Ontem estive aqui e escrevi. No entanto escrevi barbaridades e lá veio a auto-censura. O meu pai diz que eu sou uma destravada. E sou. Mas recentemente comparou-me com a Juno e eu fiquei pensativa.
Ontem apanhei-me sozinha em casa e solteira. Apanhei uma overdose de chocolate, alucinei e escrevi coisas. Coisas daquelas que só digo perto de quem conheço bem e, acima de tudo, que me conheça bem. Depois pensei nos leitores deste blog. Nos que já são amigos queridos, nos que não se manifestam mas que eu vejo diariamente (no site que vê as pessoas que me vêem) e nos meus possíveis clientes, que entram aqui à procura de pinturas e dão de caras com uma tonta. E aí é que a censura me cai em cima. Há um limite, uma linha fininha que me corta em duas partes: a que vive neste blog e a que vive para além dele. No fundo somos todos assim, não é? E ainda bem.
* da música People Watching
Em relação ao sorteio que está a decorrer aqui em baixo, não se acanhem! Eu sei bem o que é ser leitor mudo, raramente deixo comentários nos blogues de que mais gosto. E já agora, obrigada pelos comentários todos! Fazem-me sorrir e oferecer o desenho com todo o gosto.
27 de março de 2008
24 de março de 2008
olhó sorteio!
Inspirada por duas lindas e talentosas bloggers, a Alice e a Rita, decidi sortear um desenho original, como forma de agradecer a todos os que por aqui passam, pelas visitas, comentários, carinho, emails e encomendas. Para participar basta deixar um comentário neste post, de preferência simpático (às vezes - muito raramente - passam por cá umas personagens a quem não sinto vontade de oferecer desenhos meus, ainda por cima desenhos preparatórios para as pinturinhas que me sustentam e que vão ilustrando este blog). Quem não tiver blog, por favor identifique-se com um endereço de email* com o qual possa depois reclamar o prémio. Na próxima Sexta-feira dou por terminado o sorteio (está a crescer-me um bigode de António Sala) e depois anuncio o vencedor!
Boa sorte!


* para que não fique evidente e "captável" por bichinhos virtuais, podem escrevê-lo assim: natachavc arroba hotmail ponto com
e se assim entenderem, posso apagar os comentários depois de terminado o sorteio.
Boa sorte!


* para que não fique evidente e "captável" por bichinhos virtuais, podem escrevê-lo assim: natachavc arroba hotmail ponto com
e se assim entenderem, posso apagar os comentários depois de terminado o sorteio.
21 de março de 2008
empadão de tofu e legumes
Faz-se um refogadinho com:Azeite
Cebola picada
Alho picado
Cenoura ralada
Chouriço de soja
e depois acrescenta-se
Cogumelos frescos
Bróculos semi-cozidos :)
Tofu cortado em cubinhos
e tempera-se com
Sal grosso
Pimenta branca
Noz moscada
Orégãos
Deixa-se ferver e por fim acrescenta-se um pacotinho de natas, ou molho branco, ou leite de côco ou natas de soja. Conforme o gosto. Deixa-se apurar um bocadinho.
Faz-se um puré de batata e serve-se com o preparado de tofu por cima. Ou, melhor ainda, faz-se o empadão e leva-se a gratinar:
Puré+recheio+queijo ralado+puré+gema de ovo+orégãos+forno forte. Hummmmmmm.

Espero que gostem! Bom apetite!
20 de março de 2008
19 de março de 2008
a ver estrelas
Com algumas alterações desde os primeiros desenhos, aqui está a parede dos planetas. Para um menino que fez hoje três anos.
Pintar cores lisas e uniformes implica ter muita paciência e pouca pressa, duas coisas que não abundam no meu rico feitio, mas não há melhor terapia do que a pintura. Quando pinto sou uma boa menina.
Pintei numa casa em construção, sem electricidade nem água corrente, rodeada de homens das obras, de gritos, barulho, fumo de cigarro e muito muito muito pó. Pintei muda mas feliz (garanti-me com um pacote de chips ahoy - as melhores bolachas do mundo). Enquanto eles tentavam conter os muitos palavrões que fazem parte do seu processo de trabalho (um até me pediu desculpa) por estarem na presença duma menina, ri-me para dentro a pensar que nem sonham com as coisas que digo quando estou a costurar.


