13 de março de 2008

tofu grelhado

Aqui vai uma receita simples de tofu. Dedicada àqueles que se aproximam da decisão de deixar de comer animais, ou que simplesmente gostariam de reduzir o consumo de animais - o que a meu ver, já é muito bom.
Há quase seis anos que me tornei vegetariana. Decidi ver uma notícia sobre matadouros em Portugal e soube que ao vê-la a minha vida iria mudar. Chorei muito e ainda hoje tenho guardada a imagem das ovelhas e tentarem proteger os seus bebés dos choques eléctricos.
Conhecer receitas práticas e baratas é meio caminho andado para se experimentar comida vegetariana em casa. E nunca criar a expectativa de que vai saber a carne ou a peixe, ou que parece frango, é meio caminho andado para gostar. O tofu sabe a muito pouco. Lá ao longe sabe a soja, mas isso é para quem conhece bem o sabor da soja. O segredo está no tempero e naquilo com que é cozinhado. Cá em casa há um brasileiro amante de picanha e churrascos que também adora tofu (e o seu filho de 4 anos igual). E é assim que ele o prefere: grelhado.

Então aqui vai: faz-se uma caminha de tempero num tabuleiro.
Azeite (só o suficiente para unir os secos)
Sal grosso
Pimenta branca
Orégãos
Alho em pó


Corta-se o tofu em filetes com menos de um dedo de espessura. Deixa-se a temperar depois de os pressionar dum lado e do outro no tempero. Basta uma horinha de repouso. Depois é só grelhar. Quem não tiver grelha nem tempo (como eu), use uma frigideira anti-aderente untada com um fiozinho de azeite e já está.

Hoje fiz com arroz de tomate mas vai bem com arroz branco, puré, batatas fritas, salada e até no meio do pão, tipo-hamburguer-sem-hamburguer.


Bom apetite! Se gostarem da ideia, ponho aqui mais receitas.

12 de março de 2008

bom dia!

Desenho desenho e desenho.

11 de março de 2008

ponha as suas coisas naquele cantinho e tire a roupa toda

Obedeci.
Estavam em maioria, ela que me acompanhou até ao consultório e ele, que me esperava para fazer os exames. Dois exames de rotina e fica-se logo de tudo à mostra. "Pode ficar com as meias calçadas." - Ah muito obrigada, agora estou nua e ridícula. - pensei para com as minhas banhas.

10 de março de 2008

memórias palpáveis

O ser humano é aquele animalzinho que tem pêlo onde não é preciso e se apega aos objectos. Pega neles e acumula-os no seu ninho. Não para se alimentar nem se aquecer. Guarda-os, simplesmente. Dizem que os objectos fazem bem ao coração deste pequeno mamífero.



Eu sou muito humana, pobre de mim. Apego-me à vida dos objectos, à memória que eles transportam. Acumulo lixo, na prática é só isso.
Estes sacos trazem pedacinhos de vida. Vida dum cão que viveu 13 anos, que se tornou parte da família e que usava a sua inteligência para alcançar e comer às escondidas todos os alimentos proibidos.
O tecido velho e roçado, tão anos 80 e já com metade da cor original, foi onde a Boxi passou muitas horas deitada, nas férias em Afife, com os seus tumores gigantescos pendurados por todo o corpo. A Boxi morreu e foi para o céu comer todo o chocolate que não pôde comer em vida. O tecido ficou e não é justo dar-lhe outro uso. Tirar-lhe a memória da Boxi, tão cheia de sentido de humor e meiguice, mesmo quando já estava a ser consumida por um cancro.
Pedi o tecido à minha Teia para fazer um saco para mim. Mas estes dois são para ela e para a mi primi. Nem me interessa se é macabro ou fashion. Aquece-me o coração.

Quando desfiz a bainha ao tecido encontrei pêlos intactos que sobreviveram às lavagens. Pedacinhos da Boxi. Até o cheiro dela voltou quando o passei a ferro.

Ilustração: eu na máquina de costura, o tecido, os sacos e a minha lamechice toda. E por cima de mim a Boxi-cachorrinho, com asas de anjinho e a rir-se deste meu ateísmo-espírita-pateta, a coser pedacinhos de quotidiano, quando o que realmente importa é comer porcarias.

Feliz aniversário mi primi. Parabéns Teia quereida. Os sacos chegam aí amanhã. Muitos beijos repenicadinhos.

9 de março de 2008

das listas

As coisas escritas parecem mais verdadeiras do que pensadas. Mais sérias. Escrevo listas das minhas obrigações. Escrevo-as com letra bonita e numero as coisas por ordem de importância. Leio e volto a ler. Quanto mais bonita a caligrafia mais verdade parece... que vou conseguir fazer tudo nos próximos dois dias. Convenço-me de que sou capaz de seguir a ordem, de lhe obedecer. E depois perco a lista.

