13 de janeiro de 2008

mimi e o mar




quando a casa se apodera da dona

Depois de muita chuva, surge um raio de sol e a dona de casa só pensa em encher a máquina de roupa... é quando a casa é dona da dona da casa.

E agora que estendi uma máquina e enchi outra, vou levar a Mimi à praia, que vê-la a correr-quase-voar é terapia.

12 de janeiro de 2008

mais



Ainda dos meus sonhos: já tive a sorte de sonhar várias vezes que voava. Tenho a sensação gravada na minha memória como se tivesse voado mesmo. E voava à Peter Pan, sem asas nem esforço, ora pois.

11 de janeiro de 2008

o meu barco dos sonhos

O Barco dos Sonhos é a pintura de que mais me orgulho. Nasceu dum sonho que tive, em que via uma pintura linda numa parede e pensava "Quem me dera ter sido eu a fazê-la". Era uma fila de animais de peluche a flutuarem no ar, lutando por se manterem juntos dando as mãos, agarrando as caudas uns dos outros, as trombas (havia um elefante que não me saiu da memória e que deu origem a este)... e havia um barco de papel suspenso por balões. Na mesma altura, dois amigos queridos (Nhocas+Twin) trouxeram-me da Nazaré um barquinho de pesca. Quando o pus na minha mesa de cabeceira dei-lhe um destino diferente. Hás-de pescar os meus sonhos (que eu raramente me lembro dos melhores) e nunca peixinhos.
Comecei a desenhar. Trabalhava numa secretaria, atrás duma secretária onde muito desenhei para os primeiros quartos. E foi lá que tive, juntamente com a Cilu, um brainstorming delicioso. Nasceu uma (proposta de) pintura à qual a cliente não resistiu. E ainda bem.
Embora pareça uma arca de Noé, nunca o imaginei assim. Imagino antes animais que morrem e vão - literalmente - para o céu. Um céu cheio de nuvens fofas e estrelas que se podem tocar. Também imagino um grupo de pescadores que se esforça por apanhar sonhos (as estrelas), acabados de chegar ao céu e pasmos com tudo o que vêem.

Uma das próximas pinturas pode vir a ser o barco (ou a floresta), mas em duas paredes. Comecei a desenhar bichinhos. Aqui ficam :)



empirismo vegetal


As plantas de cá de casa são os meus animais de estimação. Estimo-as, o que não significa que tenham qualidade de vida. A teoria sobre como tratar de plantas não me serve. Observo-lhes as folhas e a terra. Na terra germinam ervinhas intrusas que eu adoro. São umas lutadoras, as minhas plantas. Mutilo a salsa para a comer e sinto que a traio.
Tenho vários cactos. Disseram-me um dia que os cactos querem pouca água. Um dia descobri que os meus estavam mirrados, em sofrimento. Comecei a regá-los muitas vezes. Desataram a inchar, a inchar, a crescer, a ter bebés. Um dos meus cactos oferece-me flores que só abrem à noite. Comove-me, o meu cactinho. Falo com ele, mas sou suspeita, que eu falo com tudo.

(suspiro)

8 de janeiro de 2008

javali pequenini

Que gosto de todos os animais já todos sabemos. Gosto de aranhas, salvo moscas de afogamento, pego nas cobras que o gato caça, defendo os touros, choro só de ver elefantes, odeio gaiolas e aquários, daria mais e mais beijos a todos os patos e coelhos do mundo, não vou ao zoo, não vou ao circo, etc.. Mas ainda tenho aquele sentimento do "queria um pónei" (no sentido de gostar tanto tanto que até guardo o bichinho lindo numa montra, de tanto que gosto dele que o quero só para mim, no sentido de gostar tanto tanto do canto do canarito que até o condeno a uma perpétua, de gostar tanto tanto do leãozinho que até o enfio numa jaula de cimento). "Queria" um macaco, "queria" um golfinho e também "queria" um porco (um porco hei-de ter). Hoje desenhei este javali bebé como proposta para a próxima pintura e apaixonei-me por ele.

Queria um javali.

7 de janeiro de 2008

meus pulmões. minha pele. minha roupa. meu cabelo.

Entrei no café daqui da frente.
O fumo era nenhum.
É inacreditável.
É um sonho.

