13 de abril de 2008

toque



A pensar noutro bebé que também ainda está no quentinho. Adoro pintar quartinhos para bebés.

12 de abril de 2008

não volto a abrir a porta a estranhos

Em casa sou um animal selvagem. Selvagem. Entre as muitas coisas que faço, canto ópera. Grito esta música. Canto canto e se não cantar, falo. Vivo com um homem calmo, silencioso. Vivemos nisto há anos. Eu lavo a louça aos berros e de vez em quando lembro-me que a dona O se deve rir muito de mim, na cozinha dela que é coladinha à nossa. O Bruno já nem reage, nem estremece. Estou nisto, drrraaaaa a a a a a a a a a a a a a aaaaaaaaaaaa a a a a a a a AAAAAAAAAA A A A A A A A A e toca a campainha.
O Bruno foge e com ele a cantora que há dentro de mim, cheia de jóias e bem penteada e maquilhada. E lá vou abrir a porta, com ar doméstico, de pano da louça na mão.

- Renhonhó renhonhó, tem dois minutos?
- Valha-me a Nossa Senhora, são nove horas da noite!!! - Sim.

E ouço, ouço, enquanto digo palavrões para dentro ao som do Mozart.

- Renhonhó cinco euros por ano.
- Mas isto não era um questionário? - não estou interessada...
- Não?!
- Filha, não me puxes pela língua minha filha, que eu sei que tu sabes que eu sei que ouviste a minha ópera, por isso põe-te a andar daqui se não queres ser corrida a decibéis. - Não... hum.
- Renhonhó renhonhó.

Odeio-os. Odeio-os. Por que me perseguem?! Não volto a abrir-lhes a porta.

11 de abril de 2008

o mar enrola na areiaaaa

Sempre que venho aqui ao blog os olhos fogem-me para o arquivo mensal. A sequência dos meses faz uma onda, ali de ladinho, conseguem ver? Sei que alucino mas nem desgosto de alucinar. No outro dia fui com a minha avó ao oftalmologista, um homem muito mal encarado a quem deve ser impossível arrancar um sorriso. Enquanto ele observava os exames da minha Binhas, fixei-me nas rugas horizontais e muito vincadas da sua testa. Pouco tempo foi preciso para começar a ouvir música de circo e ver bonequinhos caminharem na corda bamba...

figura humana



Há uns tempos atrás, pela primeira vez, senti o meu talento ser questionado por um cliente. Li nas palavras dele uma total falta de respeito pelo meu trabalho e pelos preços que pratico, ao insinuar-me que eu estava a cobrar caro por um trabalho "simples".

A Cilu serviu-me de modelo para resolver o braço e mãos desta boneca.
Se hoje, quando desenho, desenhar parece fácil e se, quando desenho, desenhar parece rápido e simples, é porque houve horas e horas e horas de desenho, muito trabalho com e sem vontade, suor, cansaço, toneladas de papel, e muito dinheiro investido. É por isso que eu cobro o que cobro hoje, e é por isso também que daqui a uns anos cobrarei mais. Nunca me vou esquecer duma entrevista do Jô Soares a um cartoonista em que, quando o Jô lhe perguntou quanto tempo levava a fazer uma tira, ele respondeu qualquer coisa do género "56 anos e 20 minutos". Que resposta tão verdadeira e tão clara...

Hoje apetece-me agradecer aos meus pais por me terem pago um curso caro como o de pintura. Caro em todos os sentidos. Apetece-me agradecer ao modelo de Desenho e Figura Humana de quem me lembro sempre que desenho bonequinhos, que ficou ali sentado, horas a fio, nu, quantas vezes cansado, com dores e as pernas adormecidas, para que hoje eu possa desenhar o corpo humano de memória. E por fim apetece-me agradecer muito a todos os que valorizam o meu trabalho e talento. E agradecer aos que pagam sem fazer julgamentos e com um sorriso na cara. Obrigada :)

10 de abril de 2008

animais da quinta








Para um bebé que ainda está no forninho...
:)