O que mais gosto são as estrelinhas. Não tirei fotografias ao processo de trabalho por me sentir observada. Ehehehe.
Pintar cores lisas e uniformes implica ter muita paciência e pouca pressa, duas coisas que não abundam no meu rico feitio, mas não há melhor terapia do que a pintura. Quando pinto sou uma boa menina.
Pintei numa casa em construção, sem electricidade nem água corrente, rodeada de homens das obras, de gritos, barulho, fumo de cigarro e muito muito muito pó. Pintei muda mas feliz (garanti-me com um pacote de chips ahoy - as melhores bolachas do mundo). Enquanto eles tentavam conter os muitos palavrões que fazem parte do seu processo de trabalho (um até me pediu desculpa) por estarem na presença duma menina, ri-me para dentro a pensar que nem sonham com as coisas que digo quando estou a costurar.


O que mais gosto são as estrelinhas. Não tirei fotografias ao processo de trabalho por me sentir observada. Ehehehe.
18 de março de 2008
orgulhosamente optimista
Ele não é um super-herói. É uma pessoa igual às outras. Ele usa uma capinha mas não voa. Ele não teme o ridículo. Saltita alegremente sobre as dificuldades e às vezes tropeça no pessimismo mas não cai. Ele usa os poderosos-óculos-de-ver-coisas-boas. Às vezes chora mas prefere sorrir. É o Orgulhosamente Optimista e vai ter direito à t-shirt que não me sai da cabeça.
Só me falta fazer o desenho mas agora vou mesmo é dormir, que hoje pintei muito e amanhã pintarei mais.
Beijos aos meus leitores.
Só me falta fazer o desenho mas agora vou mesmo é dormir, que hoje pintei muito e amanhã pintarei mais.
Beijos aos meus leitores.
16 de março de 2008
meio vazio
Vai-se andando.
É muito complicado...
Dos pessimistas. Os que adoram lamentar e lamentar-se. Que adoram falar de doenças e dos efeitos secundários de tudo em geral e dos medicamentos em particular. Que adoram pôr um ar sério na voz e na cara. Que criticam os outros com prazer. Que falam da tristeza dos outros como se a sentissem mas sem nunca deixarem de a mencionar. Os pessimistas. Os do medo de falhar, tanto medo de arriscar como de festejar. Os que poupam no riso. Os do nunca se sabe. Os do amargo na boca. Os que quando corre mal já estavam preparados, porque já sabiam.
Orgulhosamente optimista. Vou escrever isto numa t-shirt.
É muito complicado...
Dos pessimistas. Os que adoram lamentar e lamentar-se. Que adoram falar de doenças e dos efeitos secundários de tudo em geral e dos medicamentos em particular. Que adoram pôr um ar sério na voz e na cara. Que criticam os outros com prazer. Que falam da tristeza dos outros como se a sentissem mas sem nunca deixarem de a mencionar. Os pessimistas. Os do medo de falhar, tanto medo de arriscar como de festejar. Os que poupam no riso. Os do nunca se sabe. Os do amargo na boca. Os que quando corre mal já estavam preparados, porque já sabiam.
Orgulhosamente optimista. Vou escrever isto numa t-shirt.
e pintei

... durante 10 horas. Mas antes disso perdi-me nas redondezas da casa onde devia chegar às nove horas da manhã. Perdi-me bem perdida, com direito a muitas paragens para pedir ajuda, no meio de chuva e telefonemas para a cliente (tão querida) que acabou por se meter no carro para me ir salvar. Ela e eu, à minha procura. Pelo meio ri-me sozinha da minha desgraça e gritei muitos palavrões. No pico do meu desespero (meia hora depois) em que já me apetecia chorar, uma senhora a quem pedi orientações disse "Vai inverter a marcha e segue... ah mas vai dar uma volta muito grande..." e eu recuperei a vontade de rir imediatamente.As fotos foram tiradas já à noite. Não me sugiram GPS, que é só nisso que eu penso agora.
14 de março de 2008
boa noite
13 de março de 2008
tofu grelhado
Aqui vai uma receita simples de tofu. Dedicada àqueles que se aproximam da decisão de deixar de comer animais, ou que simplesmente gostariam de reduzir o consumo de animais - o que a meu ver, já é muito bom.Há quase seis anos que me tornei vegetariana. Decidi ver uma notícia sobre matadouros em Portugal e soube que ao vê-la a minha vida iria mudar. Chorei muito e ainda hoje tenho guardada a imagem das ovelhas e tentarem proteger os seus bebés dos choques eléctricos.
Conhecer receitas práticas e baratas é meio caminho andado para se experimentar comida vegetariana em casa. E nunca criar a expectativa de que vai saber a carne ou a peixe, ou que parece frango, é meio caminho andado para gostar. O tofu sabe a muito pouco. Lá ao longe sabe a soja, mas isso é para quem conhece bem o sabor da soja. O segredo está no tempero e naquilo com que é cozinhado. Cá em casa há um brasileiro amante de picanha e churrascos que também adora tofu (e o seu filho de 4 anos igual). E é assim que ele o prefere: grelhado.
Então aqui vai: faz-se uma caminha de tempero num tabuleiro.
Azeite (só o suficiente para unir os secos)
Sal grosso
Pimenta branca
Orégãos
Alho em pó

