Conto-as, chocada. Pareço tolinha mas não me interessa.Os meus pais e a minha avó nunca me admitiram sequer a possibilidade de deitar lixo para o chão. A minha avó, quando via bem e via alguém a deitar algo para o chão, não hesitava em se aproximar do porcalhão e dizer que a rua é de todos. Admiro-a. Eu fico a olhar, horrorizada. Estamos no século XXI e ainda existem pessoas que não conhecem o conceito de pequenos actos.
Não digo que os fumadores (parte deles, claro) sejam os únicos a sujar o chão mas são com toda a certeza os que o fazem mais descontraidamente, vezes e vezes seguidas. Eu vejo. Acabam o cigarro e a beata tem lugar guardado no chão (e o chão é tão grande e eu sou mesmo mesquinha), mesmo que a dois metros dum caixote do lixo. Porque sim. Porque até se apaga com o pé e pronto. Porque estando no chão já não lhes pertence. Ou porque lançadas por uma janela ganham asas e voam felizes até ao país das beatas.
Uma beata é só uma beata. Mede uns centímetros porra, e é biodegradável. E eu é que tenho este mau feitio. E se for a multiplicar as beatas que um fumador deita para o chão num dia pelos dias em que o fez e os anos há que fuma, ó minha gente, é tão pouco!!! E multiplicado por todos (quantos?) os fumadores que o fazem, pfff... quando acabar a conta já elas se degradaram todas todinhas e adubaram a Terra!
Se há coisa de que tenho a certeza hoje, é que a tolerância consiste em aceitar e respeitar as diferenças, e não fechar os olhos fingindo aceitar o inaceitável.
A rua é de todos e também é minha.












