9 de abril de 2008

publicidade

Quando paro para ver televisão, o que me salta à vista são os anúncios publicitários. Isto porque só temos quatro canais cá em casa, e ainda bem, digo eu, que se tivéssemos cabo eu ficava coladinha no Odisseia. Se não houver desenhos animados, quem quer ser milionário, ou anatomia de grey (leia-se a anatomia do dr. burke), esqueço logo que tenho uma televisão aqui ao lado.
Mas a publicidade faz-me comichão. Admito que haja anúncios muito bons (sei que sou suspeita), mas a maioria parece-me um terror. Há dias chamou-me a atenção um em que um miúdo tem quatro braços. Não sei se vi mal, mas em todas as vezes que vi, o miúdo cheio de estilo usa uma das mãos para deitar lixo para o chão. Espero ter visto mal. Mas o que se segue eu sei que vi bem: a Fátima das manhãs a conversar com senhoras sobre os inconvenientes da prisão de ventre. E escusam de tentar distrair-me com o iogurte e o sofá verde no meio da rua. Elas estão a falar de cocó!!! Por que é que quando eu falo de cocó sou porca e me mandam calar, e aquela estapafúrdia-pró-tourada ainda recebe por cima??? E os anúncios de creme anti-qualquer-coisa cujo frasco é dividido ao meio? Dum lado creme branquinho, do outro creme laranjinha. Mistura-se tudo, na mão e na cara, mas é bonito, um frasco com dois buracos.

Não vou falar do anúncio em que as loiras burras devoram caviar à colher. Vou desenhar.

8 de abril de 2008

arrumação

Tão boa a fazer prateleiras e a dar-lhes destino. Por dentro sou uma sopa de letras. O que me passa pela cabeça, pelo coração, pelas mãos, é tudo o mesmo. Não há gavetas dentro de mim, não há prateleiras sequer. Vejo-me duende dentro de mim à procura das coisas no meio duma enorme confusão onde ponho tudo. Cá fora o mesmo. O saco do pão aberto na cozinha está directamente ligado ao copo de tinta no bidé. É tudo o mesmo. Sopa de letras.

7 de abril de 2008

um anjo

Lá fomos outra vez, eu e a minha mãe. (Nhocas, que pena tive por não teres ido... saudades)
Estivemos mais uma vez nas mãos de um homem que me deixa encantada. Pela sabedoria, pela experiência tão grande que tem no assunto, pela humildade e generosidade com que olha para nós, leigos, num misto de profunda tolerância e amor ao próximo. Como se tudo isto não bastasse, ele parece um anjo. Fala inglês num tom tão doce e pausado que é português para os meus ouvidos. Olha-nos nos olhos. Pergunta quem quer sentar-se ao pé dele a seguir. Um voluntário chega-se à frente (não nos acotovelamos para ir primeiro apenas por boa educação). E aquelas mãos grandes começam essa coisa chamada Técnica de Alexander. Eu não sei bem explicar o que é. Mas o certo é que ele manipulou este meu corpo grande e pesado como se eu fosse uma marioneta. Ajustou-lhe cuidadosamente as peças de que é feito, enquanto eu viajava algures no arco-íris com os pequenos póneis. Parece uma simples massagem. Mas há quem fique desfigurado, há quem seja assaltado por recordações e pensamentos que parecem não ser (mas são) para ali chamados, há quem se ria, há quem fique na mesma e há quem desate a chorar.

Falámos das minhas vertigens. Observou-me a subir e descer o escadote inúmeras vezes. A minha postura ao pintar pode ser a causa do desequilíbrio, daí o medo aterrador que tenho de cair. Ele observa a postura das pessoas ao milímetro. Pergunta-nos o que sentimos, se sentimos algo diferente e diz que não há mal nenhum em não sentir ou não conseguir verbalizar. Depois sorri e eu ouço sininhos. Um anjo.

Lu, no próximo aviso-te, ok?

6 de abril de 2008

:)


E pronto, Karla. Já está. Beijocas! ;D

4 de abril de 2008

toma que é bem feita por gozares com o rego alheio

(Terceiro episódio da saga "Soutien e o seu Maquiavélico Aro".)

- 'Tá? Boa tarde Sr. S. Eu sou blá blá blá... moro aqui blá blá blá... estou a ligar-lhe porque me entrou um aro do soutien na máquina de lavar a roupa e queria saber quanto custará tirá-lo de lá de dentro.

- Mas a máquina faz barulho?

- Bem, primeiro fez, depois parou de fazer. Mas tem um aro do soutien lá dentro! De metal!

- Ahahaha então não se preocupe minha senhora!

- Mas mas mas é um aro de metal e ainda é grande!

- Ahahaha eu sei, um aro de aço!

- Pois... o senhor já deve estar farto de saber... e não faz mal?

- Naaaaaaão!!! Deixe-o estar! Ahahahaha!

- Mas mas mas...

- Ele para o motor não vai. O pior que pode acontecer é furar o cano da água ou sair com a água.

- (Oh meu Deus por favor e se for para os rios e mares e oceanos e acabar por furar o olho a um golfinho? Oh meu Deus oh meu Deus!!!) - Aaaa... está bem então... Olhe eu vou pô-la a lavar. Se entretanto voltar a telefonar-lhe já sabe.

- Ahahahaha!

