 2008

29 de maio de 2008

malas feitas

Estou em preparativos para descer outra vez até meio do país. Lista do material, mala pesadona, roupa para uns dias. Pouco tempo para cafés... perdoem-me, amigos de Lisboa (Sofia não me ralhes môri...). Quando deixar de ter compromissos em Viana e puder ficar aí mais tempo, a conversa será outra.

Os meninos do desenho (que será entregue em mãos) são os dois irmãos a quem vou pintar o quarto! Os filhos da querida Ana.
Enquanto dou corda aos sapatos, o meu coração fervilha de ansiedade para ir saltar até não aguentar mais com a mi primi e a Sari, no meio da quase-toda-comunidade-brasileira-de-Lisboa, ao som de quem? Ahahahahahahaha nem acredito! PUEEEEEEEEEEEEEEEERAAAAAAAAAA!
Noventa mil pessoas, miã gentchi... Obrigada pela prenda minha Teia tititeia. Mais próximo disto, só eu, a Nhocas e o meu pai (coitadinho coitadinho coitadinho) no concerto da Daniela Mercury, há mais de dez anos.
Até já!

28 de maio de 2008

de óculos na cara:

... todos os prédios do outro lado do rio têm janelas.


Se soubessem, queridos leitores, como é bom ler os vossos comentários... passo muitas horas sozinha, muitas, tanto tempo a desenhar ou a preparar desenhos. Às vezes falta-me gente, apesar de eu adorar estar sozinha. Estar sozinho é bom quando se quer estar sozinho. Ando tão lamechas, mas não posso dizê-lo aqui, que vem logo a brigada da gravidez para me fazer rir um bocadinho. Ihihihih... repararam neste tom de cinza? Consigo vê-lo!!!

27 de maio de 2008

óculos de ver

Sempre que digo os óculos de ver, alguém se ri. Podia ser macacada minha mas a verdade é que aprendi assim. Os óculos de sol e os óculos de ver. Hoje fui buscar os meus óculos de ver. O oculista pôs-mos na cara, delicado, e eu vi logo por cima do ombro dele, através da montra da loja, o último prédio ao fundo. "Ai que já vejo o prédio ali ao fundo!" Aí riram-se mas era graçola mesmo. Quando saí à rua não podia acreditar no que tenho andado a perder. Tenho visto o mundo numa fotografia. Bidimensional, focado apenas no primeiro plano, desfocado no segundo e esbatido daí em diante. Não consegui conter a alegria de ver as pessoas e casas e carros a três dimensões, tanto a um metro como a cem. Ri-me sozinha rua fora. Passei na Avenida e quando espreitei a Rua Manuel Espregueira, vi-a toda até lá ao fundo. Podia jurar que vi o Largo de São Domingos. Vi tudo e ri e ri. Tudo nítido e sem esforço, tudo!

Olha, vejo esta senhora e aquela e as duas ao mesmo tempo! Foco as duas ao mesmo tempo, foco a rua, a casa e os carros, até parece que ouço melhor! Oh até ouço a música do Matrix! Pára tudo e eu sou rápida a ver em redor de tudo e tudo. Para que é que me estou a rir? Vou ser falada em Viana City...

25 de maio de 2008

estreia a etiqueta desabafos:

Quando eu era pequena, o pão caído ao chão no meio das correrias desinfectava-se com um beijinho e ficava pronto a comer novamente. Eu cresci na rua. Roubei fruta aos vizinhos e comi-a sem lavar. Andei descalça na estrada e no passeio. Mastiguei ervas e flores. Deitei-me no chão. A cara no chão, o cabelo no chão. Dei beijos aos cães. E não morri disso.

24 de maio de 2008

a minha memória

A minha memória vive de cheiros e de sabores.
Quando eu era pequenina ia para a natação com a escola. Detestava o monitor e lembro-me de chorar muito muito muito antes de ir. Ele era bruto e uma vez atirou-me muita água para a cara, de propósito. Levei aquilo muito a mal.
Enquanto lá andei à força, não consegui aprender nada, a não ser que sou mesmo euzinha desde pequena: à força não faço nada. Quase fiquei traumatizada com a natação. Felizmente um dia o tormento acabou. Numas férias decidi que aprenderia a nadar sozinha. E aprendi. Bruços. Depois mergulhos, com óculos. Depois o meu irmão deu-me umas noções de crawl. Um dia fui para a natação com o meu pai. Depois com a Di e com a Raqui. Tínhamos treze anos. (Nunca me vou esquecer de como eu e a Di nos deliciávamos a encher toucas com água gelada e a atirá-las para dentro do duche onde a Raqui tomava banho... os gritos dela deviam ouvir-se em todo o edifício...)