7 de março de 2008

6 de março de 2008

made in canada

Abri os olhos para o massacre das focas bebés há mais de dez anos, quando vi numa revista uma imagem pequenina em que o caçador usava a cria, agarrando-a pelo rabo, para bater na mãe que tentava salvá-la. Chorei baba e ranho.
uma vez pedi aqui que assinassem a petição. Hoje peço outra vez e hei-de pedir até que isto acabe.

Assinem, por favor, a petição mundial para que se acabe com isto.

Tirei a foto daqui.

5 de março de 2008

lá fui

Dois pares de meias de algodão.
Sapatilhas apropriadas.
Palmilhas de silicone que absorvem o impacto.
Soutien de equitação (sem comentários).

Pés destruídos ao fim de uma hora.
Busto intacto.

4 de março de 2008

porque os blogs também servem para isto

... promessas públicas.

Diz que amanhã de manhã vou andar. Andar muito muito muito, assim como quem quer correr mas não pode porque tem excesso de peso e mamas grandes, assim muito muito muito rápido como quem quer fugir da casa dos setentas na balança.

Pausa para o palavrão F.

Prevejo o pior para os meus pés.

3 de março de 2008

eu vou!!!

Sinto um remorso muito grande por não ter ido ver os Coldplay na primeira vez em que vieram a Portugal. Dizem que foi único... E desde aí decidi que podia perder qualquer outro concerto, porque aquele eu sei que seria o concerto da minha vida, até porque tinha os raios laser na "Clocks"* e o Chris Martin toca piano e é vegetariano... enfim, perdi-o e já passou. Sou daquelas parolas que cantam do princípio ao fim e dançam e fecham os olhos e gritam. O coração vem-me à boca de tanta emoção e arrepio-me com o primeiríssimo acorde das músicas que conheço.

Vou ver o Jack Johnson. O meu Brunim comprou-nos bilhetes.
O Jack Johnson escreve coisas maravilhosas e certeiras sobre a vida, tornou-se vegetariano no dia em que viu passar um camião de frangos vivos e grava CDs com energia solar. Adoro-o.


P.S.
E vou no dia 26 do 6. 6 dias depois de fazer 26 anos. Há coisas perfeitas e estou em pulgas.

olhos postos na morte

Hoje o autocarro onde eu ia ultrapassou um camião cheio de porcos. A vista da janela dum autocarro não é a mesma. Um dos porcos levantou a cabeça e vi-lhe os olhos, aqueles olhos pequeninos que os porcos têm que são sempre assim. Eu a cem à hora para casa e ele a cem à hora para morrer.
Um dia ouvi um porco a ser morto. Os gritos. Aqueles gritos. Nunca mais. Nunca mais.

29 de fevereiro de 2008

comédia da vida privada

Em Santiago de Compostela, passeávamos eu, o Brunim e o JB com o meu pai e os pais do Brunim, quando chegámos a uma daquelas grandes praças. Disse ao JB: "Olha nesta praça podes correr muito e gritar Sou livre!"
E lá desata ele a correr (tão pequenino), debaixo duma chuva miudinha e a gritar diante dos desconhecidos:

"SOU LINDA!!!"

27 de fevereiro de 2008

pintura e colagem

Que coisa tão boa é poder ver um ser humano fazer algo importante pela primeira vez.
Adoro pôr os meninos a cozinhar. Para além da importância de se sentirem capazes e de trabalharem a motricidade e a concentração sem se darem conta, desenvolvem o gosto pela cozinha (e por alimentos "esquisitos").
Fazer a primeira pizza é muito fácil para quem já tem experiência de sobra em pintura e colagem. Se não vejam:




Material para fazer meninos pequeninos felizes:
Base para pizza congelada;
Molho de tomate já pronto e pincel de culinária;
Legumes e salsichas veg;
Queijo ralado;
Oregãos;
Forno forte;
Fome e vontade de comer. E sumo.

No fim toma-se nota da receita desenhando.

(As fotos dos dois monstrinhos a comer ficaram todas tremidas. Uns alarves... até pimento marchou.)


nave especial

Quando pedem à menina que há dentro de mim que desenhe "coisas de menino", ela diz-me em segredo que gosta é de fadas e princesas. Dou-lhe a mão e tento convencê-la que as coisas de menino também são muito giras. E lá as desenhamos. Com mais dificuldade... mas desenhamos.



Ficou assim.

26 de fevereiro de 2008

pirilampos

A Karla convidou-me para colaborar com ela num projecto especial e cheio de ternura... aqui fica uma espreitadela.

24 de fevereiro de 2008

o que é a arte mesmo?