3 de abril de 2008

dos links e de quem me visita

Existe um grupo de pessoas que entra aqui sem links (também há o grupo dos que procuram receitas de arroz de pato e encontram isto...). Penso muitas vezes em quem serão essas pessoas. Gosto que me visitem porque imagino que gostem dos meus desenhos e das minhas macacadas. Um dia esse grupo atingiu os 147 elementos. Senti-me esmagada. Para mim mais de vinte pessoas já é uma multidão.
Já tantas vezes falei aqui do que representa este blog para mim. Só posso agradecer.
E muito obrigada a quem me linka ou elogia e recomenda o meu trabalho. Obrigada...

Sofia Quintela

Moonchild

O Mundo ao Contrário

Faz de Conta

Da Maia

Andreia

Deusas

BrU

Elsa

Catarina

V

Malena

... e um adeusinho especial à querida Birrinhas :)*

boa primavera!




Fomos ao cinema ver o Horton e nesta cena as minhas gargalhadas envergonharam quem estava comigo.

"No meu mundo todos são póneis e todos comem arco-íris e os cocós são borboletas!"

2 de abril de 2008

das coisinhas pequeninas

Ainda da minha colaboração com a Karla, num projecto cheio de ternura.
Vivo num mundo de bichos que sorriem, bochechudinhos. Depois este meu amor por coisas pequenas e a tendência para o animismo abrangem as plantas também, em especial o meu cactinho. Convenci-me de que somos apaixonados um pelo outro e ele, que é um romântico, oferece-me flores todos os meses. Recentemente estava a observá-lo ao perto, cada milímetro daquele corpinho pequeno e espinhoso. De repente vi um insecto! Corri feita louca em busca duma pinça, capturei a fera e pu-la num frasco. E levei-a para casa dos meus pais, para fazer queixa à minha mãe. Olha o que estava no meu cactinho! NO MEU CACTINHO!!! O que é? O que É?

"É cochonilha. Isto dá cabo das plantas! Deve haver mais."

E mandou o bicho cano a baixo, sem me dar tempo de o atirar para o quintal (eu sei, eu sei)... Receitou-me um insecticida que ficou na mesa da cozinha. Ao fim do dia assumi que sou de facto meia parva e bipolar, quando voltei a olhar para o Substral e vi nele a cura para o meu amorzinho doente. Pus-me a chorar de amor pelo cactinho e a minha mãe riu-se, por saber muito bem que esta parvoíce-lamechas, foi dela que a herdei.

não tomarás café às sete horas da noite

Pronto, cá estou, cheia de energia à uma da manhã. Se há dias em que pura e simplesmente não me apetece escrever nada aqui, outros há em que me apetece isto.
Hoje saí de casa e cheirou-me a Verão. Senti-me logo profundamente feliz. O segredo da felicidade passa por não se ser muito ambicioso. E quanto a isso sinto-me muito realizada. Apesar dos vários problemas que me comicham (digamos assim) e que não permito que habitem este blog, consigo, entre tristezas e preocupações, sentir-me feliz.
Ontem passaram o dia a cortar a relva aqui perto de casa. Depois desenharam umas cruzes vermelhas no chão e eu armada em esperta concluí logo que iriam plantar árvores. Hoje de manhã contei trinta buracos e, ao lado de cada um, esperavam elas, deitadas, bebés, acompanhadas de estacas. Fiquei tão feliz. Tão feliz. Gostava de saber quantas árvores matamos por ano, com a utilização de papel. É uma culpa que carrego, trabalhar com papel... Hei-de plantar uma árvore, umas das grandes (ora pois).

Segue-se o momento em que me junto aos bloggers que escrevem letras de músicas nos seus blogs.

Somos todos escravos do que precisamos. Reduz as necessidades, se queres passar bem.

Se tivesse aqui o Jorge Palma, dava-lhe um beijo na boca.
Pronto, vou dormir.

1 de abril de 2008

31 de março de 2008

outra vez

Isto vai repetir-se. Custa-me tanto acreditar. Ainda assim, peço a quem não assinou a petição, que assine, por favor.