O cheiro do cloro ficou-me para sempre na memória. As imagens do cloro. Nos tais dias terríveis da piscina com a escola primária, a minha mãe enviava-me um pão de leite (daqueles que têm uma tira de doce de ovos por cima) com manteiga, para comer depois da aula. Acabada a tortura, aquele pão afagava-me o coração, mais que o estômago.
Ainda hoje, se acontecer de comer um pão de leite com manteiga, parece que sabe a cloro.

post antigo

Ao fundo do corredor havia luz. Números de capelas e azulejos. Entrei com a minha mãe e havia tanta gente, apesar de já ser de noite e tarde. Nunca tinha ido a um velório. O caixão pareceu-me pequeno e não consegui imaginar ninguém lá dentro. Eu acredito que o espírito voa, livre. Foi então que olhei para ela, para os olhos dela. O meu coração começou a saltar como se vivesse sozinho dentro das minhas costelas, sem órgãos vizinhos. Não me saiu uma palavra da boca. O que dizer? Só me apetecia chorar muito. Não há dor como a da alma. Não há. Senti-me ridícula na minha crise existencial de quem está só exausto de tanto pensar em coisas parvas.

Bem leve leve, releve,
Quem pouse a pele em cima de madeira
Beira beira, quem dera, mera mera, cadeira

23 de maio de 2008

para o joão

Voltei. Continuo cansada. Fui a Lisboa e voltei. Fui trabalhar feita escrava de mim mesma. Houve um dia em que pintei durante treze horas. No dia seguinte as dores iam-me dos dedos mindinhos até ao céu da boca. A exaustão mostra-me como o corpo humano é fascinante. O meu corpo dá-me todos os sinais de que devo parar. Só a teimosia é que ainda aqui permanece.



Pintei esta bola tipo trompe l'oeil para o meu priminho (já não tão inho) pequeno (já quase mais alto que eu). Ficou mesmo gira. Gosto tanto de pintar. Mas quem me dera ter férias...

16 de maio de 2008

gatinhos nos bolsos



Para a mi primi, que está quase a acabar o curso de veterinária. Parabéns Rité mi primi pequeni.


Lembro-me do Patim no meu bolso... tão bebé. Gosto tanto de animais bebés. Ontem conversei com os galos da casa dos meus pais. Tão grandes e gordos. Hão-de morrer de velhos e nesse dia a vizinhança vai respirar de alívio. Imagino-os pintainhos e enternecem-me. Falo com eles Os pipis pipiiiiiiis olha os pipis pipiiiiiiis e eles olham-me nos olhos, incrédulos e comentam baixinho como eu sou ridícula.
:)

14 de maio de 2008

valha-me o chocolate


Estou aqui. Desgastada. Hoje acordei com dores. Eu que normalmente acordo num salto e que de poucos minutos preciso para começar a cantar. Acordei como quem não quer acordar. É horrível, porque tento dormir mas não consigo, estou de olhos fechados e as listas mentais começam a redigir-se sozinhas. Esta minha cabeça. Estou tão cansada... Sou de facto uma optimista. Sou mesmo. Podia ser o que estou hoje, todos os dias. Mas não sou. Sou feliz. Estou só muito cansada.
Fui fazer uma pintura que só poderei revelar daqui a uns tempos. Fica aqui uma espreitadela. Tomei dois comprimidos para o enjoo que me deixaram o cérebro dormente. Tantas vezes desejo que esta cabeça pare e quando pára, desespero. Não há remédio para mim. Vale-me a vontade de rir e o chocolate que me faz festinhas na alma.

9 de maio de 2008

alguém me salve de mim mesma

Preciso de férias, está visto. Desejo desesperadamente uma praia, um hotel, comida e nada que fazer.
Hoje sonhei que estava num planeta deserto com a Nhocas e os Jackson Five. Havia um laguinho mínimo ao qual eu queria tirar uma fotografia. Estava aflita com qualquer coisa e havia insectos extra-terrestres (incluindo uma joaninha) grandes e reluzentes que pareciam robôs. Alguns voavam e outros rolavam no chão. Tudo areia seca. Só o laguinho. E nós as duas a tomar conta do Michael e do Randy, vestidos como neste vídeo:



Juro que procurei o vídeo sem legendas mas parece que até o youtube se quer rir de mim.