Hoje fiz com arroz de tomate mas vai bem com arroz branco, puré, batatas fritas, salada e até no meio do pão, tipo-hamburguer-sem-hamburguer.
Bom apetite! Se gostarem da ideia, ponho aqui mais receitas.
12 de março de 2008
11 de março de 2008
ponha as suas coisas naquele cantinho e tire a roupa toda
Obedeci.
Estavam em maioria, ela que me acompanhou até ao consultório e ele, que me esperava para fazer os exames. Dois exames de rotina e fica-se logo de tudo à mostra. "Pode ficar com as meias calçadas." - Ah muito obrigada, agora estou nua e ridícula. - pensei para com as minhas banhas.
Estavam em maioria, ela que me acompanhou até ao consultório e ele, que me esperava para fazer os exames. Dois exames de rotina e fica-se logo de tudo à mostra. "Pode ficar com as meias calçadas." - Ah muito obrigada, agora estou nua e ridícula. - pensei para com as minhas banhas.
10 de março de 2008
memórias palpáveis
O ser humano é aquele animalzinho que tem pêlo onde não é preciso e se apega aos objectos. Pega neles e acumula-os no seu ninho. Não para se alimentar nem se aquecer. Guarda-os, simplesmente. Dizem que os objectos fazem bem ao coração deste pequeno mamífero.


Eu sou muito humana, pobre de mim. Apego-me à vida dos objectos, à memória que eles transportam. Acumulo lixo, na prática é só isso.
Estes sacos trazem pedacinhos de vida. Vida dum cão que viveu 13 anos, que se tornou parte da família e que usava a sua inteligência para alcançar e comer às escondidas todos os alimentos proibidos.
O tecido velho e roçado, tão anos 80 e já com metade da cor original, foi onde a Boxi passou muitas horas deitada, nas férias em Afife, com os seus tumores gigantescos pendurados por todo o corpo. A Boxi morreu e foi para o céu comer todo o chocolate que não pôde comer em vida. O tecido ficou e não é justo dar-lhe outro uso. Tirar-lhe a memória da Boxi, tão cheia de sentido de humor e meiguice, mesmo quando já estava a ser consumida por um cancro.
Pedi o tecido à minha Teia para fazer um saco para mim. Mas estes dois são para ela e para a mi primi. Nem me interessa se é macabro ou fashion. Aquece-me o coração.
Quando desfiz a bainha ao tecido encontrei pêlos intactos que sobreviveram às lavagens. Pedacinhos da Boxi. Até o cheiro dela voltou quando o passei a ferro.
Ilustração: eu na máquina de costura, o tecido, os sacos e a minha lamechice toda. E por cima de mim a Boxi-cachorrinho, com asas de anjinho e a rir-se deste meu ateísmo-espírita-pateta, a coser pedacinhos de quotidiano, quando o que realmente importa é comer porcarias.
Feliz aniversário mi primi. Parabéns Teia quereida. Os sacos chegam aí amanhã. Muitos beijos repenicadinhos.