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PS

Muito sinceramente, sinto que estamos diante da criação de um mito urbano. Primeiro porque não é possível que se permita que o artista em questão volte a matar um cão, não é possível. A não ser que a bienal seja patrulhada para que não entrem lá activistas dos direitos dos animais.
O que é grave aqui é o facto de este homem ter sido convidado a repetir a proeza. Pelo menos é o que se diz.
Alguém se lembra dos Bonsai Kitten, que deixaram meio mundo em polvorosa, a assinar petições e a alertar as associações de defesa dos animais, quando na verdade bastava observar com cuidado as tão chocantes imagens para perceber que era tudo mentira? Alguém se deve ter divertido muito com essa história.
Estive a pesquisar no google (embora deva assumir que sou péssima a pesquisar no google) e não encontrei nada que se referisse à tal Bienal, sem que seja para referir esta notícia. Queria encontrar um site oficial da exposição mas o mais próximo que cheguei foi a uma exposição que acontece nas Honduras mas que não é internacional. Não é estranho? Se alguém encontrar o site oficial da tão prestigiada Bienal Centro-Americana das Honduras, por favor deixe aqui o link. Ou um cartaz, ou o programa, ou qualquer coisa de anos anteriores.

Devo dizer que me incomoda todo este alarido. Chego a pensar que isto tudo pode ser a intenção do autor (não me admiraria nada se a petição tivesse sido lançada por ele - já viram a publicidade que lhe faz?), ser tudo uma fraude que pretende mobilizar milhares de pessoas para assinar uma petição e passar a palavra, enquanto promovem a fama do artista e dão razão ao propósito desta sua obra. Ele defende que só porque colocou um cão vadio numa galeria, já todos se comovem e revoltam, ao passo que um cão vadio na rua é muitas vezes simplesmente desprezado. Acho o conceito interessante, só (obviamente) não concordo com a exploração e tortura dum animal para concretizar a ideia. Bastava ser um boneco hiper-realista, colocado a jeito para chocar e enganar o público. E aí eu aplaudiria o senhor Habacuc. No fundo somos todos tocados pela hipocrisia. Tantos animais maltratados em ruas, canis, fábricas, matadouros. Tantos. Para não falar dos milhares de seres humanos, das crianças por quem podíamos assinar também uma petição, fazer um donativo, reencaminhar emails.

boa semana!





Uma das razões por que o Corrina Corrina * é um dos filmes da minha vida, é a banda sonora.

30 de março de 2008

o susto da minha vida

Foi há mais de três anos. Eu estava sozinha em casa, no Porto. Estava a trocar mensagens escritas com o Bruno, metida na cama e pronta para dormir. A televisão estava prestes a desligar-se sozinha, que eu já a tinha programado há séculos. De repente ouvi barulho. Ouvi passos no soalho e pensei "É a Carlita." mas não. A Carlita estava em Viana e além disso nunca entraria em casa sem se anunciar ruidosamente. "É o vizinho." - mas não, que o barulho era ao pé da nossa porta, depois já não era barulho, eram passos e eram dentro da nossa casa. Passos no escuro e a televisão quase a desligar-se para me deixar completamente só. A nossa casa era num prédio velho velho velho e parecia uma pensão. Os vizinhos tinham de passar pela nossa porta para subirem para as casas deles. Adiante. Os passos. Eu tinha uma pessoa dentro de casa. Não me parecia, eu tinha uma pessoa dentro de casa, cujos passos ouvia nitidamente do outro lado daquela parede de estuque que separava o meu quarto do corredor e que parecia feita de papel. O corredor terminava no meu quarto. E estava uma pessoa a andar no corredor. Nunca tive tanto medo na minha vida. E é nas situações limite que nos revelamos. E eu, que sempre me achei capaz de matar um ladrão com um taco de baseball como nos filmes, decidi fingir que dormia. Mas em vez disso comecei a tremer. Enquanto tremia pensava "Minha ganda burra pára de tremer e finge que dormes!" e tremia tremia. Os passos. Aqueles passos e eu de olho aberto a ver se o vulto finalmente aparecia aos pés da minha cama. Como não aparecia e os passos continuavam, nítidos e pesados, eu já via um homem de dois metros a saltar-me para cima à luz da televisão. A porra da televisão que ia desligar-se. O meu coração saltou-me para a garganta. Não satisfeita, para além de tremer tipo batedeira eléctrica (tenho a certeza de que a cama abanava), comecei a respirar muito depressa e muito alto, quase quase gemi. "Pára Nat, pára que ele assim vê-te a abanar toda, minha estúpida, que ridícula. Nem de morta sabes fazer." - se soubesse rezar, rezava. Nem me importava ser ateia, quem me dera saber rezar. E de repente, ouvi a janela do vizinho a bater.
Olhei.
Nada.
Ninguém.
O homem horrível-gigante-de-dois-metros-super-violador estava no andar de cima. Era tudo no andar de cima! Tudo no andar de cima. Maldito soalho. Maldito sejas, soalho velho e recheado de baratas, feito de tábuas longas e ecoantes. Como te odeio hoje.