Hoje dou-me conta de que nunca escolhia a mesa no restaurante sem antes verificar o conteúdo das mesas já ocupadas. É que nos restaurantes escolhe-se o que se come mas não o que se respira enquanto se come.
Mas isso era dantes.

5 de janeiro de 2008

auto-retrato

Enquanto eu comer chocolate e beber água, é porque estou bem.
No dia em que um elefante me pisou o coração, comi só uma sopa e a água vinha-me dos olhos, salgada.

4 de janeiro de 2008

o riso alheio

Há uns tempos participei num workshop de Técnica de Alexander, orientado por um homem especial (que me ensinou a perder o medo do escadote). O sorriso dele marcou-me. Não se ria muito como eu, muito menos às gargalhadas. Era tímido mas tinha um sorriso tão sincero que me fez sentir curada de todos os meus males só de olhar para ele. Um anjo.
Pus-me a pensar em como o (sor)riso dos outros é importante para mim. Como afecta directa e intensamente o meu bem-estar. Como me move.
Tenho sangue de palhaço. Fui perdendo as vergonhas ao longo da vida, só para me poder rir mais de tudo. De mim e dos outros. E para fazer rir os outros. Por isso alguém que simplesmente não ri, que nem chega a sorrir, nem sequer com os olhos, é logo à partida alguém de quem eu desconfio e um alvo muito fácil para as minhas piadas-mentais-impiedosas. Não fosse rir o melhor remédio... :)

3 de janeiro de 2008

lavar as entranhas

Hoje fui fazer a segunda hidrocolonoscopia da minha vida. Faço-a para me redimir... e porque toda a gente devia fazê-la. O médico contou-me que existe quem se veja livre de quilos (!) de coisas acumuladas ao longo de anos nas paredes do intestino e consequentemente, de uma série de outros problemas. Oba oba!

2 de janeiro de 2008

neurologia retórica

O que é que ocorre no cérebro quando se sente um aperto no coração?

31 de dezembro de 2007

na celulite duma mulher

... e não na pele.
Eu não sou nada de sexismos. Não sou. Acho que as diferenças entre homens e mulheres são tão óbvias que discuti-las é uma perda de tempo. Mas ser mulher num mundo de mulheres de plástico não é brinquedo. Ter a obrigação de não ter um bigode. Ter de ter uma boa pele aos vinte e cinco anos. Ter de estar bonita e de preferência magra. E todo o resto.
Há uns anitos vi na televisão um repórter a ser submetido a um electrocardiograma em directo. Despiu-se e deitou-se na marquesa naturalmente. Tinha uma grande barriga e a mim só me ocorreu E se fosse eu a repórter com a minha barriga flácida e o meu duplo-pneu-dorsal abaixo do soutien? - é que era escândalo nacional. E não é justo.

Hoje a Cilu aplicou-me tortura veet. Ainda bem que éramos só as três tontas do costume na cozinha e que eu lhe posso chamar todos os nomes começados por p e acabados em a, porque caso contrário e dependendo de mim, eu entraria em 2008 com cara de Frida Kahlo. Também fomos em busca de roupa nova e eu confrontei-me com um tsunami de celulite em toda a pele que vi naquele maldito espelho da loja. Agora não posso fechar os olhos que o que vejo é isto. Pensam os homens que fazer chichi de pé é o melhor. Não sabem. Nem sonham.

30 de dezembro de 2007

um ano

Este blog faz hoje um ano. Eu que nem sabia o que era um blog até me viciar no da Rosa e no do Ricardo (a culpa é toda deles), criei este sem fazer a mínima ideia do que aí viria. Posso dizer que o Vermelho Devagarinho mudou a minha vida. Descobri que não estou assim tão só na minha maneira de pensar e de sentir, descobri que há pessoas que se dão ao trabalho de vir aqui todos os dias e que me apoiam mesmo não me conhecendo pessoalmente.

Muito obrigada a todos os que me visitam. Os que comentam e os que ficam caladinhos. Aos que se deram ao trabalho de me escrever emails de que nunca me esquecerei. Aos que me fazem rir às gargalhadas, aos que discordam e se manifestam e aos que me linkam. Como já disse aqui, o meu blog não é só meu. Parabéns para nós!