Ontem o membro do juri convidado no Dança Comigo era um toureiro.

pausa para palavrões

Uma vez ouvi a Fátima Lopes das manhãs a entrevistar uma cambada de miúdos mal resolvidos que vinham duma escola de tourada. "Então vocês blá blá blá (quando estou colérica não ouço bem) esta grande arte?!"

pausa para a super-praga

Outra vez a Catarina Furtado entrevistou o Pedrito de Portugal já depois do episódio em que o público gritou MATA MATA MATA e ele matou um touro. E a namoradinha de Portugal (agora vejo que partilham o apelido) perguntou-lhe se era uma sensação orgasmática, a de matar o touro, sem nunca desfazer aquele lindo sorriso com que nos brinda todas as semanas.

Vou dormir.

23 de fevereiro de 2008

é à

Tenho de o dizer. Tenho mesmo. Não é que eu nunca dê erros ortográficos ou pontapés na gramática mas isto, juro pela minha felicidade que me lembro da mesa em que estava sentada e era na escola primária. E a professora escrevia no quadro e dizia e repetia:

Vou à praia.


É à!!! É À com acento grave!!! Assim `````````````````````
É grave. O acento é grave. E um A sozinho nunca leva acento agudo. Não em português. Nunca.

Vou dormir.

22 de fevereiro de 2008

21 de fevereiro de 2008

pintarriscos

Não encontro palavras para explicar o que se passa dentro de mim quando uma obra de arte me entra pelos olhos e vai directa ao coração. É uma lufada de ar fresco, uma injecção de luz. Foi mais ou menos isto o que senti no dia em que descobri este site e as pinturas em parede mais bonitas que vi até hoje. Tudo lindo. Tudo simplesmente lindo. Uma inspiração.

anúncio: perco coisas

Dou sumisso a coisas importantes. Pequenas, grandes, não importa. Brincos, elásticos do cabelo, óculos de sol, chaves de tudo, sacos volumosos, carros em parques de estacionamento dum dia para o outro. Documentos, cartas, contas e facturas. Sapatos e peças de roupa, desde soutiens até casacos de malha XL. Evaporo tudo. Tudo.
Satisfação garantida ou devolvemos o seu dinheiro (se eu não o perder).

20 de fevereiro de 2008

mais um vídeo

Ninguém imagina as tristes figuras que faço quando estou a pintar (o hábito de trabalhar sozinha sem ninguém a ver). E pintar (desenhar, neste caso) com uma máquina fotográfica na mão esquerda a filmar às cegas só podia dar mau resultado. Pu-la no escadote, na cabeça, no queixo, no peito... saíram vários vídeos ridículos (aqueles em que se ouve o lápis mas só se vê parede são os meus favoritos) até que consegui fazer este em que desenho a tartaruguinha que nos acena duma nuvem*. Espero que gostem, apesar de estar tão escuro.



perto

A minha maior dificuldade em divulgar o meu trabalho é explicar visualmente como fica uma parede pintada. Se as fotografo de longe, perde-se informação e os quartos parecem enormes. Se as fotografo de perto, as pinturas ficam completamente descontextualizadas e imediatamente parecem outra coisa qualquer. Mas hoje deixo aqui o perto, o muito perto. A textura da parede, das tintas e do desenho. As imperfeições de que aprendi a orgulhar-me. A prova de que é uma mão humana que faz tudo.






4/4

Fui para Lisboa para pintar dois quartos e acabei por pintar quatro. Este foi o que pintei no dia em que vim embora. O Fábio é um bebé de quatro meses tão lindo. A minha pintura foi a primeira coisa a entrar no seu novo quartinho.





Este é o meu post número 500! Quingentésimo!

18 de fevereiro de 2008

laços virtuais

Enquanto estive em Lisboa só pensei e controlar bem os horários dos transportes públicos, em não perder os números de telefone dos clientes e em fazer a marmita para o dia seguinte. Pelo meio gritava "Teeeeeeeeeeeeia" pela casa, fazia um reikizinho à mi Primi e lamentava-me de não poder estar pessoalmente com os meus amigos virtuais de quem tanto gosto. Nem com a minha família estive decentemente...

E foi enquanto eu andava concentrada em visualizar o trabalho de cada dia seguinte que aquelas duas safadas vieram aqui ao blog e tentaram entrar em contacto com quem - como eu - se queixava de eu estar em Lisboa e não haver tempo sequer para um café. E eis que um dia me fazem a enorme surpresa de trazer a Lena e a Sofia para jantar connosco! Obrigada Teia. Obrigada Rité. Nem sei explicar bem como foi, de tão emocionada que fiquei.