Escrevi uma mensagem ao Bruno: "O meu coração acaba de me saltar boca fora para me dançar um sapateado." mas ele não entendeu a dimensão do horror.
No dia seguinte contei o filme a duas colegas, no café, e a Ana desatou a chorar, apavorada. Eu, ainda hoje me rio. Mas que medo. Que. Medo.

29 de março de 2008

enfermeira, é favor vir cá a cima que precisamos de si

Faltas-me, Di. A saudade é um sentimento tão egoísta.
No outro dia escrevi-te esta mensagem: "Estou a ir com o meu pai a Cerveira. Trago-te no coração." - e comecei a chorar mas parei quando vi que a mensagem não tinha sido enviada por falta de saldo. Ainda bem.
Comprei tinta para o cabelo e vou pintá-lo sozinha.
Despejei toda a minha roupa para cima da cama. E eu não sei fazer triagem sem ti a chamar-me nomes, de saco na mão.
Ninguém se ri das minhas idiotices, Di...
Choro feita estúpida. Falta tão pouco. Se entretanto entrares no msn não precisarei de publicar isto. Já sei que choras também... E aquela outra estúpida também vai chorar quando ler (pensando bem, é bem capaz de se rir), aqui em casa, que na casa dela ainda não há net. Onde estará a gaja? Vou averiguar.
Amo-te *

e o vencedor é...





O V do blog Encosta das Mimosas (estou à espera que ele chegue aqui e veja o papelito, ai quimoçom!!!)!
Muitos parabéns!!! É favor reclamar o prémio. Repararam na alegria do meu dedo polegar contorcionista? Ah pois é!
Obrigada a todos pelos comentários (tantos)! Muitos beijinhos.

28 de março de 2008

já meteste o totoloto?!

É só para avisar que podem participar no sorteio até à meia-noite de hoje! Amanhã (pronto, pronto, à meia-noite e pico!!! :D) anuncio o vencedor. Boa sorrrrrrrrrrrrrrrrrte!

27 de março de 2008

soutien 1 siemens 0

Estive fora. Durante a minha ausência houve uma tentativa de homicídio na nossa cozinha. O objecto metálico não identificado pelo elemento masculino desta casa penetrou a tômbola da máquina de lavar roupa. Gritou vitória quando já ninguém podia agarrá-lo. Na vez em que gritou vitória cedo demais, parei a lavagem, abri a máquina, chafurdei no meio de espuma e roupa encharcada e agarrei-o por pouco. Decidi que nunca mais um soutien seria lavado à solta. Arranjei um saco de pano, o saco de lavar soutiens. Perfeito. Mas não avisei o Brunim.

Bem me avisou a Fernanda... agora aguardaremos orçamento. E sei que a minha rica máquina acabará esventrada por um senhor enorme e suado que se ajoelhará diante da coitada e, eu sei, que mesmo não querendo, lhe vou ver o rego.

i'm just people watching the other people watching me *

Ontem estive aqui e escrevi. No entanto escrevi barbaridades e lá veio a auto-censura. O meu pai diz que eu sou uma destravada. E sou. Mas recentemente comparou-me com a Juno e eu fiquei pensativa.
Ontem apanhei-me sozinha em casa e solteira. Apanhei uma overdose de chocolate, alucinei e escrevi coisas. Coisas daquelas que só digo perto de quem conheço bem e, acima de tudo, que me conheça bem. Depois pensei nos leitores deste blog. Nos que já são amigos queridos, nos que não se manifestam mas que eu vejo diariamente (no site que vê as pessoas que me vêem) e nos meus possíveis clientes, que entram aqui à procura de pinturas e dão de caras com uma tonta. E aí é que a censura me cai em cima. Há um limite, uma linha fininha que me corta em duas partes: a que vive neste blog e a que vive para além dele. No fundo somos todos assim, não é? E ainda bem.

* da música People Watching

Em relação ao sorteio que está a decorrer aqui em baixo, não se acanhem! Eu sei bem o que é ser leitor mudo, raramente deixo comentários nos blogues de que mais gosto. E já agora, obrigada pelos comentários todos! Fazem-me sorrir e oferecer o desenho com todo o gosto.

24 de março de 2008

olhó sorteio!

Inspirada por duas lindas e talentosas bloggers, a Alice e a Rita, decidi sortear um desenho original, como forma de agradecer a todos os que por aqui passam, pelas visitas, comentários, carinho, emails e encomendas. Para participar basta deixar um comentário neste post, de preferência simpático (às vezes - muito raramente - passam por cá umas personagens a quem não sinto vontade de oferecer desenhos meus, ainda por cima desenhos preparatórios para as pinturinhas que me sustentam e que vão ilustrando este blog). Quem não tiver blog, por favor identifique-se com um endereço de email* com o qual possa depois reclamar o prémio. Na próxima Sexta-feira dou por terminado o sorteio (está a crescer-me um bigode de António Sala) e depois anuncio o vencedor!
Boa sorte!