7 de maio de 2008

a minha aranhinha inha inha

Apanha sol logo de manhã. Apanha sol o dia todo. É tão pequenina e tão independente. Fez esta teia incrível entre dois cactos, vizinhos em vasos diferentes. Quem me dera tê-la visto a fazê-la. Por onde terá começado? Aposto que percorreu todos os cactos do parapeito, chegou a estes e pensou "É aqui!".
Eu quando era pequenina brincava com plantas pequeninas, com pauzinhos e sementes e imaginava-me muito pequenina a usar folhas como camas, etc. Tudo inho. E isso fazia-me muito feliz. Não é de admirar que uma aranha de dois milímetros me fascine. Olho para ela e penso na sua vida. Tão pequenina, não tem companhia e só apanha sol. Não sei o que come, nem se sai da teia, mas morena, deve estar com certeza.

6 de maio de 2008

os anos voam

Em 1996 ainda éramos tão pequeninas... tentei arranjar uma fotografia decente das cinco mas são todas comprometedoras. Aqui estamos eu, a Babá e a Di.

Há um ano comíamos-lhe os pés com beijos.
Parabéns...


Pontos a ressaltar: nem eu nem o Francisco sabíamos, nos momentos em que as fotografias foram tiradas, que as nossas pernas haviam de triplicar de grossura.
Apenas um de nós ficou favorecido.

4 de maio de 2008

dentro de mim

Às vezes acho que só estaria realmente bem se me escondesse dentro de mim. Nas minhas coisas. O meu mar de coisas baralhadas onde só eu sei nadar, entre pirolitos e remoinhos.
Deve haver um nome técnico para o que eu sou. Para o funcionamento do meu interior. As coisas fluem numa total correria, atropelam-se mas fluem. Penso numa coisa que leva a outra que leva a outra e tento fazê-las todas ao mesmo tempo mas é impossível acompanhar-me a mim própria e às coisas que me ocorrem.

Tenho uma aranha de estimação agora. Vive entre dois cactos, fez a sua teia e eu imagino como será o dia-a-dia dela. Mede cerca de dois milímetros. Está sempre no meio da teia. O que será que come? Será que dorme? Será que me vê? Vou fazer uma história com ela, tão linda a viver na cidade dos cactos. Oh Nat santa paciência, até parece que não tens mais que fazer.

2 de maio de 2008

sempre na mesma direcção

Ontem, enquanto ajudava duas alunas a desenhar a lápis de cor e marcadores um par de canecas, elas contavam-me o que os professores lhes ensinaram na escola. Uma tem menos dez anos que eu, a outra tem mais trinta. "Riscar sempre na mesma direcção!"
Dão-me luta. Não elas, que são uns amores, mas os preconceitos que lhes enfia(ra)m nas mentes. Exorcizo-as e rimo-nos muito. De cada vez que a L se queixava de não conseguir, eu fingia chicotear o seu professor (que além de tudo, batia muito nos alunos) que imaginávamos nu, de castigo, virado para a parede da minha sala a riscar em todas as direcções. À F disse-lhe que na próxima vez que a sua professora de Educação Visual lhe dissesse que é sempre na mesma direcção, ela respondesse que sim, é sempre na mesma direcção: a que eu quiser. Embora isso possa dar mau resultado, ora pois...
Vem-me à cabeça a história do céu azul. Queria entender por que motivos somos reprimidos desde bebés com conceitos e regras tão castradores da criatividade e expressão. A monotonia sempre presente do certo e do errado e do vazio que se finge haver entre eles.
Estavam todos errados, os que ficaram famosos. O Degas, o Picasso e o Christo. Todos uns maus alunos. E a Paula Rego também. Todos.

Observem-se nuvens e céus de tempestade, de nevoeiro, de madrugada, de anoitecer e de noite profunda. E risque-se em todas as direcções! Libertem-se as mentes, por favor, que os meus alunos andam a desenhar como se estivessem algemados.

29 de abril de 2008

auto-retrato verde

fotos velhas


Forçada a remexer nas pastas de todas as pinturas, encontrei fotografias que nunca tinha publicado. Entre elas estavam estas e ainda uma série de cinco fotografias desta parede, tiradas com o propósito de montar uma vista "panorâmica". Aqui está ela.