Voltei a verificar (pois já tinha conhecido a Ana pessoalmente) que os laços entre amigos virtuais podem, de facto, ser reais. A Sofia e a Lena são tal como eu imaginava, mas muito muito muito melhores ao vivo e a cores. Foi como se nos conhecêssemos há anos. Rimo-nos ainda mais do que por troca de emails e comentários. O meu medo de encontrar pessoalmente alguém que lê o blog e cria uma imagem de mim muito diferente do que eu possa ser foi ultrapassado. Até porque as duas meninas têm blogues e sabem como isto é... mas ainda assim encheram-me de mimos, ao ponto de eu sentir que não merecia tanto. Nem aquela surpresa (tão bem) armada com tanto amor e carinho pela minha teia e pela mi primi (e pelo meu primo pequeno e pela Sari e pelos cães!!!), nem as prendas que me trouxeram e de que nunca me vou esquecer (e eu nem um banho e um perfuminho para ao menos perder a cara de pintora-alucinada-exausta, bolas). Cada uma trouxe uma das suas especialidades. E ainda recebi um desenho lindo e comovente da filha da Sofia, a J.. Não sei como agradecer. Sinto mesmo que não merecia tanto. Sou uma sortuda. Sou sim. Vivo rodeada de pessoas maravilhosas e cruzo-me com mais e mais pessoas assim. Obrigada...



14 de fevereiro de 2008

só mais uma antes de cair para o lado

Ando exausta. Tenho corrido muito para terminar as pinturas a tempo. Amanhã regresso a Viana mas não sem antes fazer uma pintura no quarto dum menino.

Aqui ficam o peixinho e a ostrinha que fiz para dois irmãos amorosos: um menino e uma bebé que vão começar a partilhar o mesmo quarto.

Que sorte tenho de só ter como clientes pessoas tão simpáticas e carinhosas. Obrigada Catarina e Nuno!


12 de fevereiro de 2008

fecha-se um ciclo

Hoje fui pintar uma versão grande destes dois meninos. Um duende e uma fada que fiz há mais de dois anos. Passaram de um palmo para um metro. E da quarta pintura que fiz em parede, para a vigésima nona. O tempo voa. Venham mais quartinhos, que eu ainda não me cansei.



Esta pintura foi para uma querida mãe blogger que tive o prazer de conhecer pessoalmente... vou aguardar autorização dela para poder fazer o link. Posso, Sónia? Posso?... :D

Espero que a Pulga Morena se divirta muito a brincar com a pinturinha.

11 de fevereiro de 2008

e pronto









Acabei a pintura do quarto do Diogo. Que falta me faz o fotoxop... as fotografias podiam estar muio melhores mas não queria deixar de partilhar a pintura com quem vem aqui diariamente. Quando chegar a Viana trato-as para que fiquem com melhor luz e definição.
Amanhã lá vou para mais uma parede, fazer isto.
Muito obrigada pelos comentários tão bons de ler. E muito obrigada aos queridos pais do Diogo, a Marta e o Paulo, que me receberam tão bem e me mimaram todos os dias. Trabalhar assim é diversão.

10 de fevereiro de 2008

quase

,Pinto até ficar sem luz suficiente ou até ficar muito cansada. Ou ambas as coisas. Depois venho para casa e observo as pessoas no comboio e no metro. Espero que não me observem também, que eu tenho ar de tolinha.
Como o barco dos sonhos já é repetido e este já é o terceiro, vou-lhe fazendo alterações. Sinto que evoluo.
Conheço bem os meus bichinhos, qualquer dia desenho-os de cor. Mudo-lhes as orelhas, as bocas, imagino-os vivos. Gosto tanto de animais.
Passo muito tempo sozinha e muito tempo concentrada a pintar. Embrenho-me no material, na tinta que quer pingar e que eu não deixo e sinto-me sábia. Posso pintar bonecos mas pinto. Na faculdade éramos obrigados a pintar, a desenhar, a praticar. A disciplina é uma coisa difícil. Quando lá andava, pela mão do meu querido professor Paulo Almeida, pensava como seria no dia em que me visse sozinha sem as propostas de trabalho que ele nos fazia, se seria capaz de desenhar todos os dias. Ele orientava-nos e tão bem. Um dia mandou-nos fazer um novo desenho sobre um desenho que tivéssemos posto de parte. Peguei num de figura humana. Desenhei uma ovelhinha de olhos arregalados debaixo do rabo do modelo. Uma relvinha aos pés e um balão de banda desenhada: . Nunca me vou esquecer da cara do meu professor. Do meu ataque de riso e da confissão: "Ó professor eu adoro bonecos, eu vejo bonecos, penso em bonecos! Deixe-me desenhá-los."...



Amanhã termino este quarto. Depois parto para outro. E depois para outro. Biba!