* para que não fique evidente e "captável" por bichinhos virtuais, podem escrevê-lo assim: natachavc arroba hotmail ponto com
e se assim entenderem, posso apagar os comentários depois de terminado o sorteio.

21 de março de 2008

empadão de tofu e legumes

Faz-se um refogadinho com:

Azeite
Cebola picada
Alho picado
Cenoura ralada
Chouriço de soja

e depois acrescenta-se

Cogumelos frescos
Bróculos semi-cozidos :)
Tofu cortado em cubinhos

e tempera-se com

Sal grosso
Pimenta branca
Noz moscada
Orégãos

Deixa-se ferver e por fim acrescenta-se um pacotinho de natas, ou molho branco, ou leite de côco ou natas de soja. Conforme o gosto. Deixa-se apurar um bocadinho.
Faz-se um puré de batata e serve-se com o preparado de tofu por cima. Ou, melhor ainda, faz-se o empadão e leva-se a gratinar:

Puré+recheio+queijo ralado+puré+gema de ovo+orégãos+forno forte. Hummmmmmm.



Espero que gostem! Bom apetite!

20 de março de 2008

pergunta

O que é isto?

19 de março de 2008

a ver estrelas

Com algumas alterações desde os primeiros desenhos, aqui está a parede dos planetas. Para um menino que fez hoje três anos.
Pintar cores lisas e uniformes implica ter muita paciência e pouca pressa, duas coisas que não abundam no meu rico feitio, mas não há melhor terapia do que a pintura. Quando pinto sou uma boa menina.
Pintei numa casa em construção, sem electricidade nem água corrente, rodeada de homens das obras, de gritos, barulho, fumo de cigarro e muito muito muito pó. Pintei muda mas feliz (garanti-me com um pacote de chips ahoy - as melhores bolachas do mundo). Enquanto eles tentavam conter os muitos palavrões que fazem parte do seu processo de trabalho (um até me pediu desculpa) por estarem na presença duma menina, ri-me para dentro a pensar que nem sonham com as coisas que digo quando estou a costurar.



O que mais gosto são as estrelinhas. Não tirei fotografias ao processo de trabalho por me sentir observada. Ehehehe.

18 de março de 2008

orgulhosamente optimista

Ele não é um super-herói. É uma pessoa igual às outras. Ele usa uma capinha mas não voa. Ele não teme o ridículo. Saltita alegremente sobre as dificuldades e às vezes tropeça no pessimismo mas não cai. Ele usa os poderosos-óculos-de-ver-coisas-boas. Às vezes chora mas prefere sorrir. É o Orgulhosamente Optimista e vai ter direito à t-shirt que não me sai da cabeça.
Só me falta fazer o desenho mas agora vou mesmo é dormir, que hoje pintei muito e amanhã pintarei mais.
Beijos aos meus leitores.

16 de março de 2008

meio vazio

Vai-se andando.

É muito complicado...

Dos pessimistas. Os que adoram lamentar e lamentar-se. Que adoram falar de doenças e dos efeitos secundários de tudo em geral e dos medicamentos em particular. Que adoram pôr um ar sério na voz e na cara. Que criticam os outros com prazer. Que falam da tristeza dos outros como se a sentissem mas sem nunca deixarem de a mencionar. Os pessimistas. Os do medo de falhar, tanto medo de arriscar como de festejar. Os que poupam no riso. Os do nunca se sabe. Os do amargo na boca. Os que quando corre mal já estavam preparados, porque já sabiam.






Orgulhosamente optimista. Vou escrever isto numa t-shirt.

e pintei


... durante 10 horas. Mas antes disso perdi-me nas redondezas da casa onde devia chegar às nove horas da manhã. Perdi-me bem perdida, com direito a muitas paragens para pedir ajuda, no meio de chuva e telefonemas para a cliente (tão querida) que acabou por se meter no carro para me ir salvar. Ela e eu, à minha procura. Pelo meio ri-me sozinha da minha desgraça e gritei muitos palavrões. No pico do meu desespero (meia hora depois) em que já me apetecia chorar, uma senhora a quem pedi orientações disse "Vai inverter a marcha e segue... ah mas vai dar uma volta muito grande..." e eu recuperei a vontade de rir imediatamente.

As fotos foram tiradas já à noite. Não me sugiram GPS, que é só nisso que eu penso agora.

14 de março de 2008

boa noite

Desenho, desenho e desenho. Feliz. Desesperada de tanto para desenhar, mas feliz.
Bom fim-de-semana. Amanhã passarei o dia a pintar.