27 de abril de 2008

dos sonhos

Voltei a sonhar com armas. Eu tinha acabado de matar muita gente com uma metralhadora e escondia-me numa barraca no meio do mato. Vinha uma pessoa ao meu encontro, pronta para me matar e eu, aterrorizada e a chorar, disparava primeiro com a metralhadora, depois com uma pistola, mas nada atingia aquela pessoa que entrava na barraca, me olhava nos olhos e me dizia "Tu mataste a minha família.", antes de pegar também numa arma e disparar contra mim. Tudo tão real. Os tiros, o som, o peso das armas nas minhas mãos, a raiva, o choro, a culpa. Tantos tiros disparei contra aquela mulher e foi como se ela fosse um fantasma que as balas atravessavam. Chorei muito e por fim baixei a cabeça para morrer.
Não sei onde vou buscar estas coisas. Sou contra o uso de armas, o que desgosta o meu pai que pratica tiro ao alvo e em todas as vezes que me deixou atirar disse que eu tinha uma grande pontaria. Se eu fosse homem e me chamassem para a tropa, ia dar muito trabalho a quem me tentasse forçar. Preferia, de longe, ser presa. Tendo de ir para uma guerra, preferia morrer.

Talvez por os meus sonhos serem sempre tão estranhos e na maioria das vezes muito violentos, gosto de imaginar que o melhor sonho da minha vida não foi só um sonho. Imagino que entrei em contacto com outra realidade através do meu inconsciente. Quem me dera ter mais sonhos assim... depois daquele fiquei com uma sensação de leveza e paz que durou dias. Fechava os olhos e lembrava-me daquela luz, daquele silêncio e da confiança daqueles animais em mim. Aquela harmonia perfeita entre seres vivos. Foi um verdadeiro sonho, o melhor de sempre, porque imaginar e sonhar são coisas completamente distintas. E hoje eu sinto-me como se um dia tivesse de facto nadado num rio com pelicanos e lontras, num sítio onde não havia pedras perigosas nem vertigens que me impedissem de saltar dum ramo muito alto para a água.

26 de abril de 2008

as nossas alianças são brincos

Somos um casal moderno que não casou mas vive casado. Aliança no dedo, ele usou no primeiro casamento e eu, acho horrível, especialmente nestas mãos de artesã em que nenhuma unha é igual à outra e há sempre um restinho de tinta. Usamos brincos iguais nas orelhas. O meu caiu-me há dias (por falar nisso vou ali pô-lo). Ele usa no lóbulo da esquerda e eu uso na cartilagem da direita. Estávamos na casa de banho e ele disse:
- O meu patrão disse que há clientes que não gostam de brincos.
E eu, antes mesmo de pensar no que ia dizer:
- O teu patrão não sabe que estamos num país livre? Se os clientes não gostam de brincos, que não usem!

Porra.

PS
Devo dizer que recentemente fui atendida na Fnac por um funcionário de braços todos tatuados. Educado, competente (bonito até!!!) e tatuado até aos pulsos. Pensei que a mentalidadezinha portuguesinha deu um passinho em frente no dia em que se deu emprego a um homem assim. Mas só deito foguetes quando for atendida por um bancário tatuado... ou pior, sem gravata!!!

24 de abril de 2008

muda

Quando me calo as pessoas notam. Algumas reclamam. Eu cá canso-me de me ouvir.
Imagino-me muda. Se mesmo podendo falar, faço tantos gestos e caretas, imagino-me muda (eu que nem baixo sei falar). Seria uma muda que gesticula alto.
Aquele azul todo que pintei em Fevereiro deixou-me as fossas nasais em carne viva. Quando o sangue secava, impedia-me de mexer a boca e fazer grandes expressões. Andei uns tempos com cara de botox para não ser apanhada de surpresa por um esticão de ver estrelas. Isto durou demasiado tempo e é bem feita, para nunca mais me esquecer de tomar os anti-alérgicos.
Só na semana passada é que o meu nariz sarou. Mas nestes últimos dias apetece-me só estar calada. Nem escrever. Muda.

21 de abril de 2008

dias de tempestade

Bom no fim-de-semana, é quando me dou o direito de não fazer nada e não sentir culpa por isso. Se me apetecer, fico quieta e como mais chocolate do que o meu estômago suporta. Se me apetecer, faço umas salsinhas de pano com restinhos dos sacos. O vento tem estado tão forte que várias árvores caíram cá em Viana... a chuva chove na horizontal e as janelas assobiam.
Estava deitadinha no sofá a dormitar quando senti uma corrente de ar matreira. Tratei-lhe da saúde com meia dúzia de trapinhos e uns quilos de areia da Praia Norte.


18 de abril de 2008

a cores