28 de dezembro de 2007

birra de natal

Já passou. Sinto sempre uma angústia semelhante à que antecipava as injecções de penicilina, quando era pequenina e ficava doente da garganta e sabia, desesperada e impotente, que tinha de ser, que ia acontecer quer eu quisesse quer não, então nem adiantava chorar. Hoje posso fugir e bem podia vir o enfermeiro demoníaco, com a sua voz calma e meiga e de seringa, que eu correria de própolis na mão.
Não gosto do Natal e nem adianta dizerem-me para eu deixar de ser parva, que eu não mando no que sinto no fundo do fundo. Não gosto. Gosto do ideal e ainda tenho esperança de vir a gostar do todo. Mas há uns dias imaginei-me a fugir do Natal. A ir para uma ilha paradisíaca qualquer e a passar os dias 23, 24 e 25 só na praia a torrar ao sol e a nadar nua num mar azul. Não é fugir do que o Natal tem de melhor (que tem, eu sei). É fugir dos "apêndices".

Agora vem o ano novo e disso eu gosto porque adoro recomeçar, projectar e agendar. Há um ano fiquei bêbeda pela primeira vez na vida. Um horror. Mas cómico, como todos os momentos atribulados da minha vida.
Penso nos meus muitos projectos e recupero logo o ânimo.


O meu blog tem dois Dezembros :)

23 de dezembro de 2007

the night before christmas

Gosto tanto tanto tanto deste desenho animado que não tenho palavras para explicar.


A todos os que passam pelo Vermelho Devagarinho, um Natal muito feliz, cheio de Alegria, Amor e Paz. Beijinhos e abraços :-)

22 de dezembro de 2007

desejos de natal


Um lindo livro ilustrado pelo querido Ricardo. Uma bela prenda de Natal para quem tem as compras atrasadas! Este é meu meu meuzinho. Fui vendo no Flickr os pedacinhos das ilustrações a juntarem-se, ansiosa por poder ter nas minhas mãos um exemplar. E claro que tirei uma fotografia de família com as restantes obras de arte que temos cá em casa made by Wishes&Heros!


21 de dezembro de 2007

pelo menos hoje

Ontem fui fazer uma iniciação ao Reiki. Foi muito interessante, até porque como sou uma optimista muito tonta, já me imagino a curar meio mundo através das mãos.
Os cinco princípios fundamentais do Reiki são de uma enorme sabedoria. Tocam-me pela simplicidade. A minha mãe costuma dizer "Pelo menos hoje, não me vou preocupar." - o que é mesmo prático e inteligente, se pensarmos que vivendo um dia de cada vez, da melhor maneira, podemos mudar a nossa vida. Eu tenho a mania de agradecer. Ficar grata pelo céu azul, pelo lugar para estacionar, pela simpatia do funcionário dos CTT...
Aqui ficam os princípios:

Hoje abandono a raiva.

Hoje abandono as minhas preocupações.

Hoje trabalho honestamente.

Hoje dou graças pelas muitas bênçãos recebidas.

Hoje sou bondoso para o meu semelhante.

19 de dezembro de 2007

o jardim


O jardim que fui pintar e para o qual andei a desenhar bichinhos bochechudos. Fiquei muito satisfeita com o resultado. É raro ficar surpreendida com a pintura. Isto porque tem de ficar sempre exactamente como eu a imaginei. Mas confesso que estas flores (que a uma gulosa como eu só fazem lembrar Hansel e Gretel) me encheram os olhos, assim que comecei a pintá-las sobre o verde da relva. A parede transformou-se numa enorme página cheia de buraquinhos brancos à espera de ser preenchida por autocolantes. Diverti-me muito.











18 de dezembro de 2007

voltei



Estou cansada (como sempre quando acabo uma pintura) e com problemas no computador. Amanhã deixo aqui mais fotografias.
Este quarto ficou uma delícia e é uma pena que as fotografias nunca dêem a noção do que é a pintura ao vivo... as dimensões, as cores, os restinhos de lápis, as pinceladas, a caneta bic. Bom mesmo é cruzar-me com pessoas amorosas e crianças de olhos brilhantes.

15 de dezembro de 2007

até já

...vou jardinar ;)
Bom fim-de-semana!