13 de março de 2008

tofu grelhado

Aqui vai uma receita simples de tofu. Dedicada àqueles que se aproximam da decisão de deixar de comer animais, ou que simplesmente gostariam de reduzir o consumo de animais - o que a meu ver, já é muito bom.
Há quase seis anos que me tornei vegetariana. Decidi ver uma notícia sobre matadouros em Portugal e soube que ao vê-la a minha vida iria mudar. Chorei muito e ainda hoje tenho guardada a imagem das ovelhas e tentarem proteger os seus bebés dos choques eléctricos.
Conhecer receitas práticas e baratas é meio caminho andado para se experimentar comida vegetariana em casa. E nunca criar a expectativa de que vai saber a carne ou a peixe, ou que parece frango, é meio caminho andado para gostar. O tofu sabe a muito pouco. Lá ao longe sabe a soja, mas isso é para quem conhece bem o sabor da soja. O segredo está no tempero e naquilo com que é cozinhado. Cá em casa há um brasileiro amante de picanha e churrascos que também adora tofu (e o seu filho de 4 anos igual). E é assim que ele o prefere: grelhado.

Então aqui vai: faz-se uma caminha de tempero num tabuleiro.
Azeite (só o suficiente para unir os secos)
Sal grosso
Pimenta branca
Orégãos
Alho em pó


Corta-se o tofu em filetes com menos de um dedo de espessura. Deixa-se a temperar depois de os pressionar dum lado e do outro no tempero. Basta uma horinha de repouso. Depois é só grelhar. Quem não tiver grelha nem tempo (como eu), use uma frigideira anti-aderente untada com um fiozinho de azeite e já está.

Hoje fiz com arroz de tomate mas vai bem com arroz branco, puré, batatas fritas, salada e até no meio do pão, tipo-hamburguer-sem-hamburguer.


Bom apetite! Se gostarem da ideia, ponho aqui mais receitas.

12 de março de 2008

bom dia!

Desenho desenho e desenho.

11 de março de 2008

ponha as suas coisas naquele cantinho e tire a roupa toda

Obedeci.
Estavam em maioria, ela que me acompanhou até ao consultório e ele, que me esperava para fazer os exames. Dois exames de rotina e fica-se logo de tudo à mostra. "Pode ficar com as meias calçadas." - Ah muito obrigada, agora estou nua e ridícula. - pensei para com as minhas banhas.

10 de março de 2008

memórias palpáveis

O ser humano é aquele animalzinho que tem pêlo onde não é preciso e se apega aos objectos. Pega neles e acumula-os no seu ninho. Não para se alimentar nem se aquecer. Guarda-os, simplesmente. Dizem que os objectos fazem bem ao coração deste pequeno mamífero.



Eu sou muito humana, pobre de mim. Apego-me à vida dos objectos, à memória que eles transportam. Acumulo lixo, na prática é só isso.
Estes sacos trazem pedacinhos de vida. Vida dum cão que viveu 13 anos, que se tornou parte da família e que usava a sua inteligência para alcançar e comer às escondidas todos os alimentos proibidos.
O tecido velho e roçado, tão anos 80 e já com metade da cor original, foi onde a Boxi passou muitas horas deitada, nas férias em Afife, com os seus tumores gigantescos pendurados por todo o corpo. A Boxi morreu e foi para o céu comer todo o chocolate que não pôde comer em vida. O tecido ficou e não é justo dar-lhe outro uso. Tirar-lhe a memória da Boxi, tão cheia de sentido de humor e meiguice, mesmo quando já estava a ser consumida por um cancro.
Pedi o tecido à minha Teia para fazer um saco para mim. Mas estes dois são para ela e para a mi primi. Nem me interessa se é macabro ou fashion. Aquece-me o coração.

Quando desfiz a bainha ao tecido encontrei pêlos intactos que sobreviveram às lavagens. Pedacinhos da Boxi. Até o cheiro dela voltou quando o passei a ferro.

Ilustração: eu na máquina de costura, o tecido, os sacos e a minha lamechice toda. E por cima de mim a Boxi-cachorrinho, com asas de anjinho e a rir-se deste meu ateísmo-espírita-pateta, a coser pedacinhos de quotidiano, quando o que realmente importa é comer porcarias.

Feliz aniversário mi primi. Parabéns Teia quereida. Os sacos chegam aí amanhã. Muitos beijos repenicadinhos.