Eu sou muito humana, pobre de mim. Apego-me à vida dos objectos, à memória que eles transportam. Acumulo lixo, na prática é só isso.
Estes sacos trazem pedacinhos de vida. Vida dum cão que viveu 13 anos, que se tornou parte da família e que usava a sua inteligência para alcançar e comer às escondidas todos os alimentos proibidos.
O tecido velho e roçado, tão anos 80 e já com metade da cor original, foi onde a Boxi passou muitas horas deitada, nas férias em Afife, com os seus tumores gigantescos pendurados por todo o corpo. A Boxi morreu e foi para o céu comer todo o chocolate que não pôde comer em vida. O tecido ficou e não é justo dar-lhe outro uso. Tirar-lhe a memória da Boxi, tão cheia de sentido de humor e meiguice, mesmo quando já estava a ser consumida por um cancro.
Pedi o tecido à minha Teia para fazer um saco para mim. Mas estes dois são para ela e para a mi primi. Nem me interessa se é macabro ou fashion. Aquece-me o coração.
Quando desfiz a bainha ao tecido encontrei pêlos intactos que sobreviveram às lavagens. Pedacinhos da Boxi. Até o cheiro dela voltou quando o passei a ferro.
Ilustração: eu na máquina de costura, o tecido, os sacos e a minha lamechice toda. E por cima de mim a Boxi-cachorrinho, com asas de anjinho e a rir-se deste meu ateísmo-espírita-pateta, a coser pedacinhos de quotidiano, quando o que realmente importa é comer porcarias.
Feliz aniversário mi primi. Parabéns Teia quereida. Os sacos chegam aí amanhã. Muitos beijos repenicadinhos.
9 de março de 2008
das listas
As coisas escritas parecem mais verdadeiras do que pensadas. Mais sérias. Escrevo listas das minhas obrigações. Escrevo-as com letra bonita e numero as coisas por ordem de importância. Leio e volto a ler. Quanto mais bonita a caligrafia mais verdade parece... que vou conseguir fazer tudo nos próximos dois dias. Convenço-me de que sou capaz de seguir a ordem, de lhe obedecer. E depois perco a lista.
7 de março de 2008
6 de março de 2008
made in canada
Abri os olhos para o massacre das focas bebés há mais de dez anos, quando vi numa revista uma imagem pequenina em que o caçador usava a cria, agarrando-a pelo rabo, para bater na mãe que tentava salvá-la. Chorei baba e ranho.Já uma vez pedi aqui que assinassem a petição. Hoje peço outra vez e hei-de pedir até que isto acabe.
Assinem, por favor, a petição mundial para que se acabe com isto.
Tirei a foto daqui.
5 de março de 2008
lá fui
4 de março de 2008
porque os blogs também servem para isto
... promessas públicas.
Diz que amanhã de manhã vou andar. Andar muito muito muito, assim como quem quer correr mas não pode porque tem excesso de peso e mamas grandes, assim muito muito muito rápido como quem quer fugir da casa dos setentas na balança.
Pausa para o palavrão F.
Prevejo o pior para os meus pés.
Diz que amanhã de manhã vou andar. Andar muito muito muito, assim como quem quer correr mas não pode porque tem excesso de peso e mamas grandes, assim muito muito muito rápido como quem quer fugir da casa dos setentas na balança.
Pausa para o palavrão F.
Prevejo o pior para os meus pés.
Etiquetas:
este post podia conter palavrões dos pesados,
eu
3 de março de 2008
eu vou!!!
Sinto um remorso muito grande por não ter ido ver os Coldplay na primeira vez em que vieram a Portugal. Dizem que foi único... E desde aí decidi que podia perder qualquer outro concerto, porque aquele eu sei que seria o concerto da minha vida, até porque tinha os raios laser na "Clocks"* e o Chris Martin toca piano e é vegetariano... enfim, perdi-o e já passou. Sou daquelas parolas que cantam do princípio ao fim e dançam e fecham os olhos e gritam. O coração vem-me à boca de tanta emoção e arrepio-me com o primeiríssimo acorde das músicas que conheço.Vou ver o Jack Johnson. O meu Brunim comprou-nos bilhetes.
O Jack Johnson escreve coisas maravilhosas e certeiras sobre a vida, tornou-se vegetariano no dia em que viu passar um camião de frangos vivos e grava CDs com energia solar. Adoro-o.
P.S.
E vou no dia 26 do 6. 6 dias depois de fazer 26 anos. Há coisas perfeitas e estou em pulgas.
olhos postos na morte
Hoje o autocarro onde eu ia ultrapassou um camião cheio de porcos. A vista da janela dum autocarro não é a mesma. Um dos porcos levantou a cabeça e vi-lhe os olhos, aqueles olhos pequeninos que os porcos têm que são sempre assim. Eu a cem à hora para casa e ele a cem à hora para morrer.
Um dia ouvi um porco a ser morto. Os gritos. Aqueles gritos. Nunca mais. Nunca mais.
Um dia ouvi um porco a ser morto. Os gritos. Aqueles gritos. Nunca mais. Nunca mais.
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