9 de março de 2008

das listas

As coisas escritas parecem mais verdadeiras do que pensadas. Mais sérias. Escrevo listas das minhas obrigações. Escrevo-as com letra bonita e numero as coisas por ordem de importância. Leio e volto a ler. Quanto mais bonita a caligrafia mais verdade parece... que vou conseguir fazer tudo nos próximos dois dias. Convenço-me de que sou capaz de seguir a ordem, de lhe obedecer. E depois perco a lista.

7 de março de 2008

6 de março de 2008

made in canada

Abri os olhos para o massacre das focas bebés há mais de dez anos, quando vi numa revista uma imagem pequenina em que o caçador usava a cria, agarrando-a pelo rabo, para bater na mãe que tentava salvá-la. Chorei baba e ranho.
uma vez pedi aqui que assinassem a petição. Hoje peço outra vez e hei-de pedir até que isto acabe.

Assinem, por favor, a petição mundial para que se acabe com isto.

Tirei a foto daqui.

5 de março de 2008

lá fui

Dois pares de meias de algodão.
Sapatilhas apropriadas.
Palmilhas de silicone que absorvem o impacto.
Soutien de equitação (sem comentários).

Pés destruídos ao fim de uma hora.
Busto intacto.

4 de março de 2008

porque os blogs também servem para isto

... promessas públicas.

Diz que amanhã de manhã vou andar. Andar muito muito muito, assim como quem quer correr mas não pode porque tem excesso de peso e mamas grandes, assim muito muito muito rápido como quem quer fugir da casa dos setentas na balança.

Pausa para o palavrão F.

Prevejo o pior para os meus pés.

3 de março de 2008

eu vou!!!

Sinto um remorso muito grande por não ter ido ver os Coldplay na primeira vez em que vieram a Portugal. Dizem que foi único... E desde aí decidi que podia perder qualquer outro concerto, porque aquele eu sei que seria o concerto da minha vida, até porque tinha os raios laser na "Clocks"* e o Chris Martin toca piano e é vegetariano... enfim, perdi-o e já passou. Sou daquelas parolas que cantam do princípio ao fim e dançam e fecham os olhos e gritam. O coração vem-me à boca de tanta emoção e arrepio-me com o primeiríssimo acorde das músicas que conheço.

Vou ver o Jack Johnson. O meu Brunim comprou-nos bilhetes.
O Jack Johnson escreve coisas maravilhosas e certeiras sobre a vida, tornou-se vegetariano no dia em que viu passar um camião de frangos vivos e grava CDs com energia solar. Adoro-o.


P.S.
E vou no dia 26 do 6. 6 dias depois de fazer 26 anos. Há coisas perfeitas e estou em pulgas.

olhos postos na morte

Hoje o autocarro onde eu ia ultrapassou um camião cheio de porcos. A vista da janela dum autocarro não é a mesma. Um dos porcos levantou a cabeça e vi-lhe os olhos, aqueles olhos pequeninos que os porcos têm que são sempre assim. Eu a cem à hora para casa e ele a cem à hora para morrer.
Um dia ouvi um porco a ser morto. Os gritos. Aqueles gritos. Nunca mais. Nunca mais.

29 de fevereiro de 2008

comédia da vida privada

Em Santiago de Compostela, passeávamos eu, o Brunim e o JB com o meu pai e os pais do Brunim, quando chegámos a uma daquelas grandes praças. Disse ao JB: "Olha nesta praça podes correr muito e gritar Sou livre!"
E lá desata ele a correr (tão pequenino), debaixo duma chuva miudinha e a gritar diante dos desconhecidos:

"SOU LINDA!!!"

27 de fevereiro de 2008

pintura e colagem

Que coisa tão boa é poder ver um ser humano fazer algo importante pela primeira vez.
Adoro pôr os meninos a cozinhar. Para além da importância de se sentirem capazes e de trabalharem a motricidade e a concentração sem se darem conta, desenvolvem o gosto pela cozinha (e por alimentos "esquisitos").
Fazer a primeira pizza é muito fácil para quem já tem experiência de sobra em pintura e colagem. Se não vejam:




Material para fazer meninos pequeninos felizes:
Base para pizza congelada;
Molho de tomate já pronto e pincel de culinária;
Legumes e salsichas veg;
Queijo ralado;
Oregãos;
Forno forte;
Fome e vontade de comer. E sumo.

No fim toma-se nota da receita desenhando.

(As fotos dos dois monstrinhos a comer ficaram todas tremidas. Uns alarves... até pimento marchou.)


nave especial

Quando pedem à menina que há dentro de mim que desenhe "coisas de menino", ela diz-me em segredo que gosta é de fadas e princesas. Dou-lhe a mão e tento convencê-la que as coisas de menino também são muito giras. E lá as desenhamos. Com mais dificuldade... mas desenhamos.



Ficou assim.